23/10/2013

Todo Carnaval tem seu fim

"But just remember on the way home
That you were never meant to feel alone
It takes a little while, but you'd be fine
Another good time coming down the line"
(John Mayer - On The Way Home)

Há exatamente dois anos, nesta mesma data, 23 de Outubro, eu estava deixando o Brasil para vir em busca do meu sonho. Depois de anos acreditando que era impossível, provei a mim mesma do que era capaz.

Foi uma história digna de muita (re)descoberta. Tanto, que de fato terei de me (re)adaptar à minha já conhecida vida. Mas tudo bem, todo adeus é uma segunda chance. E eu já aprendi que adaptar-se não é assim tão difícil.

Hoje é oficialmente o meu último dia como Au Pair, mas combinei com a minha host que completaria a semana trabalhando, então assim será. Sexta-feira, dia 25, será meu último dia de trabalho.

As coisas aqui na casa estão seguindo da melhor forma possível. Minha host me agradece por tudo o que eu fiz, ao final do dia, além de me perguntar como tenho lidado com algumas coisas, pra ela mesma ir se preparando (porque ela não terá mais Au Pair). As crianças continuam doces como sempre, e o Pequeno está cada vez mais grudado comigo. Vou sentir uma falta sinistra deste par de olhos azuis!

No dia 29 estarei indo para NJ, visitar minha amiga Argentina, e de quebra vamos visitar a casa e museu do escritor Mark Twain em CT. Além disso, ainda está acontecendo uma exposição sobre Edgar Allan Poe em NY, a qual com certeza eu também estarei presente. Enquanto muitos sonham em ir pra Miami se despedir dos EUA, eu fui procurar entretenimento Literário. Vai entender! ;)

Volto de NJ no dia 4 de Novembro, aproveito os últimos poucos dias com as minhas criaturas adoráveis, e no dia 8 eu embarco para o Brasil. No dia seguinte já devo estar de volta pro meu aconchego. Ê, delícia!

E é isso. Mais uma fase chegando ao fim, e outra começando. Já sei o que farei no Brasil, mas por enquanto não entrarei em detalhes no Blog. Aliás, não decidi ainda se continuarei escrevendo sobre a vida de Au Pair ou não. Talvez eu pare por um tempo, pelo menos até minha vida entrar nos eixos novamente.

Agora com licença, que ainda preciso começar a arrumar minha malas! o/



"Mas, no caminho de volta para casa, lembre-se
De que sentir-se só não era o seu destino.
Leva algum tempo, mas você vai ficar bem;
Um outro bom momento está prestes a começar."
(Tradução livre de On The Way Home, John Mayer)

22/08/2013

Backstreet Boys: In A world Like This Tour

Backstreet's back!

Depois de acalmar a histeria, chegou a hora de contar como o show em si aconteceu. Decidi mostrar como funciona o cronograma quando se compra o pacote VIP porque antes de fazê-lo eu procurei informações, mas só encontrei um blog de uma Americana contando como foi a experiência dela em 2011. Ajudou para que eu pudesse manter a calma, mas pelo que ela descreveu e pelo que eu presenciei, à cada turnê acontece uma experiência diferente ao conhecer os rapazes.

Em primeiro lugar, todas as fotos podem ser vistas no meu álbum do Facebook (tem muitas do AJ, muitas mesmo - podem me julgar) e abaixo está o vídeo que fiz com o resumo da passagem de som e do show. Não consegui gravar o momento das perguntas e respostas (estava passada demais para prestar atenção em qualquer coisa que não fossem meus amados), e também não gravei todas as músicas (e as que gravei foram só trechos), porque é claro que eu estava mais preocupada em cantar e dançar do que em registrar tudo. Não me arrependo.


Pacote VIP Gold: $350.00
  • Encontro individual
  • Foto individual
  • Entrada antecipada no local
  • Acesso antecipado ao estande de merchandising
  • Passagem de som / Perguntas e Respostas
  • Um crachá VIP comemorativo
  • Um ano de assinatura do Fã Clube BSB.com
Ingresso, área em frente ao palco: $150
Total: $500

Um dia antes recebi um email com algumas informações, dentre elas de que o check-in deveria ser feito as 3:15 da tarde. Por conta do trânsito, chegamos no local por volta das 3:40. O estacionamento estava aberto somente para quem tinha algum pacote VIP. Eu e minha amiga Boliviana fomos as últimas a chegarem. Uma pessoa da equipe nos reuniou a um pequeno grupo que chegou poucos minutos antes de nós, e nos levou até a frente do palco, onde nos juntamos aos demais. Fomos posicionados em pé em frente ao palco, divididos em fileiras de acordo com o pacote que tínhamos. Platinium na primeira fila, Gold na segunda, Silver na terceira, e por fim Bronze. Mesmo chegando atrasadas, fomos colocadas na segunda fileira.

Em frente ao palco, durante a passagem de som.


Os Backstreet Boys foram entrando no palco um a um, dirigindo-se até a frente (a parte estreita atrás de mim na foto acima) para nos cumprimentar, falar um pouco sobre a passagem de som, etc. Assim que todos estavam no palco, Nick pegou um violão e eles cantaram a primeira música (Trust Me, minha favorita do álbum novo). Depois se posicionaram no palco principal, pegaram seus instrumentos já previamente posicionados no local, e cantaram mais três músicas, sem banda: 10,000 Promises, Madeleine, e Quit Playing Games (With My Heart). Estas músicas foram surpresa para mim, porque eu havia visto a setlist do show, mas não havia procurado saber quais eles cantariam na passagem de som.

Respondendo algumas perguntas.


Depois disso foi hora de fazer perguntas. Quem quisesse, deveria erguer o braço, e uma pessoa da equipe iria até lá com o microfone. Eu entendi todas as perguntas e respostas na hora, mas me lembro vagamente do que foi dito (era muita emoção para conseguir me concentrar). Uma pergunta que me lembro foi sobre a moda dos anos 90 e o que eles se arrependem de terem usado, ou sentem vergonha hoje, e a outra foi sobre o apoio ao casamento gay através do clip da música In A World Like This (foi a pergunta/resposta mais aplaudida). Entretanto, a minha mente seletiva se recorda da pergunta mais divertida, a qual foi sobre que nome eles adotariam se fossem strippers (alguma boa alma fez este vídeo). AJ escolheu "Bomb Dang". Howie, "Speed Gonzales". Kevin disse "Long John", mas quando fez seu movimento sexy, AJ disse que aquilo estava mais para "The Helicopter". Brian disse que não iria fugir da realidade, e que então seria "The Rock". Nick escolheu "Blonde Dong", os outros choraram de rir, e o AJ disse que ele deveria usar "Nick, the Dick". Eles não eram assim quando eu tinha 13 anos...

Em seguida, eles agradeceram pela nossa presença, desceram do palco e se posicionaram para o Meet & Greet. Mais uma vez os seguranças nos organizaram em filas de acordo com os pacotes, mas o pessoal que possuía o Bronze foi retirado porque opacote deles acabava ali (não dava direito nem a conhecer os rapazes). Primeiro foram as pessoas do pacote Silver, as quais tinham direito de cumprimentá-los em grupo, assim como tirar uma foto em grupo. Depois fomos nós, do pacote Gold. Um segurança liberava uma pessoa de cada vez para cumprimentá-los, depois todos se posicionavam para a foto (havia um fotógrafo, e todas as fotos são publicadas no site deles, onde podemos fazer download do arquivo original), e ao sair nos foi entregue uma foto autografada. Tudo é muito rápido, não há tempo suficiente para dizer muitas coisas a eles. Por último foi o pessoal do pacote Platinium, mas não tenho muita certeza como funcionou a foto ou o encontro. Ouvi dizer que eles tinham direito à tal "green room", a qual eu fiquei sem saber o que significa, ou quanto tempo os fãs passam com eles.


Backstreet Boys


Todo o processo levou por volta de duas horas. A espera pela foto foi breve, porque não havia muita gente ali. Como já estávamos dentro do local do show (é como se fosse um estádio específico para shows, com palco e assentos permanentes), poderímos comprar algo na barraca de merchandising (camiseta, poster, etc) sem filas - eu não comprei nada. Em seguida formou-se a fila para voltarmos ao local do palco, desta vez para nos posicionarmos em nossos lugares de acordo com o ingresso. Quando eu e minha amiga entramos já havia uma fileira de pessoas em pé de frente para o palco, e acabamos ficando atrás delas, porém bem no centro do palco. Chegamos ali por volta das 6:30. Às 7:00 o Brian entrou no palco com seu filho, o qual cantou duas músicas. Por volta das 7:15, DJ PaulyD subiu ao palco; às 8:00 foi a vez de Jesse McCartney; e, finalmente às 9:00, começou o show dos Backstreet Boys.

SETLIST
  1. The Call
  2. Don't Want You Back
  3. Incomplete
  4. Permanent Stain
  5. All I Have To Give
  6. As Long As You Love Me
  7. Show 'Em (What You're Made Of)
  8. Show Me The Meaning Of Being Lonely
  9. Breathe
  10. I'll Never Break Your Heart
  11. We've Got It Goin' On
  12. 10,000 Promises - Acoustic
  13. Madeleine - Acoustic
  14. Quit Playing Games (With My Heart) - Acoustic
  15. The One
  16. Love Somebody
  17. More Than That
  18. In A World Like This
  19. I Want It That Way
  20. Everybody (Backstreet's Back)
  21. Larger Than Life

O show é muito agitado, eles dançam o tempo todo (mantiveram praticamente as mesmas coreografias dos anos 90), andam pelo palco inteiro, estendem as mãos para as fãs mais próximas, e a transição entre uma música e outra é bastante rápida, ou seja, o público não passa quase nem um minuto sem música ou sem os meninos no palco. Durante a troca de roupa são exibidos vídeos deles no telão ao fundo do palco. No primeiro, eles interagem explicando para o público que durante a troca de roupa o vídeo que será exibido traz algumas perguntas e respostas. É um vídeo bem descontraído, em que eles foram perguntados coisas do tipo "quem é o mais estiloso?", "quem é o mais brincalhão?", "quem é o mais sexy?", "quem dança melhor?", e por aí vai. O segundo vídeo, é o teaser do filme sobre a carreira deles. Achei que essa jogada fez com que houvesse transparência entre ídolo e fã. Não existe mágica, não é só apagar as luzes e eles aparecerem de repente com outro visual. Sem contar que deixou todo mundo ansioso pela estreia do documentário.

No decorrer do show, entre algumas músicas, eles conversam com o público, cada um tendo o seu momento para falar um pouco sobre a turnê, e especialmente o Kevin para falar sobre a sua volta. Durante as músicas acústicas, que acontecem pouco depois da metade do show, os fãs que possuíam o pacote VIP Platinium subiram ao palco, posicionando-se sentados em uma mini-arquibancada atrás dos meninos. Depois disso voltam para o formato original, cantam mais algumas músicas, e praticamente terminam o show com Everybody (foi aí que a mulher à minha frente saiu, tive a chance de finalmente ficar na grade e pude tocar a mão do AJ quando ele a estendeu), mas voltam ao palco em seguida e aí sim encerram o show com Larger Than Life. Fazem os cumprimentos finais, agradecem, e fim.

Momento acústico, com fãs ao fundo.


Enfim, valeu muito a pena, desde a passagem de som até o final do show. Antes de comprar o pacote, fiquei em dúvida entre o Silver e o Gold, porque havia uma diferença de $100 entre eles, mas como seria a primeira vez em que eu os veria, decidi pelo Gold porque queria ter a oportunidade de cumprimentá-los sozinha, assim como tirar a foto somente com eles, e não com um grupo de fãs. Entretanto, eu não compraria o pacote maior, Platinium, o qual custava $600. Subir no palco deve ser muito bacana, mas o que mais me importava era mesmo o momento em que eu iria conhecê-los, e isso era comum entre três pacotes citados.

Saímos do local por volta das 11:30, ou seja, passamos quase 8 horas em pé, entre um acontecimento e outro, mas foi tudo muito válido. Tudo mesmo! Foi uma experiência incrível, o show foi lindo, me diverti como se tivesse 15 anos novamente, e realizei um sonho. Admito que este é o show mais caro que eu já fui aqui nos EUA, mas não me arrependo. Cada centavo foi muito bem aproveitado. Sinceramente, eu faria tudo outra vez. :)

20/08/2013

O dia em que me permiti ser adolescente outra vez

Brian, Howie, Kevin, AJ, e Nick. Sim, são eles, os Backstreet Boys!

Quem me conhece desde o início da minha adolescência sabe que eu cultivo um amor platônico por cinco garotos, hoje homens, chamados de Backstreet Boys. Durante algum tempo, quando um deles deixou a banda e tantas outras coisas aconteceram, eu acabei deixando um pouco de lado e também foi a época em que tive contato com o Punk Rock e o Hard Core, mas assim que os rumores sobre a volta dos Backstreet Boys vieram à tona, meu amor por eles despertou novamente.

É impossível dizer em poucas palavras, mas vou tentar resumir minha história com eles.

Ao entrar na quinta série do Ensino Fundamental tudo mudaria na minha vida. Eu teria diversos professores, um para cada assunto, incluindo a língua Inglesa. Eu nunca havia estudado um idioma estrangeiro e estava ansiosa, embora um pouco amedrontada, por finalmente ter essa oportunidade. Mas como nem tudo são flores, me lembro como se fosse hoje o dia em que eu falhei miseravelmente na minha primeira avaliação de Inglês.

Foi aí que os Backstreet Boys apareceram na minha vida, acredito eu (não sou boa em guardar datas). Em 1996, estimo eu, três anos após eles iniciarem a carreira, eu acabei conhecendo o trabalho deles. Era tudo o que uma menina de prestes à entrar para a adolescência precisa para ter sua atenção atraída: 5 garotos harmoniosamente atraentes, cada um em sua particularidade, cantando músicas sobre amores infinitos e fazendo dancinhas coreografadas. Eles eram praticamente a versão Americana do grupo Dominó, este que foi sucesso nos anos 80 e que provavelmente chamou a atenção da sua mãe. Na verdade, há fundamento: os Backstreet Boys tiveram influência de Boys II Men e New Kids On The Block, boybands as quais certamente influenciaram não só eles, mas muitos outros artistas da cena Pop.

Eu fui me interessando cada vez mais por eles. De cara me apaixonei pelo AJ McLean, o cara estranho, magrelo, com alguns piercings e tatuagens, com cara de mau, destonando dos outros os quais fazem mais o estilo de bom moço. Entretanto, apreciar a beleza de cada um já não estava mais sendo suficiente. Eu queria entender o que eles cantavam, o que eles falavam nos shows entre uma música e outra. Pronto, estava feita a combinação perfeita: eu precisava aprender Inglês por conta da escola, e eles eram o meu melhor incentivo!

Com o aprendizado do idioma, surgiu meu sonho impossível: vir para os EUA e, quem sabe, conhecer os Backstreet Boys. Mas, ah, é sonho de adolescente, que nunca vai acontecer...

Lembro que os CDs deles que tenho foram praticamente todos presentes que ganhei da minha família. Em um aniversário, ganhei o CD Millenium de uma tia da minha mãe. Estava na casa da minha avó, quando a mesma veio me trazer o pacotinho que a tia havia deixado lá pra ela me entregar. Quando abri e vi o que era, sai correndo, pulando, gritando pela casa, procurando o telefone pra ligar pra ela e agradecer histericamente. Foi a cena mais deliciosa da minha vida, quase tão parecida com a reação do menino do Nintendo 64.

Traduzi músicas, assisti milhares de vezes a shows gravados, comprei VHS de uma edição da revista Capricho especial deles, da época da música Everybody, com making off de alguns clips. Assistia com legenda, tentava aprender palavras novas, chegava a decorar falas... Enlouquecia com os amigos do condomínio que também gostavam de artistas Pop, principalmente com a Thalita, que não só gravava entrevistas e shows, e fazia cópias, como também tinha uma facilidade incrível para aprender os passos de dança das músicas e de ensinar. Foi aí que surgiu o meu apelido "Backs", numa tentativa do pessoal de diminuir a palavra Backstreet. Que adolescente não gosta de ter um apelido com o qual se identifica? Eu era a Backs, a fanática pelos "meninos da rua de trás", a menina que sonhava em um dia conhecer os EUA e em assistir à um show deles. Ah, sonhos!

Assim fui crescendo e me interessando cada vez mais não só pela banda, mas como também construí um carinho especial pelo idioma, pela cultura Americana. Procurava aprender tudo o que podia. Estudei muito sozinha, e tenho orgulho do nível que consegui, embora morar nos EUA tenha sido a chave para finalmente adquirir fluência.

Se hoje estou nos EUA e falo Inglês confiantemnte, foi por influência deles. E já que essa minha loucura começou com eles, nada mais justo do que terminar com eles e, assim, fechar um dos ciclos da minha vida.

Quando vim para os EUA, em 2011, estava marcado o cruzeiro deles, sem o Kevin, para Bahamas. Como isso aconteceria um ou dois meses depois da minha chegada, decidi não ir por inúmeros motivos. No começo de 2012 fiquei esperando que anunciassem novamente, até que para a minha surpresa o cruzeiro havia sido cancelado para aquele ano. Mas então em 2013 primeiro surgiu a notícia de que Kevin estaria de volta, depois de sete anos, e que eles iriam se reunir novamente, com projeto de novo álbum, nova turnê e também o cruzeiro, desta vez para celebrar os 20 anos de carreira. O cruzeiro eu já havia descartado, desta vez porque está previsto para Outubro, logo após terminar o meu segundo ano de intercâmbio, ou seja, com os documentos para vencerem eu não posso sair do país e voltar. Missão cruzeiro abortada, foi então que anunciaram a turnê, começando pelo Japão. Alguns meses depois, minha amiga Boliviana me liga dizendo que eles haviam anunciado show em Virginia Beach, aproximadamente 4 horas de distância daqui. Não pensei duas vezes e disse a ela que estaríamos juntas nessa.

Contamos os dias para que os ingressos começassem a serem vendidos. No dia anunciado, estávamos com o site aberto e conversando pelo chat do Facebook. A ansiedade era imensa, porque os ingressos estavam se esgotando em poucas horas na maioria dos shows. Ela foi mais rápida que eu, e comprou logo nossos ingressos. Com ingressos garantidos em Maio, e o show marcado para Agosto, então era a minha vez de reservar o hotel para o final de semana em que viajaríamos.

Foram 3 meses de muita ansiedade. Nesse intervalo também aconteceu meu aniversário, desculpa perfeita para comprar o CD deles que seria lançado no final de Julho. No final de Junho, foi anunciada a pré-venda do combo de CD + Pôster, o qual seria impresso com os nomes dos fãs que comprassem em pré-venda e preenchessem a requisição. Comprei, claro. Já estava feliz da vida, aguardando meus presentes chegarem, e esperando pelo dia do show, quando me dei conta de que no site deles são vendidos pacotes VIP, para serem adquiridos como complemento do ingresso, e que cada um deles dava direito a participar de diferentes ocasiões antes do show. Foi aí que eu me deparei com o pacote Gold, o qual dava o direito de assistir à passagem de som, de cumprimentá-los individualmente, e de tirar uma foto individual.

Minha cabeça explodiu! Me dei conta de que meu sonho antigo não era impossível. A oportunidade de conhecê-los existe, e só estava a um cartão de crédito de distância de mim.

Durante dias pensei a respeito. Cheguei a sonhar que havia conhecido eles, e que perguntava ao AJ se eu podia beijar o rosto dele para tirar foto. Loucura! Fiz as contas, achei caro. Calculei mais uma vez, e considerei. Não dormi por dias. Postei no Facebook sobre o pacote, pra ver o que as pessoas diriam. Todos me incentivaram, principalmente a "galera do condô", aquela que morava na mesma vizinhança e que me conhece desde adolescente. Perguntei ao meu irmão, e é claro que ele também me incentivou. Não dormi por noites.

Até que disse a mim mesma que eu merecia. Meu intercâmbio acaba em breve, e uma oportunidade dessa eu não teria no Brasil. Eletrônicos, livros, roupas, tudo isso compra-se a qualquer hora, em qualquer lugar. A oportunidade de conhecer um ídolo, só acontece uma vez. Foi então que parei de pensar e comprei logo o pacote Gold. Deixei de comprar objetos, para comprar um momento.

Contei pro meu irmão, pros meus pais, para as amigas, para o Facebook, para o Twitter, para o Instagram, para o Thorn (o lagarto de estimação aqui da casa), para Deus e o mundo. Eu queria sair correndo e gritando pela casa, derramando felicidade por todo canto.

Poster com nomes de fãs, foto autografada, ingresso do show, crachá VIP, e o novo álbum.


Mais espera, mais noites sem dormir, até que o grande dia chegou!

Uma viagem que deveria ter levado três horas e meia, nos colocou em seis horas e meia de infinita estrada. Chegamos atrasadas, corremos, tomamos chuva, mas por sorte não perdemos nada! Fizemos o check-in, recebemos o crachá, e uma pessoa nos levou até a frente do palco, ainda vazio.

Toda a magia começou por volta das 16 horas. Primeiro assistimos à passagem de som. A cada um que vinha até a frente do palco, meu coração saltava. Sentia o choro querer aparecer, mas logo se transformava em sorriso. Ri das piadas deles, fiquei olhando cada um boquiaberta, cantei as músicas, dancei, fotografei. Não parecia real, e ao mesmo tempo parecia que estávamos assistindo a um show privado. Bom, três músicas ao vivo e sem banda, para mim, é muito mas que um show. Ainda no palco, eles responderam algumas perguntas, e foi o momento mais gostoso, porque ali eu os vi como pessoas, não como artistas. Eles fizeram piada um do outro, riram, foram eles mesmos.

E então foi a hora de cumprimentá-los e tirar a tal foto. Eles desceram do palco e ficaram ali do lado. Os seguranças nos organizaram em filas, de acordo com o pacote VIP de cada grupo, e assim aconteceu. Eu estava ansiosa, mas com um bom auto-controle. Quando chegou a minha vez, andei até o Brian. Disse que era um prazer conhecê-lo, ele respondeu sorrindo, e o abracei. Quando fui cumprimentar o Howie, eu disse que era para eles me desculparem, mas como sou do Brasil e Brasileiros abraçam independente da situação, então eu iria abraçá-los. Nisso o Howie disse "Uau, do Brasil?", abriu um sorriso e me abraçou. Logo em seguida estava o Kevin, o único que não me abraçou, mas me estendeu a mão e, olhando nos meus olhos, disse "hello", e "prazer em conhecê-la". Olhei pro lado, e vi o AJ, que estava vindo para me abraçar pela direita. Neste mesmo momento, veio o Nick pela esquerda, e me deu um meio-abraço, afinal eu estava com a mão direita na cintura do AJ, para abraçá-lo, e colocando o braço esquerdo por cima do ombro do Nick para também abraçá-lo. Acabou sendo um duplo meio abraço. Interessante. Me posicionei em frente ao AJ, dei um abraço, e quando soltei perguntei a ele se eu poderia ficar do lado dele para a foto. Sem hesitar, ele respondeu "É claro!" e colocou o braço por trás de mim, pela cintura. Automaticamente deslizei meu braço por baixo do dele, e o abracei na cintura. Ouvi os outros se movimentando para se posicionarem também, mas não prestei atenção em quem estava do meu lado. Todos sorrimos, *click*  e a foto estava feita! Soltei o AJ, olhei pros dois lados, dizendo "Thank you, guys!". Ao caminhar para a saída, um outro segurança me entregou uma foto dos cinco, autografada (de verdade) por todos eles.

Foi aí que a mágica realmente aconteceu. Foi no momento de cumprimentá-los que eu finalmente transformei eles em pessoas reais, não mais artistas inatingíveis. Como já estou aqui há quase dois anos, e conheci muita gente, eu já sabia "como um Americano se parece", e eles são como todos os outros Americanos. Brian e Howie têm quase a minha altura (e a da maioria dos Americanos). Aliás, Howie é o cara feliz 100% do tempo, estampa o sorriso no rosto e não tira mais. Brian é brincalhão e um amor de pessoa. Kevin veste camiseta lisa por baixo da camisa, e combina com short (como já vi muitos homens usarem por aqui). Nick tem o jeito do típico Americano que passou dos 30, mas que ainda tem cara de moleque e divide apartamento com amigos. AJ (ah, o AJ!) é exatamente como eu imaginava que ele seria, daqueles que por trás das tatuagens e da cara de mau, cultiva um sorriso lindo e um coração enorme.

Meu mundo parou quando abracei o AJ, principalmente para a foto. Ter meu braço envolvendo sua cintura, sentindo a camiseta dele no meu braço, sentir o braço dele na minha cintura, sentir que ele realmente estava presente ali, foi a sensação mais inexplicável a qual eu já senti. Ter ele ali do meu lado, ver que ele é real, e que ele atendeu ao meu pedido de ficar ao seu lado sem hesitar, fez com que meu amor por ele se tornasse muito mais sublime. É impossível explicar o porquê deste gesto ter sido tão especial. Acontece que aqui as pessoas são distantes, não gostam de contato com o corpo alheio, apertam a mão de qualquer jeito, não abraçam se não têm intimidade com você. E de repente eu estava ali, abraçada à pessoa que por toda a minha vida me pareceu ser tão inatingível, tão irreal. Para ele, era só mais uma fã. Para mim, era o meu ídolo se transformando em ser humano concreto.

Foi tudo muito rápido, passível de ser perdido em um piscar de olhos. Entretanto, tudo o que aquele encontro representou para mim não cabe em um segundo. Tudo ali foi muito mais além do tempo. Sai dali realizada e plenamente feliz, principalemente porque consegui falar com eles, fui capaz de me comunicar no idioma deles em uma fluência surpreendente, sem precisar pensar no que eu ia falar, sem procurar por palavras, sem ensaiar. Tudo o que eu disse saiu tão naturalmente quanto se eu tivesse dito em Português. Senti orgulho de mim. Muito orgulho.

Depois de toda a trajetória, era hora de esperar pelo show. Como já estávamos dentro do local onde era o show, tínhamos permissão para ir para nossos lugares antes de os portões abrirem para o público geral. Minha amiga e eu corremos para a frente do palco, onde já havia algumas pessoas. Ficamos atrás das meninas que tinham o VIP Platium, o qual dava o direito a subirem no palco durante algumas músicas. Tive a visão perfeita de tudo, estava em frente ao palco bem no meio do mesmo. Mas o legal é que o palco não era simplesmente um tablado reto. Do palco principal ainda saia uma extensão em forma de T, onde as laterais eram reservadas para o pessoal que comprou um outro tipo de ingresso (Fan Pit), e a parte de cima do T era onde começava a nossa área (General Admission). Atrás de nós começavam as cadeiras numeradas.

Por ter ficado em frente ao palco eu pude ver detalhes que nunca me dei conta que estavam ali, afinal eu tinha essa imagem de que artistas são pessoas inalcansáveis e que eu sempre os veria de longe. Os meninos andavam pelo T e se posicionavam na extremidade em frente a gente, entre nós e o pessoal dividido pelo corredor que forma a haste do T. Me peguei olhando os sapatos, as calças, cintos (ou a falta deles), os detalhes dos ternos, as tatuagens, os músculos do pescoço tensionadas, as luzes passando pela barba, observar o suor no cabelo e no rosto, perceber o quão brilhantes são os olhos deles. Durante a passagem de som, o AJ disse que estava doente e pediu desculpas caso a voz dele falhasse, mas ali durante o show ele estava dando o melhor de si, dançando com uma energia incrível, levando as músicas com aquela voz que eu tanto gosto de ouvir. Inacreditável!

Em se falando de dançar, antes de o show começar eu conheci Kristina, uma Americana vinda da Carolina do Norte para vê-los novamente depois de 8 anos. Eu a conheci porque ela estava tentando tirar foto do palco, e esbarrou no meu ombro. Quando ela pediu desculpa ("sorry" é quase um bordão aqui), eu olhei pra ela e disse que não havia sido nada. Eu estava tão feliz por ter acabado de conhecer os rapazes, que eu estava puro amor e toda sorridente, e com a empolgação comecei a conversar com ela. Ela me disse que na última vez que os viu, ela estava grávida de cinco meses, e que descobriu onde eles estavam hospedados e fez plantão na frente. Nisso, ela conseguiu o autógrafo do AJ, do Howie e do Nick, mas ficou faltando o do Brian e do Kevin, e ela havia levado a camiseta neste show para tentar pedir a eles que autografassem. Na mesma hora eu dei um passo pro lado e chamei ela pra ficar do meu lado, mais perto do palco. Eu já havia abraçado eles, e deixar com que ela pudesse também conseguir o que lhe faltava, era uma gentileza e um prazer ajudá-la. Dito e feito! Ela conseguiu o autografo dos dois, um de cada vez em diferentes músicas. Eles ajoelharam na frente dela, pegaram a camiseta e autografaram. Ela gritava de felicidade, e essa cena me encheu de felicidade também. Durante o show fizemos gestos e dancinhas nas músicas com coreografia, tanto antes do show enquanto rolavam músicas aleatórias dos álbuns (como Hey Mr DJ), quanto durante o show, gritamos o tal "tara ta ta" que eles costumavam gritar em We've Got It Going On nos anos 90. Me diverti como se a conhecesse há anos.

Durante o show, tentava me dividir entre fazer algumas fotos, filmar alguns trechos, cantar as músicas, dançar, olhar cada um. Aliás, não é nada fácil prestar atenção em cinco pessoas dançando, cantando, correndo no palco, fazendo graça ao mesmo tempo. Era um misto de euforia com percepção da realidade. Às vezes me ocorriam uns estalos, do tipo "hey, Aline, isso tudo é real". Eles não estavam em uma tela de TV ou em um vídeo do Youtube. Eles estavam no palco, bem ali na minha frente, em pessoa. Surreal.

Lembra daquele grito histérico que aconteceu há muitos anos quando ganhei um CD? Ele se repetiu neste sábado, quando o AJ tocou a minha mão durante a última música, Larger Than Life, logo após eu chamar o nome dele e tentar gritar um "love you", o qual ele provavelmente nao ouviu. Não há música mais perfeita para isso acontecer, já que ela foi escrita para nós, fãs. Foi o gesto certeiro para fechar aquela jornada, para eu ter certeza que meu sonho foi completamente realizado. E a Kristine, a qual mencionei há pouco, assim que viu o que aconteceu, também vibrou comigo assim como quando ela conseguiu os autógrafos. Foi delicioso dividir tanta emoção com pessoas desconhecidas, mas que compartilhavam do mesmo amor.



Agora, com a sua licença, vou ali deitar na minha cama, no silêncio das luzes apagadas, vou fechar meus olhos e me lembrar de cada detalhe que aconteceu neste último sábado, cada palavra, cada gesto, cada música, como seu eu houvesse gravado tudo com os meus olhos e agora pudesse reproduzir como um filme particular. :)