30 de out de 2011

Primeiras impressões sobre idioma e comportamento

Neste post não falarei sobre o programa de au pair em si. Quero falar sobre mim. O que já senti aqui e o que eu acho importante ter em mente antes de deixar o seu país. Quero repetir este tipo de post em alguns meses, para ver o que mudou.

O imprevisto que aconteceu com a minha conexão em Lima, Peru, foi a primeira coisa que poderia ter sido ruim, mas que consegui transformar em uma experiência positiva.

Ainda no aeroporto eu precisei entender o problema, pedir informações, me certificar de que estava segura, conversar com a escola para combinar a minha chegada e avisar meus pais.

O mais importante foi me acalmar antes de ligar para qualquer telefone. No aeroporto mesmo, um funcionário me tranquilizou e, até pegar as malas, eu já estava conversando com eles e sorrindo. Quando cheguei no hotel, pude fazer os telefonemas necessários com calma e foi tudo resolvido.

Nesta experiência eu percebi o quão importe é estar calma e saber um segundo idioma. Já fica aqui uma dica: se quer ser au pair, estude! Imprevistos acontecem e em muitas situações você estará sozinha e não terá tempo de usar dicionário.

Já nos EUA, me deparei com diferentes sotaques do mundo todo! Consegui entender tudo, mas requer mais atenção enquanto a pessoa está falando. Olhar para o rosto da pessoa ajuda muito, além de isso ser um gesto educado.

Você vai querer estar com as pessoas do seu país, sim, e vocês ficarão juntos na maior parte do tempo. Porém, quando eu preciseva de ajuda, para usar a internet ou saber a voltagem das tomadas, por exemplo, eu perguntava a qualquer au pair que não fosse brasileira, exatamente para aprender a seguir instruções, perguntar, explicar o que preciso.

No tour em NYC precisei de ajuda para sair do Rockafeller Center. Estava andando com as brasileiras, mas elas seguiram o fluxo e acabamos no metrô.

Me separei delas sem medo, pois lá dentro é cheio de seguranças e no andar em que estava havia muitas lojas. Eu poderia perguntar direções tanto para os seguranças quanto para os lojistas. No meio do caminho, encontrei as colombianas e foi ótimo, porque precisei explicar o que queria. Depois pedi ajuda aos seguranças e pronto. Nada de pânico e em minutos eu já estava fora do prédio.

O que eu quero dizer com isso é: nunca dependa de outra pessoa, nem fique somente com grupos da mesma nacionalidade que você. Querendo ou não, você só vai usar a sua Língua Materna entre eles, e quando você usar Inglês, sempre terá um para te responder no seu idioma, porque é mais fácil. Não tenha medo de estar sozinho, muito menos de falar com pessoas de outras nacionalidades. Em Inglês, todo mundo se entende! E se estiver em grupo, tome iniciativas ou então toda situação vira um looping de um perguntando para o outro e todo mundo dizendo que não sabe o que fazer. Autonomia e liderança são duas coisas importantíssimas. Se você não tem, desenvolva.

Sobre comportamento, especialmente a respeito das comidas, as brasileiras reclamaram a semana toda. Uma não tomou café no último dia porque não gostou nem do pão. Pois é, aqui não tem filãozinho! rs

Na nossa zona de conforto nós temos tudo aquilo que estamos acostumados a ter há anos. Tudo é familiar, temos nossas preferências e achamos tudo normal. Aliás, achamos que, por ser nomal para nós, o mundo todo tem que ter os mesmos costumes. Ops, ledo engano!

Por que uma pessoa decide fazer um intercâmbio? Por que uma pessoa decide deixar o seu país por livre e espontânea vontade? Por que escolher um lugar tão oposto ao seu país de origem?

Eu escolhi fazer intercâmbio porque queria experimentar uma cultura diferente da minha, com um idioma vindo de outra origem que não o Latim, com um clima que nunca verei no meu país e costumes os quais ainda não possuo. Vale a pena lutar tanto para chegar aqui e continuar vivendo como no Brasil? Não.

Saudade de casa eu vou sentir e comparações são inevitáveis, mas querer que tudo aqui seja igual ao que tive durante 26 anos em casa é ficar preso àquilo que deixei para trás exatamente para experimentar algo novo.

Portanto, me diverti em todas as refeições. Foi super bacana chegar e perguntar ao funcionário o que tínhamos no dia para o cardápio. Se eu ia gostar ou não, já era outra história! Só na quinta que não peguei peixe no jantar, porque eu realmente não como nenhum tipo. Nas outras refeições, experimentei de tudo um pouco. Até na salada eu me arrisquei!

Ter ovos mexidos, bacon ou sausage, e suco de laranja no café da manhã é super diferente para mim, mas é preciso entender que isso é uma questão de costume para eles. Eles não usam sal na comida e isso não é ruim, é apenas diferente. O arroz que comi esta semana não estava ruim, estava diferente daquele que estou acostumada. O gosto é outro, mas não é ruim. Tenho certeza que daqui alguns meses estarei acostumada ao novo paladar.

Nada impede de eu preparar um super jantar brasileiro, comida bem tempeirada, e minha host não gostar. Afinal, não faz parte do costume dela, e isso não quer dizer que a nossa comida é ruim. É muito importante entender a diferença entre ser ruim e ser diferente. As mexicanas levaram balas apmentadas que elas adoram, faz parte do paladar delas, mas que todo mundo achou estranho. São ruins? Não. São apenas diferentes dos demais.

Dizer que só no Brasil sabe-se fazer café ou qualquer outra coisa, é uma hipocrisia sem tamanho! Aliás, meus pais conheceram um italiano no clube onde acampam. Mamãe fez café e ele experimentou, disse até que era o primeiro café que estava tomando no Brasil. Ele também disse a ela que o café na Italia é mais forte. Ele achou ruim? Não, só diferente.

Reclamar que aqui é de um jeito, e dizer que no Brasil é de outro, não vai matar fome nem resolver problema. Se você optou por estar fora da sua zona de conforto, permita-se fazer parte desta nova vida. Assim você se ocupa com novas experiências e a saudade de casa fica bem mais maleável.

Aqui na casa da host family, minha host me pergunta o tempo todo o que estou acostumada a fazer ou a comer no Brasil e ela se preocupa em ter coisas parecidas. Eu já falei para ela relaxar, porque estou aqui para aprender e experimentar. E é claro que ela já me disse para ficar à vontade e cozinhar algo brasileiro qualquer dia, que eles vão adorar experimentar também.

Outro ponto interessante que percebi na semana de treinamento é que, por diversas vezes, me vi nas outras meninas. Eu sou a mais velha das brasileiras e isso me fez observar bastante o comportamento delas. Percebi que meus pais tinham razão quando me diziam que ainda não era hora de viajar. Se eu tivesse vindo logo aos 19 anos, eu já teria me desesperado muito com as situações que passei, porque não saberia lidar com elas e nem saberia me expressar em Inglês como sei hoje, e o meu ano só está começando!

Então fica aqui de dica: não saia de casa por birra ou porque você acha que seus pais não te entendem. Eles te entendem tão bem, que sabem até quando será o melhor momento para você passar por uma mudanca drástica em sua vida. Claro que cada um amadurece ao seu tempo, uns mais cedo e outros mais tarde, mas se os pais não tivessem importância em nossa vida, seríamos todos sozinhos e não faríamos parte de uma família.

Outra dica é: open your mind! Antes de arrumar as malas, esta é a primeira coisa que você precisa fazer. Aceite as diferencas, esteja disposto a experimentar. O que ficou no Brasil estará lá quando você voltar, então não precisa carregar com você o tempo todo. Permita-se a conhecer o novo, saia da zona de conforto. Só assim você irá aproveitar seu intercâmbio ao máximo!

E por último, mais uma: estude o idioma oficial do país para o qual você está indo. Aquilo que você aprende em sala de aula é muito importante, mas na prática você terá muito mais desafios, e serão eles que lhe farão ter aquela sensação de poder ter o que quer. ;)

Um comentário:

  1. Olaaa conheci seu blog agora e ja fui ler vários posts hehe. adorei como vc conta sua experiencia e td mais. virei aqui sempre pra ler o que vc posta. e te desejo td de bom aí! bjs

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