11 de jan de 2012

Aleatoriedades sobre a vida de Au Pair

A vida de Au Pair não é fácil. Ela é simples, mas longe de ser fácil. Imagine deixar para trás uma vida inteira e começar do zero. É como pegar uma peça de um quebra-cabeça e colocar em outro. Às vezes encaixa, às vezes não. E quando não encaixa é hora de aparar as arestas e repensar a solução, pois desistir não é uma opção.

Comecei o post com tom de desabafo, mas não é isso que vim fazer aqui hoje. Claro que já tive dias menos prazerosos que outros, mas ainda não é motivo para desabafar ou reclamar. Hoje eu quero falar sobre aqueles pequenos detalhes que, quando você menos espera, aparecem e te fazem derreter.

Já disse anteriormente e volto a dizer. A Au Pair não é, e nunca será, parte da família. Por mais que a host family te dê a oportunidade de participar da vida em família, você ainda será aquela pessoa que está ali para cuidar dos filhos. Porém, isso não é tão triste quanto pode parecer. Há muitas coisas que fazem todo este conjunto ser uma experiência bem interessante.

Dia após dia você vai descobrir coisas novas. Vai aprender que as crianças mudam de ideia e que você precisa ser flexível para conseguir acompanhá-las. Passa a entender que, por mais que você explique para a criança que ela está errada, ela vai continuar cometendo alguns dos erros novamente, afinal eles estão crescendo e começando a assimilar o que é certo ou errado. Você também vai passar a aceitar que um dia não é igual ao outro. Se o dia começou ótimo não significa que irá terminar assim. E vice-versa!

Hoje meu dia começou como qualquer outro. Assustei com o despertador, como toda manhã, enrolei os famosos cinco minutos a mais e "parti pra briga", como diz o Joel. Me arrumei, subi para a cozinha, tomei meu café. Coloquei as torradas das crianças na torradeira e subi para acordá-los.

A rotina da manhã é assim: acorda a mais velha. Acorda a mais nova e separa a roupa que ela vai vestir. Acorda o mais novo, convence ele que tem escola e separa a roupa que ele vai vestir. Checa o quarto da mais nova - ela já está se arrumando - e a lembra de descer para a cozinha em seguida. Volta no quarto da mais velha, acorda denovo e diz que ela já dormiu cinco minutos a mais. Olha para trás, e lá está o pequeno te seguindo.

Hoje foi diferente. Quando subi para o quarto da mais velha, vi a luz do quarto do pequeno acesa. Quando ele ouviu a minha voz, veio correndo para o quarto da mais velha, gritando "Aliiiiiiiiiine!". E então me ajudou a acordar as irmãs. Por último, se vestiu e ainda assim foi o primeiro a descer na cozinha.

Ontem ele foi outra gracinha. Quando fui acordá-lo, ele estava morrendo de sono. Perguntei se ele queria dormir um pouco mais, e deixei. Porém, as ouvir as irmãs acordadas, ele também levantou e se arrumou. Foi o último a descer na cozinha. Quando chegou, me disse "Aliiiiine, desculpa o atraso. Eu estava me arrumando!" Morri de fofura! ;)

Falo bastante do pequeno porque passo mais tempo com ele, e ele é realmente o meu xodó! Por ter cinco anos, ele está naquela fase em que quer fazer tudo sozinho e não quer ter ninguém no comando. Às vezes eu deixo, pra ele ver que precisa de ajuda, e no final das contas ele me olha com olhar arrependido e me pede para ajudá-lo. Não faço por maldade, faço para ele testar a ele mesmo e entender que, às vezes, ele vai precisar da minha ajuda.

Isso acontecia bastante na hora do banho. Ele corria pro banheiro e dizia que podia tomar banho sozinho. Realmente ele sabe fazer sozinho, mas como ele toma banho de banheira, eu fico no banheiro para evitar que qualquer acidente possa acontecer. Mas é claro que ele sempre me diz para sair, que ele pode tomar banho sozinho, e aí lá vou eu, com muita paciência, explicar por que é melhor que eu esteja ali. Às vezes deixo uma fresta da porta aberta, e fico de olho. Entretanto, outro dia ele me pediu para ficar ali cuidando dele, enquanto ele estava na banheira. Aos poucos você percebe que a criança assimila algumas coisas e passa a te ouvir.

Outro exemplo é quando coloco ele de descanso (aqui se chama "time out"). Quando ele não me obedece, ou não se comporta bem, eu falo para ele vou contar até três e ele vai pro descanso. Às vezes basta contar só o um, e ele já vira outro menino. Às vezes ele me desafia e vai para o descanso. A mesma coisa quando estamos na rua. Se ele me desobedece, eu digo que vai ficar de descanso ao chegar em casa, e coloco mesmo. Cinco minutinhos no quarto, "pensando no que fez", e tudo bem. E o lado bom: a minha host apoia e nunca tira a minha autoridade na frente dele em situações assim. E o engraçado é que há alguns dias ele começou a me perguntar se ia ficar de descanso só de ver o meu olhar, ou quando eu repito para ele o que eu o pedi para fazer. Ele odeia o tal "time out", como qualquer criança, e está começando a entender que essa é a punição que ele vai receber se não me respeitar.

Outra coisa que funciona bastante é desarmar ele. Quando ele me pergunta por que eu fico olhando pra ele, eu digo que é porque eu gosto dele e de ver o que ele está fazendo. Quando ele faz algo engraçado e eu dou risada, ele odeia e me pergunta se eu gostaria se ele fizesse o mesmo, aí eu digo que, se eu fiz algo engraçado sem perceber, ele pode rir porque eu também vou acabar rindo de mim mesma. Quando ele me diz que me odeia, eu sorrio e digo "azar o seu, porque eu te amo!" e aí ele pensa por alguns segundos e volta a ser o menino doce que me respeita.

Por que estou falando tudo isso? Porque hoje, quando deixei ele na escola, uma das funcionárias veio buscá-lo na carro e me disse, baixinho, que ele fez algo para mim e que estará na mochila dele. Terminou me dizendo "ele realmente te ama!", e isso me fez pensar, no caminho de volta para casa, em tudo o que eu tenho feito para conquistá-lo e percebi que, aos poucos, eu estou conseguindo.

Conquistar uma criança é algo que exige empenho diariamente, sem esperar nada em troca, porque quando a recompensa aparecer, seu coração vai derreter e você vai desmontar, e vai querer apertá-lo e enche-lo de beijos. Aí você o faz e imediatamente lembra que ele odeia beijos, e então começa todo o ciclo de novo! ;)

5 comentários:

  1. Faça o favor de voltar aqui e mostrar oq ele fez pra vc, que eu fiquei curiosa ! =) hehehe
    Beijoca !

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  2. Isso aí aplicando as técnicas da supernanny rsrs to brincando. Eu acho que conquistar uma criança é o ápice, pq se elas não vão com a sua cara, não vão mesmo, são sinceras e nunca vão te aturar. Mas se elas gostam de voce,elas vão te recompensar e logico que vão ser chatinhas de vez em quando, mas como dizem, se uma criança gosta de você é pq vc realmente é especial, pis eles ão as pessoas mais sinceras do mundo. bjos e boa sorte.

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  3. oi Aline, sou prof e babá em S.P e há uma semana achei seu blog quando procurava uma agência. A partir de então cada dia quando meu baby dorme leio um pouco dos seus posts e tenho q falar que muitas vezes choro. rsrs. Gostaria de tê-la no msn pra tirar algumas dúvidas.
    me add lah. please: mimikarolyne@hotmail.com
    kisses
    Michelly Karolyne

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  4. Aline, que LINDO !
    Sou uma futura Au Pair e ja trabalho com crianças a algum tempo!
    O que vc descreveu foi PERFEITO ! LINDO !!!
    Parabéns, e que vc continue amando sua vida de Au Pair !!!
    Bjos

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