16 de ago de 2012

Sobre ausência em datas comemorativas

Tive muita sorte em ter vindo para os EUA em Outubro. Consegui comemorar os aniversários dos meus pais, meu irmão, cunhada, e o meu, claro, com eles ainda no Brasil. Também comemorei Dia das Mães, Dia dos Pais, Páscoa etc.. A única comemoração deixada de lado foi o Natal, mas, por outro lado, será a primeira data que comemorarei com todo mundo junto assim que voltar.

O primeiro feriado que comemorei aqui, com a host family, foi o Thanksgiving. Foi super programa de família, e na hora da ceia todos nós dissemos por que somos gratos a algo em nossa vida. Eu gostei bastante e quero passar com eles este ano, novamente.

Já o Natal não me causou muita homesick. Eu tive companhia de Brasileiros e até que foi interessante, apesar de que meu desejo era de ter participado de uma ceia de Natal bem Americana (quem sabe este ano?), afinal estou nos EUA e não no Brasil. Tenho curiosidade, oras! Porém, a minha host family não comemora o Natal, mas sim o Hanukkah, o qual passei com eles, realmente para ver como seria.

Depois veio a Páscoa, e mais uma vez não é um feriado comemorado pela minha host family. Eles comemoram o Passover e me convidaram para participar, mas como minhas amigas estavam sozinhas, preferi sair com elas na sexta-feira ("santa", para os católicos). Foi tranquilo, mas quando passei pela sala e vi a família reunida, me senti um pouco só. Me deu saudade de passar estas datas com a minha família no Brasil, principalmente por saber que, naquele mesmo momento, eles estavam reunidos, neste caso aguardando as comemorações do domingo.

A homesick passou, e então veio o Dia das Mães, no mesmo dia aqui e no Brasil. Por mais que eu e minha mãe nos falemos muito por email, Twitter e até telefone, naquele dia eu quis estar com ela. Quis muito ter um abraço, que não veio. Foi estranho. Para melhorar minha saudade, no dia 14 de Maio é o aniversário do meu pai, e neste ano o Dia das Mães caiu bem no dia 13, ou seja, minha família toda comemorando duas datas, e eu aqui, ausente fisicamente. De qualquer forma, vê-los pelo Skype ou falar com eles pelo telefone ajudou a amenizar.

No terceiro domingo de Junho é quando comemora-se o Dia dos Pais aqui nos EUA. Neste quesito papai levou vantagem, porque ganhou parabéns duas vezes neste ano! Entretanto, foi um feriado que me derrubou um pouco. As crianças foram para a casa do pai, e para onde quer que eu olhasse, tudo estava decorado com o tema. Liguei para o meu pai, para dar os parabéns, e mais uma vez consegui driblar a saudade.

Em Julho aconteceu o aniversário da minha avó, e o meu. Essa data foi bem fofa! Eles reservaram uma mesa em um restaurante que eles adoram, e levaram o laptop e o modem 3G, só para poderem cantar parabéns para nós duas juntas! Eu amei! Foi lindo ver que eles levaram os gadgets com eles, e não se importaram nem um pouco se as pessoas ao redor iriam achar estranha aquela cena. Foi lindo ver a minha avó usando o Skype pela primeira vez, e ela se emocionar. Eu me senti muito querida por ter tido todo mundo junto no meu aniversário, mesmo que através da Internet. Para completar, mamãe me ligou no dia mesmo do meu aniversário, e passamos um bom tempo fofocando, como sempre fazíamos.

Não me lembro ao certo a data, mas ainda antes do meu aniversário meu irmão ficou noivo! Meus pais me contaram por email, meu irmão e minha cunhada trocaram o status do Facebook, e vi a aliança no dia do aniversário à distância. Minha vontade era pular no pescoço dele e da minha cunhada, dar um beijo em cada um, e desejar que eles continuem fortes e felizes juntos. Farei isso quando voltar! E já puxei a orelha dos dois, para só casarem depois que eu voltar, porque eu quero pegar o buquê! hehe

Agora em Agosto aconteceu o último feriado, o Dia dos Pais no Brasil. Mais uma vez a minha família se reuniu por lá, para comemorar, e levaram o laptop para poderem falar comigo. Fui para uma Starbucks (porque a casa aqui estava lotada, com as crianças e os avós, então seria difícil conseguir um pouco de silêncio para passar um tempo com meu pai), peguei um café, e abri o Skype. Vi meus pais, conversamos um pouco, vi os amigos deles e tudo mais. Dei parabéns para o meu pai, e disse que estava com saudade. Só que aí o coração apertou. Do lado de cá, e do lado de lá também. Ficamos calados, por alguns poucos segundos. Segurei as lágrimas, confesso. Como é difícil ficar longe do meu pai! (Mãe, não fique com ciúmes. Também é difícil ficar sem você! hehe). Foi ele quem me abraçou quando tive um visto negado e me disse "Tenta como au pair, mais uma vez. Você não pode desistir do seu sonho!". Eu nunca me esqueço do abraço dele no aeroporto, seguido da frase "vai em frente, chegou a hora de você realizar seu sonho".

Eu sinto muita falta da minha família, mas ao mesmo tempo também gosto muito da minha vida aqui. Chego a sonhar com eles, várias noites. Prefiro acreditar que estes sonhos são quando vou visitá-los em algum plano espiritual (sem dramas, não vou falar de religião), pois consigo sentir o abraço, ouvir a voz. É tudo muito palpável!

Enfim, são nestas datas em que o coração aperta e faz a gente ter vontade de voltar, mas ao mesmo tempo são também elas que mostram o quanto somos fortes e conseguimos lidar com tudo isso, tanto do lado de cá quanto do lado de lá. A distância foi boa para nós, nos mostrou o quanto somos unidos. Eu acho que precisávamos passar por isso, para percebermos que nós somos perfeitos um para o outro, e que juntos conseguimos ser mais que uma família, somos amigos, trabalhamos em equipe para juntos fazermos com que tudo dê certo.

Amo vocês, família!

2 comentários:

  1. Que post bonito!!
    Acho que feriados são um assunto delicado pra quem vive longe, é a hora que ficamos mais frágeis. Mas você tem uma família que te apoia muito como deu pra perceber, eles te ajudam a amenizar uma dor de saudade que poderia ser maior.
    Parabéns pela família!!

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    1. Feriados são delicados. =)
      Obrigada pelas palavras! Minha família sempre está comigo, mesmo distante. Sem o apoio deles, eu não teria saído nem do meu quarto. rs

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