3 de out de 2012

Ele fez meu dia, sem ao menos saber

Foi um dia comum, daqueles com o cronograma apertado durante o dia, mas com a noite livre.

Eu precisava ajeitar as sobrancelhas. Nada demais, algo corriqueiro, mas que não consigo fazer se não for com aquela técnica da linha, a qual eu encontro em quiosques pelo shopping.

Minha intenção, ao ir até lá, era somente esta. Faria o que era necessário, e voltaria para casa. Engano meu! Ir ao shopping é sempre uma armadilha. Aliás, hoje eu havia decidido andar prestando atenção ao meu redor, em vez de gastar meu tempo olhando para o celular, e foi isso que fiz.

Andei sem rumo, entrei em algumas lojas. Comprei duas calças, andei mais um pouco, e quando passei em frente à Vans, resolvi entrar e conferir os lançamentos para o Outono.

"- Bem vinda à Vans! Meu nome é Gabriel, e estou aqui para lhe ajudar. Caso esteja procurando algo específico, ou precise de ajuda, por favor, me chame.", disse o vendedor simpático, assim que coloquei meus pés na loja.

Sem hesitar, olhei para ele, sorri e agradeci. Disse que gostaria de ver os tênis, e ele me conduziu até o final da loja, onde os sapatos ficam expostos na parede. Me mostrou os modelos novos, os clássicos, e me deixou à vontade para continuar olhando.

Minutos depois, ele retornou. Peguntei se eu poderia experimentar um modelo. Ele, o tempo todo sorridente, questionou se eu queria ver algum outro modelo. Disse que não, e aguardei.

Enquanto eu experimentava, ele me perguntou de onde sou. E então começamos a conversar. Ele, filho de militar, me contou sobre sua vida, de onde é, onde já morou, quais lugares gostaria de conhecer. Me perguntou várias coisas sobre o Brasil, me falou daquilo que sabe, quis saber de algumas diferenças.

Entre perguntas e uma conversa amigável, ainda experimentei outros dois modelos de tênis. É claro que acabei levando o primeiro que havia gostado, mas nunca é demais experimentar, para tirar da dúvida.

Devo ter gasto uns bons quarenta minutos na loja. Por algum motivo, eu não queria sair de lá. Queria continuar conversando, rindo, sabendo das diferenças, ouvindo outras experiências. Por um instante, me senti diante de um diálogo daqueles que fazem você pensar que em breve acontecerá novamente.

"- O que você vai fazer quando voltar para o Brasil?"
"- Provavelmente retornar ao meu antigo trabalho."
"- O que você fazia lá?"
"- Eu era Desenvolvedora Web."
"- Uau! Eu também sou do pessoal do software. Na verdade, eu derrubo sites em vez de criá-los."
"- Então você é daquele grupo o qual torna difícil o meu trabalho!"
"- É pra isso que hackers servem, não? Mas eu quero trabalhar na parte de segurança."
"- Segurança da Informação é uma área fantástica! Quisera eu ser destemida assim..."
"- Meu sonho é trabalhar para o governo Americano, investigando redes, computadores..."
"- Eu imagino! E você tem conhecimento de programas de estágio nesta área?"
"- Você está estudando? Tem que estudar! As empresas aqui sempre procuram estudantes. E você ainda está em vantagem, por ser estrangeira. Eles adoram pessoas fluentes em outras línguas, porque há sempre muitas viagens e é necessário ter conhecimento multinacional."
"- Poxa, que bacana! Não fazia ideia..."

Deixei da loja quando a mesma já estava quase para fechar.

Saldo da noite: um sneaker novo, uma lista de empresas de tecnologia, e um sorriso no rosto. 

Gabriel, o vendedor comunicativo e dono de um nome fácil de ser memorizado, fez minha noite valer o dia cansativo, me fez sorrir e me sentir bem, pelo simples fato de usar seu tempo para conversar comigo, sobre qualquer coisa. 



2 comentários:

  1. Acabei de ver seu vídeo junto ao realidade americana do Carlinhos Troll. Vocês estão de parabéns!!!

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