30 de set de 2012

Pensamentos de fim de noite...

Um dia você decide prestar mais atenção em seu coração, e percebe que ele se transformou em um personagem complexo. Para entendê-lo, não se deve olhar somente a superfície. É necessário ter paciência e coragem para ir fundo, pouco a pouco.

Ele é seu, e tão somente seu, que você o conhece por completo, canto a canto, como ninguém. Você sabe onde estão todas as feridas, cada uma delas. Só você é capaz de enxergar aquelas que já foram curadas, e aquelas que se tornaram cicatrizes. Ninguém melhor que você sabe quanto espaço ainda sobra para ser preenchido.

Aqueles que lhe amam, verdadeiramente, também conhecem este seu personagem. Talvez não tão detalhadamente quanto você, mas são estes os que sabem ser pacientes e nunca lhe deixam, quando o seu coração se vê diante de uma dúvida, uma dor, uma decisão, uma felicidade...

Somente estes sabem compreender cada estágio do seu coração, quando você se vê frente a tantas mudanças e adaptações na sua vida. Estes são capazes de, em um olhar, lhe dizerem que tudo vai ficar bem. Eles não precisam sequer se esforçarem para lhe mostrarem que estão ao seu lado. Eles simplesmente estão, e você sabe exatamente quem são.

De repente você também se dá conta de que aqueles que um dia machucaram seu coração são os mesmos que nunca foram pacientes o suficiente para irem além da superfície. Talvez por medo, ou talvez por estarem ocupados demais. O fato é que todo coração merece dedicação, e somente aqueles que o fizeram pelo seu próprio personagem, estão aptos a acolherem corações alheios, entregando a cada um a atenção que merecem.

Este personagem, o qual segue vivendo em sua batida compassada, é digno de ser carregado com as duas mãos, em forma de concha, e ser aconchegado próximo ao peito, para que receba calor na medida certa, e desfrute do conforto almejado.

27 de set de 2012

E então onze meses se passaram

Hoje tive um insight. Daqueles que me deixam muda, olhando para o nada, de boca aberta, tentando digerir meus próprios pensamentos. Ter pego aquele voo, no dia 23 de Outubro de 2011, foi como apertar o botão de start de um jogo o qual nem eu mesma sabia como terminaria. Se é que terminaria...

Em um minuto éramos eu e minha família nos despedindo. No instante seguinte, éramos seis meninas frente ao portão de embarque, ansiosas, com vidas tão distintas, mas com o mesmo objetivo. Algumas horas depois, era eu, sozinha, em um quarto de hotel qualquer, em Lima/Peru. Horas à frente, éramos eu e mais um Brasileiro, rumo ao treinamento, com um dia de atraso. Durante uma semana, éramos dezenas de intercambistas, vindos de muitos países diferentes, aguardando pelo dia em que nossa vida como Au Pair começaria, ao sermos entregues às nossas host families.

Hoje, onze meses depois, todos nós estamos quase chegando ao final de um mesmo ciclo, mas cada um de uma maneira diferente. Temos histórias distintas para contar. Fomos surpreendidos diversas vezes pelo destino. Construímos, cada um, uma nova vida.

Neste meu primeiro ano, muita coisa me aconteceu. Foi um processo de transição, pelo qual eu nunca havia passado. Aqui, me tornei "filha" de pais separados. Ganhei três irmão mais novos, e estamos, juntos, ganhando um padrasto. Mudamos de casa, de escola, de rotnia. Aprendi a ser forte como um pai, e doce como uma mãe, sem ter meus próprios filhos. Me descobri uma ótima cozinheira, diga-se de passagem. Vi a mais velha ter sua primeira espinha. Estou acompanhando o pequeno na perda do seu primeiro dente. Incentivei a mais nova a deixar de roer as unhas, o que lhe fez ganhar Thorn, o lagarto de estimação.

Por algum motivo, que nem eu sei qual é, hoje eu resolvi olhar um pouco para o que se tornou a vida de cada Brasileiro que veio comigo. Uma, decidiu voltar no final do primeiro ano. Outro, está se mudando para NY e vai deixar de ser Au Pair. Outra, está grávida. As demais estão estendendo para o segundo ano, assim como eu.

Fiquei impressionada ao perceber como um mesmo começo nos reservou finais tão diferentes. Será que tínhamos ideia do que aconteceria com a gente? Será que cada um de nós está seguindo aquilo que tínhamos em mente antes de sairmos do Brasil? Ou será que todos nós fomos surpreendidos no meio do caminho?

Eu me sinto feliz ao olhar para tudo o que me aconteceu neste ano, e para o que sou hoje. Espero que cada um deles também tenha este mesmo sentimento, e que estejam todos realizados com as escolhas que fizeram.

E agora, o que mais nos espera? :)

20 de set de 2012

Sobre os $500 para estudar

Mais um vídeo no estilo vlog, desta vez falando sobre a bolsa de estudo de $500 que nós, Au Pairs, temos direito durante o programa.

Até mais!


18 de set de 2012

Entrevista para o Realidade Americana

Mesmo antes de vir (ou decidir vir) para os EUA, eu conheci o Realidade Americana, um canal no Youtube onde o Carlinhos conta sobre a vida dele aqui. Gostei desde o princípio, pois ele mostra qual é a realidade dele aqui, como é a vida Americana sob a visão dele.

Através do canal, ele começou a entrevistar Brasileiros que moram aqui, para que mais pessoas pudessem expôr sua Realidade Americana. Com isso, me coloquei à disposição para ser entrevistada, e neste final de semana gravamos a tal entrevista.

Eu gostei muito de conversar com ele. Dentre os Brasileiros que moram aqui há anos e que já tive contato, ele é um dos que tem minha admiração. Um cara muito bacana, apesar de troll, e que faz um trabalho muito legal com o seu canal.

Com a autorização dele, deixo aqui o vídeo. Quem quiser ver os outros vídeos dele, vai lá pro canal Realidade Americana, que tem muita informação pra quem tem curiosidade sobre a vida do lado de cá.

Até mais!


16 de set de 2012

DC 101 Kerfuffle 2012 - The Offspring & Sublime

Jiffy Lube Live, Bristow/VA
Mais um final de semana de Rock 'n' Roll, baby!

Desta vez fomos novamente ao Jiffy Lube Live, em Bristow/VA, para conferir o show do The Offspring, uma das primeiras bandas de Rock que tive contato na adolescência. Inacreditável ver mais um ídolo ao vivo!

O Kerfuffle foi um festival organizado e realizado pela rádio DC 101, o qual contou com 6 bandas no total: Dead Sara, Foxy Shazam, Anberlin, Garbage, Sublime With Rome, e The Offspring.

Ficamos na lawn section, ou seja, no gramado ao fundo do estádio. Levamos nossos blankets, alguns snacks, e curtimos as primeiras bandas no melhor estilo americano. Quando Sublime subiu ao palco, deixamos nossos pertences de lado e aproveitamos pra pular e cantar muito. Quando, enfim, The Offspring começou, logo em seguida, fomos ao delírio!

Até mais! o/


Podem me chamar de boba, mas adoro estar em lugares próximos ao aeroporto! :)

Isabela, Eu, e Marion

DC 101 Kerfuffle 2012, eu fui! haha

Anoitecendo...

Sublime no palco

The Offspring!




13 de set de 2012

Gourmet Talk: Chicken Pie

Antes que haja algum comentário pelo fato de eu escrever o título em Inglês, quero deixar claro que faço isso porque nós, Au Pairs, vivemos com Americanos, e quando cozinhamos eles sempre querem saber o nome do prato, principalmente se for algo Brasileiro. Desta forma eu espero estar ajudando outras meninas, porque muitas vezes não há tradução, e eu acabo explicando para a minha host como fiz, ela pensa em algo parecido em Inglês, e assim a gente chega a um "nome".

Aqui em casa não há muita variação de carnes. Minha host só compra peito de frango desossado, e carne de peru moída. Carne (vermelha) moída ela só compra quando quer fazer Tacos. Portanto, toda vez que preciso cozinhar, tenho que pensar em algo diferente, porque aqui eles não gostam de repetir refeições.

Esta semana fiz uma torta de frango por dois motivos: era a carne que tinha na geladeira, e as crianças são obcecadas por tortas. Não sei o motivo, mas a mais velha idolatra tortas. Vai entender...

Para a massa, segui esta receita, sem adaptações. O trançado, segui o passo a passo desta receita, porque foi a primeira vez que fiz. Para o recheio, fiz um refogado de peito de frango, com brócolis e cenoura. Não segui receita alguma, mas vou deixar aqui o que usei e como fiz.

É uma receita trabalhosa, sim, mas o resultado é muito bom e serve de 5 a 6 pessoas tranquilamente.

Chicken Pie
CHICKEN PIE

Ingredientes

Massa:
2 1/2 xícaras de farinha de trigo
1 xícara (2 barras ou 8oz) de manteiga sem sal, gelada, cortada em cubos
1 colher de chá de sal
1 colher de chá de açúcar
6 a 8 colheres de sopa de água gelada

Recheio:
500 g (aproximadamente 1 lb) de peito de frango cozido e desfiado
1 lata de massa de tomate
3 colheres de farinha de trigo
Leite (o suficiente para dissolver o trigo)
Cenouras cozidas e cortadas em cubos
Brócolis levemente cozido
Manteiga e alho para refogar

Ingredientes para a massa
Ingredientes para o recheio

Modo de Preparo

Massa:
Dica: coloque a manteiga, já cortada em cubos, no freezer por pelo menos 1 hora antes de começar a preparar a massa.
Em um processador de alimentos, junte a farinha, o sal e o açúcar. Use o modo "pulsar" para misturar. Adicione a manteiga e continue "pulsando" por 6 ou 8 minutos, até que a mistura apresente pedacinhos de manteiga, do tamanho de ervilhas. Adicione a água, uma colher por vez, ainda pulsando, até que a mistura comece a se juntar. Quando você beliscar a massa e ela se juntar, está no ponto de amassar. Se não, adicione um pouco mais de água, aos poucos.

Despeje a mistura em uma base limpa. Misture para que as partículas se juntem. Você pode usar a palma das mãos para amassar um pouco, juntando tudo melhor. Pequeninos grãos de manteiga ainda devem ser vistos, mesmo com a massa já amassada. Separe a massa em dois discos, envolva em plástico filme cada um separadamente e leve à geladeira por pelo menos 1 hora. Pode ser armazenada assim por até 2 dias.

Recheio:

Em uma panela, refogue o alho na manteiga. Em seguida acrescente o frango, já desfiado. Deixe dourar levemente. Acrescente a cenoura, o brócolis e a massa de tomate. Se a mistura estiver muito seca, adicione leite aos poucos. Por último, adicione a farinha de trigo dissolvida em leite. Mexa até que o refogado obtenha consistência cremosa. Reserve.

Montagem:

Antes de usá-la, a massa deve descansar pelo menos 10 minutos fora da geladeira, para obter temperatuda ambiente. Abra um dos discos, utilizando um rolo, e cuidadosamente cubra o fundo e as laterais de uma assadeira redonda, de preferência com fundo removível. Despeje o recheio, já frio. Abra o segundo disco, utilizando um rolo, e cubra a torta. Caso cubra somente com a massa aberta, faça alguns cortes na mesma, para que o vapor possa sair durante o cozimento no forno. Caso opte por outra forma de cobertura, pode ser feito u trançado, como a minha.

Bata uma gema de ovo, utilizando um garfo, e pincele toda a cobertura da torta. Leve ao forno, pré-aquecido em 180C (350F), por 30 a 40 minutos. Cheque regularmente, para confirmar o cozimento. Desenforme e sirva.

Chicken Pie
Vocabulário

Forma de fundo removível: spring form pan
Massa de tomate: tomato paste
Processador de alimentos: food processor

12 de set de 2012

Brazil Day DC 2012

Eu, Gwen (França), Saki (Japão), Isabela, Mascote (Pelé?), Bruna, Glaucia, Marion (França), Monique.

No último domingo, 9 de Setembro, aconteceu o Brazil Day DC em DC, um evento organizado pelo Consulado Brasileiro de Washington DC e também pela comunidade brasileira que vive aqui na região, e realizado através de doações.

Eu não sabia que este dia existia aqui, mas acabei conhecendo através de um flyer que peguei no mercado de produtos brasileiros, o European Foods. Como o evento aconteceu logo após o feriado da Independência, é claro que fiquei super curiosa para saber do que se tratava!

E lá fomos nós, as Au Pairs Brasileiras, acompanhadas de duas amigas Francesas e uma Japonesa. Todas se jogaram nas dancinhas, sem exceção. Tanto, que a Marion, uma das Francesas, acabou aprendendo até a cantar "Ai, Se Eu Te Pego"!

Como sempre, fiz vários vídeos durante o dia, e compilei todos em um só, para ficar na lembrança.


O evento estava previsto para começar às 11 da manhã. Chegamos pontualmente no local, o The Yards Park, que fica próximo ao estádio de Baseball do Washington Nationals. Tudo foi muito bem organizado, barracas de produtos Brasileiros, como camisas, bandeira e artesanato. Também haviam barracas de comidas típicas, como churrasco, coxinha, pastel, brigadeiro, cachorro quente, e até açaí.

Eu só consegui comer o churrasco, logo que chegamos, que estava sendo vendido em um "pacote" com feijoada, arroz branco, farofa e salada. A fila em todas as barracas ficou muito grande com o passar do tempo, e acabamos desistindo de esperar mais de uma hora de baixo de sol só para comer coxinha. Ah! E na barraca do brigadeiro não havia fila, então acabei me rendendo ao tal "brigadeiro gourmet", o qual eu não sabia que agora é "moda" no Brasil. Porém, no geral, trocamos as comidinhas pelas dancinhas.

Sim, passamos o dia inteiro dançando! Seja na frente do palco, seja num lugar à sombra. Só sei que não dava para ficar parada! Até na fila para comprar água a gente acabava remexendo os quadris!

Aconteceram diversas apresentações, todas mostrando um pouco da cultura Brasileira. Teve Samba, Chorinho, Axé, MPB, Samba Reggae, Bloco-Afro, Capoeira, e, claro, as famosas "Ai Se Eu Te Pego" e "Eu Quero Tchu Eu Quero Tcha". Não tem como negar que estas últimas fazem a alegria da galera. Expressem a cultura ou não, o importante é que elas fazem todo mundo dançar e se divertir!

Havia também uma tenda do Consulado Brasileiro, atendendo o pessoal para tirar dúvidas e até mesmo para agilizar serviços, como renovação de passaporte e registro de nascimento. Achei isso bem legal!

Foi um dia lindo, todo perfeito! Foi como se um pedaço do Brasil estivesse visitando os EUA. Nada de tumulto, nada de empurra-empurra, nada de confusão. Todo mundo ali só tinha um propósito: matar a saudade de casa! Brasileiros e Americanos em um só lugar, compartilhando um cultura tão distinta.

Sou suspeita para fazer qualquer elogio ao evento. O mais interessante foi ver pessoas de outras nacionalidades tendo contato com diversas formas de expressão da nossa cultura. Tanto as Francesas, quanto a Japonesa, adoraram a Feijoada, e foram contagiadas pelo balanço das músicas, não conseguiram parar de se remexerem um só segundo!

Depois de um dia tão gostoso como este, mal posso esperar para estar de volta ao evento, no próximo ano!

Paradinha no estádio do Nationals só para gritar um "GO, NATS!" antes do jogo.

Oi, sou Brasileira.

Potomac River

Barraquinhas com artigos e comidas típicas.

Marion, a Francesa de alma Brasileira. :)

Pausa para se refrescar...

Porque a gente não conseguia parar de dançar "Ai, Se Eu Te Pego"! 

Pose na fonte, oe!

Um Sambinha, de leve...

Batucada (e Americanas sem gingado)

A Americana que canta MPB. E sem sotaque!

Paranauê... Paranauê, paraná!

Os gringo pira!

11 de set de 2012

Sobre adquirir hábitos Americanos

Ontem fui ao mercado, à noite, só para comprar chocolate para mim, e algumas poucas coisas para a casa. Estava "vestida de au pair", afinal havia acabado de trabalhar e de jantar, ainda não havia ido ao meu quarto tomar banho, descansar, bla bla bla... Saí como estava, com o cabelo preso em um coque desajeitado. Cheguei a postar esta foto no Instagram, com a mesma legenda:

Você percebe que "americanizou" quando:
está em casa com o cabelo assim e sai pra ir ao mercado do mesmo jeito.

Os Brasileiros que moram (ou moraram) aqui entenderam. Os que moram no Brasil, nem tanto. Quem saiu do interior de SP e foi para a capital, também entendeu.

Quando você sai de uma cidade bastante conservadora, você estranha muito a forma como as pessoas se comportam aqui nos EUA. Aliás, sair do interior e ir para São Paulo já é um grande choque cultural, porque lá as pessoas têm um perfil mais liberal, não se importam muito como serão vistas, e muito menos como as outras pessoas se vestem. Só não descobri ainda se em São Paulo as pessoas também vão ao Walmart vestindo pijamas e Crocs!

Eu sempre fui muito tímida. Nunca usei mini saia, nunca sai de casa com o cabelo bagunçado, nunca fui a um barzinho sem estar bem maquiada e bem vestida. Cheguei a ser mal atendida em loja "chique" porque não estava de salto alto. Tudo isso, lá no Brasil. Aqui, a vida ficou muito mais simples e tudo mudou!

A minha intenção, quando postei a foto, era mostrar que o tempo faz com que você se acostume com o que acontece aqui, a ponto de tornar isso parte de você também, pelo simples motivo de que você entende que ninguém julga ninguém, e todo mundo se sente bem sendo o que realmente é!

Era muito estranho comer pizza com as mãos, por exemplo. Hoje já acho isso tão prático! Chegar no restaurante Chinês e pedir garfo e faca não é motivo para as pessoas te olharem torto. Na minha cidade natal, por exemplo, isso provavelmente causaria uma reação do tipo "nossa, como assim ela vai a um restaurante Chinês e nem sabe usar chopsticks?" Não sei usar mesmo, ué! E qual é o problema? Vou deixar de comer por isso? Ir ao mercado vestindo calça jeans e Havaianas poderia ser visto como outra heresia, na minha cidade. Aqui, o pessoal sai de calça de moletom, chinelo, blusa de frio (três números maior que o manequim da pessoa), cabelo de qualquer jeito, e ninguém fica olhando com expressão de estranheza.

Não estou aqui querendo dizer que os Americanos estão certos, e que precisamos ser relaxados e deixar de cuidar de nós mesmos, até porque é lógico que eu me arrumo para sair nas noites do final de semana (e não dispenso a mini saia). O fato é que a vida fica tão mais simples quando você se vê livre de julgamentos, que você passa a sentir-se bem com aquilo que você é de verdade. Você perde o receio de mostrar quem você é. Você não muda, só coloca para fora aquilo que ficava escondido porque tinha medo dos dedos apontados em sua direção.

Esta é a melhor parte da adaptação ao estilo de vida do lado de cá. E isso me faz tão bem!

8 de set de 2012

No pain, no gain!

"Darkness cannot drive out darkness, only light can do that.
Hate cannot drive out hate, only love can do that."
(Dr. Martin Luther King Jr.)

Comecei este blog há algum tempo. No início era só um lugar para os meus devaneios, pois sempre gostei de escrever. Nunca busquei visualizações, seguidores, repercussão. Sou até tímida demais para lidar com exposição.


Quando me tornei Au Pair, voltei o blog totalmente a este universo, baseada em três propósitos: guardar todas as lembranças boas para mim; mostrar aos meus pais como anda a vida do lado de cá; e ajudar futuras Au Pairs, já que eu também li muitos blogs antes de ser mais uma.

Com o tempo percebi que muitas meninas acabam encontrando meu blog quando pesquisam sobre o programa de intercâmbio. Recebo algumas mensagens por Facebook, ainda que poucas, com dúvidas, e sempre tento esclarecer o máximo que posso. Dia desses uma menina me mandou uma mensagem dizendo que nunca me viu postar sobre problemas, ou dificuldades que já passei por aqui. Eu não sou de escrever posts negativos, apesar de já ter feito um bastante triste sobre solidão, mas o fato é que eu realmente não tenho problemas aqui que interfiram na minha vida, ou que devam ser expostos.

Deixei passar, mas outro dia me deparei com alguns comentários em um grupo de Au Pairs brasileiras no Facebook. Uma menina reclamava de ter que ajudar as crianças com a lição de casa, e ainda achava um absurdo as escolas aqui, mesmo as públicas, terem uma série de regras a serem seguidas no que refere ao lanche que você manda para a criança. Achei um pouco absurda a reclamação, mas acabei comentando que os alimentos enviados para o lanche das crianças são restritos pelo fato de muitas possuirem alergias, principalmente ao amendoim, e que crianças dividem seus lanches, então não há como você controlar que a sua criança vai comer, necessariamente, só o que você coloca na lancheira.

A discussão foi por água abaixo, ela se encheu de contradição, e quando argumentei que para ser Au Pair a gente precisa prezar pela saúde das crianças, pois temos aqui vidas sob nossa responsabilidade, ela tentou me ridicularizar, me chamando de "au pair de ouro", como se eu fosse a mais perfeita, a que sabe tudo e que nunca erra. Para acabar logo com qualquer dor de cabeça, eu saí do grupo, pois aquela não era a primeira reclamação sem nexo que eu via, e nem seria a última. Ler aquele grupo sempre me causava mal estar, simplesmente porque não me encaixo naquele perfil reclamão.

Isso me fez pensar sobre que imagem eu tenho passado a respeito do programa de Au Pair, e me deixou um pouco preocupada. Será que estou mostrando coisas boas demais e fazendo esta vida parecer um conto de fadas?

O fato é que sou uma pessoa positiva, nunca pessimista. Não entrarei em discussão religiosa, mas venho de uma doutrina onde nós agradecemos por aquilo que foi alcançado, através do nosso próprio merecimento, e enfrentamos os desafios como forma de evolução. Sendo assim, procuro sempre olhar meus problemas de forma analítica, para que consiga superá-los e ainda aprender algo com isso.

Outro fator muito importante neste universo chamado Au Pair, é aprender a tolerar. Muitas vezes eu não concordo com alguma atitude, ou mesmo algo chega a me irritar um pouco, mas aí paro e penso melhor. Isso é realmente um problema, que eu preciso expor e discutir, ou posso somente tolerar, pois não afeta a minha vida?

Dito tudo isso, posso deixar alguns exemplos do que acontece na minha vida aqui, que eu não vejo como problema, mas que eu tenho certeza que outras meninas não teria esta mesma visão.

Vamos lá...

  • Às vezes minha host coloca a roupa dela para lavar, antes de sair para trabalhar, mas esquece de me avisar. Quando vou lavar as roupas das crianças, preciso tirar a roupa dela da máquina e colocar na secadora, depois coloco tudo em um cesto vazio e deixo na porta do quarto dela. Na primeira vez que isso aconteceu, ainda dobrei toda a roupa dela e deixei sobre sua cama. Quando ela chegou, agradeceu e disse que eu não precisava fazer isso, que era só colocar em um cesto e ela dobrava quando chegasse.
  • Depois que as aulas começaram, a mais velha pegou mania de chegar em casa e plugar o iPod no iHome, que fica na cozinha, e ficar por ali fazendo lição de casa, ou somente jogando no iPad, enquanto ouve as músicas dela. Na primeira vez, confesso que me irritou, mas antes de dizer qualquer coisa, eu ponderei, afinal, ela é quem está na própria casa, não eu. Eu estou aqui só de passagem, portanto não cabe a mim ditar regras.
  • Quando eu janto sozinha com as crianças, eles sabem como se comportar. O pequeno sempre faz graça, mas dou três chances de ele parar e comer a comida. Se ele não me obedece até a terceira, ou todos já terminaram de comer, então o jantar está finalizado e ele tem que ir para a cama. Quando a minha host está no comando, o jantar é uma bagunça! Ela deixa ele fazendo graça até ele perder a fome, mesmo depois de todo mundo já ter terminado até a sobremesa e terem tirado os pratos. Ela não dá um basta, não põe uma regra, simplesmente deixa o caos acontecendo.
  • Minha host está sempre atrasada para os compromissos dela, e agora com a responsabilidade de levar as crianças para a escola, ela anda mais enrolada ainda. Eu cumpro a minha parte. Começo às 7:00 e às 7:25 os três já estão prontos para sair, conforme combinamos desde o primeiro dia de aula. Ela sempre desce por volta das 7:30, já atrasada, gritando e apressando eles. É claro que o pequeno faz graça e a irrita ainda mais! Mas a minha parte já está feita, portanto...
  • Ir ao mercado com as três crianças pode ser um pesadelo! Eles ficam alucinados, correm, falam todos ao mesmo tempo, pedem isso, pedem aquilo, reclamam que é chato, reclamam que é frio perto das geladeiras, irritam um ao outro, correm de novo, gritam, o pequeno chora, a mais velha bate nele, a do meio não presta atenção por onde anda.. Um caos! Já cheguei a sentar no chão, do lado do carrinho de compras, e esperar que eles se comportassem - e funcionou, porque ficaram morrendo de vergonha da cena que eu estava causando. Eu deveria ganhar medalha de honra ao mérito por conseguir cumprir tal tarefa, porque nem minha host consegue ir às compras com os próprios filhos! E para terminar, se a pessoa do caixa supôr que sou a mãe e se despedir com um "Have a good day, mom!" após eu efetuar o pagamento, os três voltam e ainda corrigem "Ela não é nossa mãe. É nossa au pair!". Nem morro de vergonha, imagina...
  • As crianças acordam cheias de energia todo dia, falando, pulando, gritando, brincando. Eu nunca fui uma "morning person", e sempre acordo quieta. Nunca de mau humor, mas sempre calada. Sou daquelas que gosta de tomar o café da manhã em paz, sem ter que responder perguntas, sem barulho ao redor. Para conseguir isso, eu preciso ser a primeira a acordar, pois assim que uma das crianças acorda, acaba-se toda a paz da casa, portanto todo dia subo às 6:30 para ter minha meia hora de paz durante meu café, e poder então começar a trabalhar de bom humor, preparada para a bagunça que está por vir assim que eles saírem da cama.

Mas o que eu quero dizer com tudo isso? Simples: a minha vida, aqui, também tem seus defeitos, e só me resta decidir o que fazer com eles. Ou eu passo os dias reclamando destas coisas pequenas e fazendo com que se transformem em problemas insuportáveis, ou posso levar tudo isso numa boa, como parte do cotidiano de uma família normal. Se ser Au Pair é fazer parte da família, então isso também significa saber lidar com as diferenças e atitudes daqueles que a compõem.

Caso me perguntem se minha vida aqui é perfeita, eu direi que sim e sem hesitar, pois ela o é de acordo com a visão que eu tenho sobre o que é viver como Au Pair. Eu nunca imaginei que eu chegaria aqui para viver de férias, nem que todo dia seria só sorrisos. Esta foi a vida que escolhi, e eu já sabia de todos os poréns que eu poderia esperar. 

Quando só posto coisas positivas, viagens e finais de semana divertidos, é na intenção de mostrar que esta experiência pode - e deve - ser a melhor de uma vida toda. Não quero criar a ilusão de que ser Au Pair é ter uma vida cem por cento linear e serena, porque é uma vida como qualquer outra, de trabalho, esforço e recompensa. O que pretendo, ao expôr minha experiência, é mostrar que só depende da própria Au Pair fazer com que sua vida seja o mais perfeita possível, dentro daquilo que você quer para si.

Sem sacrifícios, não há vitória, baby! ;)

5 de set de 2012

Labor Day em Ocean City, MD

E lá se foi o último feriado ainda durante o verão! Agora os dias já começaram a escurecer mais cedo, e o calor já não bate mais os 40C. Pois é, o Outono está chegando!

Para comemorar a volta às aulas e a chegada do Outono, decidimos aproveitar nosso último final de semana longo e ir para a praia! Sim, lá fui eu para Ocean City, mais uma vez!

Hello from Ocean City!

Ocean City fica em Maryland (MD), aqui na costa leste dos EUA, e faz divisa com a Virginia (VA) e com District of Columbia (DC), que é a capital do país. De carro, a viagem leva cerca de quatro horas, saindo daqui de Ashburn. Na sexta as meninas dormiram em casa, e no sábado de manhã partimos para lá. Esta foi a segunda vez que dirigi até lá, e confesso que adoro!

Fiz um vídeo mostrando o caminho, e no final um pouco da praia. No domingo fomos presenteadas com golfinhos nadando e saltando pelo mar, bem perto de onde barcos e jet skis passavam, a uma distância de onde eles podiam ser vistos da praia. Tentei filmar, mas com o sol era difícil saber se eu estava focalizando certo. 

Por lá, nos hospedamos no Riviera Motel. Lugar simples, mas pelo preço (cerca de $30 por pessoa, cada noite) até que foi uma experiência bem legal! Alugamos um quarto para duas noites, e foi um tempo legal para aproveitar a praia. Aliás, o lugar fica no mesmo quarteirão da praia, não precisa nem atravessar a rua para chegar lá.


Já nas noites de sábado e domingo, o que rolou foi festa no Seacrets, que é um restaurante em uma baia, o qual tem balada de noite, com várias bandas e DJs, e vários ambientes. O lugar é enorme, e tudo rola na areia, exceto o Nite Club, que fica em uma parte fechada. Custa por volta de $10 para entrar e precisa ser maior de 21 anos. É a melhor balada americana que já fui, até agora!


Todo final de semana aqui rende muita risada, muita galhofa, e deixa muita saudade. As meninas, todas Brasileiras, são ótimas! A Glaucia acabou de completar um ano aqui e vai ficar para o segundo, com a mesma família. Isabela chegou há poucos meses, e Bruna acabou de chegar! Nos divertimos muito juntas, sempre! Como sempre, cabamos conhecendo gente por lá também, o que tornou tudo muito melhor! Cada lembrança vai ficar guardada, esperando a próxima vez de ir para lá!

Na volta estava prevista uma tempestade, e ela chegou mesmo! Apesar de estarmos indo na direção contrária, dava para ver o céu todo escuro pelo retrovisor. Chegava a ser engraçado! Olhava para frente, dia claro e chuva "de verão"; olhava no retrovisor, céu fechado, escuro, parecendo noite, e os faróis dos carros refletindo no chão. Pegamos chuva por um bom tempo, e isso fez nossa volta atrasar, porque o trânsito estava bem lento, o que na verdade acabou deixando mais seguro, sem risco de aquaplanagem e tudo mais. Eu estava calma, e as meninas estavam dormindo. Voltar para casa foi outra aventura! haha

Vou deixar algumas fotos abaixo, mas todas podem ser vistas no Facebook, neste link! :)

Girls on the road! Glaucia, Isabela, Bruna e Eu.

Café da manhã Americaníssimo, no IHOP

"In a half mile turn righ, on 50 East, towards Ocean City"

Hello, Seacrets!

Ah, o quarto 213!

Welcome to Ocean City!

26th Street Beach

Aquele momento em que você pede para um estranho tirar a foto, e ouve "Beautiful ladies, smile!".

Oi, sou turista!

Olha! Tem um golfinho pulando lá no fundo! Yay!

Balada no Seacrets, no Sábado

Balada no Seacrets, no Domingo

Segunda-Feira de manhã, hora de dizer tchau!

E a tempestade que estava chegando na região, bem quando saímos de Ocean City.

Até a próxima! o/