29 de out de 2012

Língua Inglesa, respeito e cidadania

Passei o domingo pensando se eu deveria expôr o que estou prestes a escrever. Primeiro, achei que era melhor me calar publicamente, para não criar algum mal entendido, ou até mesmo criar desafetos, pois esta história envolve pessoas queridas. Entretanto, ficar pensando em duas situações que aconteceram recentemente, causadas por Brasileiros e pelas mesmas pessoas em ambas as vezes, já estava me cansando fisicamente. Portanto, resolvi escrever aqui uma espécie de reflexão sobre o que aconteceu, sem mencionar as situações em si ou nomes. Meu objetivo é deixar aqui algo a se pensar, sobre o que é respeito e cidadania.

Sempre ouvi comentários ruins, vindos de imigrantes Brasileiros, sobre intercambistas Brasileiros, dizendo que são arruaceiros, que fazem barulho no transporte público, que não respeitam as regras de outros países, que isso, que aquilo. Antes eu achava que isso era birra destes Brasileiros que vivem em outros países há anos e que por isso não têm muito mais paciência com a euforia da descoberta do novo por estas pessoas. Também sempre ouvi reclamações vindas de Brasileiros, residentes no Brasil ou não, sobre como nosso povo e nosso país são vistos aqui fora.

Quando eu saí do meu país, este meu pensamento mudou. Eu comecei a olhar ao redor e perceber que estes comentários não eram birra, mas sim resultado de como muitas pessoas representam o Brasil aqui fora. Por mais novata que eu seja aqui, eu sou diferente de muitos. Eu vim já com a cabeça aberta para absorver a cultura Americana, e não para descarregar a bagagem que eu carrego do meu país, como se sair de lá me fizesse ser melhor que qualquer um. Ou como se o fato de ser Brasileira me obrigasse a ser barulhenta e a confrontar os costumes Americanos.

Eu gostaria que você, seja quem for que esteja lendo este texto, responda a si mesmo o que questionarei a seguir. Se você tivesse a oportunidade de morar em outro país, como você gostaria de ser lembrado pelas pessoas? Você quer ser só mais um Brasileiro barulhento, festeiro e sem regras? Ou você quer ser um Brasileiro único, que respeita as leis (e consegue reconhecer que muitas delas são melhores que as do seu próprio país), que está disposto a experimentar e a descobrir o novo, que age como cidadão mesmo que esteja ali temporariamente, que respeita, que aceita o fato de que sua escolha lhe trás consequências, como estar vivendo sob uma cultura a qual tem muitos pontos diferentes da sua, mas mesmo assim sabe tirar coisas boas disso tudo? Você quer ser só mais como tantos outros, ou você quer ser a exceção?

Eu escolhi ser uma Brasileira que carrega no peito o amor pela pátria mãe, mas que tem plena consciência de que aqui sou minoria. Eu decidi ser uma pessoa que fala do seu país de origem, e que com isso faz com que os outros sintam que estou feliz com a minha escolha e que tenho colecionado aspectos Americanos que serão levados comigo de volta para o Brasil, não para mudar a nação, mas para que eu seja uma pessoa melhor para mim e para a sociedade na qual eu estiver inserida. Quero mostrar que o Brasileiro é aquele povo que gosta de abraço e cumprimenta com beijo no rosto; que se expressa pelo toque e pelos gestos; que gosta de festa, mas que não precisa afrontar ninguém para se divertir; que sempre tem um sorriso no rosto, mesmo que esteja carregando o mundo nas costas; que trabalha duro e se dedica; que é amigável e acolhedor; que gosta de dividir sua cultura apresentando a música, a literatura, a culinária.

Outro dia, conversando com um Americano, ele me perguntou por que resolvi me mudar para cá, o que eu esperava e o que eu encontrei aqui, coisas do tipo. Respondi que aqui encontrei exatamente o que esperava, fui contando coisas sobre mim relacionadas aos EUA e à Língua Inglesa, quando ele me interrompeu e disse "quando você fala, você faz transparecer que a sua escolha está te fazendo ser muito feliz aqui". Eu só consegui sorrir e balançar a cabeça positivamente. Ele estava completamente certo.

Ser feliz com uma escolha é somente uma questão de estar pronto para aceitar suas consequências, e fazer com que tudo se torne aprendizado. É uma questão de saber se portar diante do que é novo, de ser educado, ter senso comum e respeito.

Um dos pontos que mais me chama a atenção, aqui, é o fato de que muitos Brasileiros se recusam a falar Inglês. Seja por preguiça, ou pela intenção de fazer com que as pessoas ao redor não possam compreender,  este último sendo uma atitude bastante rude e que somente mostra falta de respeito com o próximo. Existe um pensamento, o qual considero bem primitivo, de que se tivemos que aprender Inglês para nos comunicarmos com Americanos, então eles deveriam aprender Português para nos compreenderem. A minha opninião sobre isso é simplesmente que não, ninguém é obrigado a saber falar Português, senão as pessoas vindas de países cuja Língua Materna é esta.

O fato é que não convivemos somente com Americanos. Aqui há imigrantes vindos de todo canto do mundo. A Língua Inglesa já é considerada um idioma internacional há algum tempo. É o idioma mais forte, falado pela grande maioria, seja como língua oficial, ou segunda língua, seguido do Espanhol, a qual é segunda língua aqui nos EUA. O Português é falado, oficialmente, em somente oito países, sendo o maior deles o Brasil, o qual é o único na América do Sul a falar o idioma. Será que não é hora de ser humilde e mudar o pensamento que mencionei?

Tenho amigas Argentinas, Francesas e Brasileiras, aqui. As Argentinas são sempre muito acolhedoras e sempre preocupam-se em falar Inglês quando estou por perto. Elas falam Espanhol em algumas vezes, claro, mas nunca me senti excluída, pois em todas as situações em que isso aconteceu foram realmente por necessidade, nunca para que eu não entendesse, intencionalmente, o que elas estavam falando. E sempre que isso acontece, alguma delas me pergunta se eu entendo, e em seguida me explica o que houve. Isso chama-se educação.

Com as Francesas é a mesma sintonia. São divertidas, amigáveis, sempre cuidadosas para me incluírem na conversa. Pouquíssimas vezes as ouvi conversando em Francês, e também pelos mesmos motivos das Argentinas: necessidade. Nunca me sinto excluída quando estou junto das atuais amigas.

Entretanto, quando estou entre Brasileiras e temos alguma amiga de outro país, me sinto um pouco incomodada, como se eu estivesse sendo excluída por não estar falando Português. Passei a prestar mais atenção em quando estamos juntas, e em muitas vezes as amigas de outros países acabam sempre se voltando a mim para conversarem, porque eu sou a única que está sempre falando Inglês. Sim, eu falo Inglês com Brasileiras. Por quê não? E não é para mostrar que eu sei ou que sou melhor, mas porque é simplismente educado usar o idioma que todo mundo ao redor entende. Se você é capaz de falar Inglês com o garçom para pedir sal, então você também é capaz de falar Inglês entre as pessoas que estão à mesa jantando com você. Basta ter bom senso. Aliás, é muito mais simples e prático usar um idioma só, no caso o Inglês, do que ficar mudando o tempo todo. Acredite, o cérebro cansa, você começa a misturar os idiomas e chega até a esquecer palavras, tanto em um quanto em outro idioma.

As Brasileiras que me conhecem sabem como me sinto em situações como esta, isso não é segredo para ninguém, já me abri diversas vezes. Infelizmente, algumas acreditam que isso seja só a minha mera opinião, e que ela é errônea, que não há motivos para sentir-me incomodada, ou para outra garota, de outra nacionalidade, sentir-se excluída.

Eu já passei pela situação de sentir-me excluída, aqui nos EUA, por não entender um idioma. Estava entre Franceses, os quais não tenho mais contato, em NY, e por muitas vezes eles se recusavam a falar Inglês propositalmente. Riam, gesticulavam, demonstravam euforia, e eu me via apática, sem reação, por simplesmente não entender uma palavra e por ninguém se importar de pelo menos me dizer sobre o que estavam falando. Tentei, por vezes, brincar, começar uma conversa, jogar um assunto, mas em todas não fui bem sucedida. Eles voltavam para o Francês em segundos, sem se importarem. Era como se eu não estivesse ali. Portanto, este é o motivo pelo qual me sinto da forma que mencionei, quando entre Brasileiras e poucas de outras nacionalidades, pois eu sei o que é estar do outro lado.

Pergunto-me, às vezes, por que muitas pessoas dizem querer praticar o idioma, e que para isso precisam ter pelo menos uma pessoa de outro país no grupo, se quando têm esta oportunidade, a excluem ao somente conversarem em Português. Não importa se seu Inglês é ruim. A prática faz o vencedor, como dizia uma amiga Alemã. Chego a me perguntar, também, como estas mesmas meninas conseguem conviver com as respectivas host families, e como é a comunicação entre eles, se parece ser tão difícil falar Inglês naturalmente. 

Não existe nada mais prazeroso do que sair com amigos e poder sustentar conversas sobre qualquer assunto, expressar sua opinião, concordar, discordar, ouvir os demais, tirar novas conclusões, tudo em Inglês. Posso citar diversas ocasiões onde estive com pessoas diferentes, com as quais tive bons momentos. Seguem:

  • Uma noite passei na loja da Vans para olhar os modelos, e acabei comprando um tênis só pelo fato de que me senti muito bem recebida no local. O vendedor foi muito gentil, e ao perguntar de onde eu era, começou a conversar comigo sobre diversos assuntos, contou sobre algumas coisas da vida dele, me falou de coisas Americanas que eu deveria provar, como por exemplo o churrasco feito em uma churrasqueira construída a partir de um latão de lixo (novo e limpo, claro). Eu não queria ir embora, porque queria saber mais, falar mais, ouvir mais.

  • Outra noite, já após o trabalho, passei na CVS para comprar alguns itens que estava precisando. Eu usava a minha camiseta do Batmam, a qual é roxa. O caixa olhou para mim e comentou sobre a camiseta, por não trazer as cores tradicionais do personagem. Em seguida começou a fazer uma analogia entre a minha camiseta representar o Batman, mas usar as cores do Coringa. Achei bem interessante.

  • Um domingo qualquer fui ao cinema com um amigo que conheci recentemente. Já havíamos conversado o dia todo sobre muitas coisas que gostamos em comum, e depois de sairmos do cinema não foi diferente. A melhor parte foi quando percebi que as dúvidas que fiquei sobre o filme foram as mesmas dele, ou seja, eram sobre a história, e não porque eu não havia entendido as falas por serem em Inglês. E aí ficamos horas teorizando sobre o que supostamente aconteceu na trama, e fazendo analogias com outros filmes do mesmo estilo, o tipo de conversa que eu costumava ter com meus amigos no Brasil. Eu não queria ir embora, queria continuar ali, conversando e descobrindo outros pontos do filme que talvez eu tivesse deixado passar.
Para mim, falar o idioma oficial do país em que você vive por livre escolha, é portar-se conforme o que é esperado pelos que convivem com você. É uma questão de ser educado, e isso não é errado. Pelo contrário, isso só faz com que você se abra mais, faça novos contatos, e seja vista como uma boa pessoa. Educação ainda é o valor mais precioso que podemos carregar conosco.

Algo muito importante de se lembrar é que, enquanto imigrante, tudo o que você fizer de bom será sempre algo mais, corriqueiro, mas se você fizer algo ruim, esta será a forma como as pessoas lembrarão de você e até mesmo da sua pátria. O que você faz reflete o que você é, mas pode fazer com que as pessoas entendam que este é o reflexo de um povo como um todo.

E quanto a mim, eu sou a exceção.

25 de out de 2012

Busch Gardens

Dando continuidade à saga da viagem com a família, o sábado foi de muito andar, mas valeu cada passo! Estava super feliz de ter vivenciado aquilo, e ter aprendido mais sobre um pedaço da História a qual eu ainda não tinha conhecimento.

No domingo fomos ao Busch Gardens, o parque de diversões que fica em Williamsburg. Não consegui fazer vídeo por lá, pois foi muito corrido. Imagine o que são três adultos e três crianças juntos, andando em meio à multidão. Loucura total! Era necessário prestar atenção por onde andava, para não me perder deles.

O parque em si é como qualquer um que já conhecemos, com os brinquedos infantis, os que dão fri na barriga, e jogos. Minha única referência era o Hopi Hari e, sinceramente, este é minúsculo perto do Busch Gardens! Aliás, o parque está agora decorado para o evento de Halloween que acontece neste período, o Howl-O-Scream, o qual pode ser comparado à Hora do Horror do Hopi Hari, para se ter uma ideia. É claro que eu morro de medo disso, então não fui ao parque no sábado à noite. Minha host, o namorado, e a menina mais velha foram, mas não aguentaram ficar lá, porque a menina surtou com os personagens. Eu a entendo...

Para andar pelo parque, existe um bondinho, e cada região recebe o nome, e as características, de um país, como Itália, França, Alemanha, totalizando 10 áreas diferentes. Como estava com a host family, priorizamos andar pelos brinquedos em que todos podiam ir. Consegui ir em uma só montanha russa, a Verbolten, mas foi sensacional! Ela começa simulando como se você estivesse dirigindo por uma floresta escura, de repente o trilho cai, e então você despenca em direção a um rio. Frio na espinha nível imensurável! Eu simplesmente amei! Fomos todos juntos no Chapéu Mexicano (Der Wirbelwind) e no Curse of DarKastle, e as crianças aproveitaram outros como o Barco Viking (The Battering Ram), o The Flying Machine e o Da Vinci's Cradle (estes últimos eu realmente não sei como chamam no Brasil).

Foi um final de semana ótimo! Me diverti muito com eles, mas quero voltar com amigos, para ter mais tempo de fotografar, fazer vídeos, andar despreocupada se estamos deixando alguma criança para trás etc...

Decoração para o Howl-O-Scream.


Oi, estou aqui no bondinho e resolvi tirar foto.

"Criança não trabalha, criança dá trabalho..."

Castelo Mal Assombrado em 3D. Não tão assustador, mas genial! O pequeno adorou.

The Match Tower


The Battering Ram

Da Vinci's Cradle


"Then the bird said, nevermore."

24 de out de 2012

Colonial Williamsburg

No último final de semana fiz minha primeira viagem com a host family. Fomos para Williamsburg, VA, para conhecermos o Colonial Williamsburg e também o Busch Gardens. A cidade fica a aproximadamente 3 horas de onde moramos, e fizemos a viagem de carro.

Colonial Williamsburg é uma cidade colonial, a qual retrata o século XVIII. Tudo por lá se passa aos arredores do ano de 1775, e você pode ter contato com fatos históricos sobre a colonização, até mesmo encontrar gente daquela época. Atores andam pela cidade, vestidos conforme manda o figurino, e agem como se realmente estivessem naquela época. É possível chamá-los para conversar, e todo o diálogo irá acontecer como se você tivesse voltado ao passado, incluindo o idioma quase arcaico, com um vocabulário e sotaque bem diferente do que estamos acostumados. Eles não sabem quem é Obama ou Romney, também não sabem o que é Internet ou luz elétrica. E isso torna a visita um tanto quanto mágica!

Na noite de sábado jantamos em uma taverna a qual foi construída em 1772, e toda a estrutura onde o jantar é servido foi mantida. Não há luz elétrica, então tivemos um agradável jantar a luz de velas. Inesquecível! Todos os trabalhadores da taverna também estavam vestidos conforme a época. O garçom que nos atendeu não agia como se estivesse no passado, mas ele nos explicou como cada etapa do jantar funcionava naquela época. Nos ensinou a colocarmos o guardanapo sobre o peito, e o porquê de se usar assim, nos ensinou a brindar, dizendo "hip hip huzzah!" em vez de "cheers!", explicou o cardápio, sobre como cada comida e bebida era vista no século XVIII. Ah! Eu bebi uma cerveja do tipo Lager, chamada Old Dominion, e ela foi servida em uma caneca, o que realmente me transportou para o passado. 

De repente, na taverna, eis que surge um homem, com sua caneca de cerveja nas mãos, cumprimentando a todos. Um dos clientes lhe perguntou quais eram as notícias do dia, e ele começou a contá-las, todas referentes ao que estava acontecendo no país referente a Governo e tudo mais. Ele terminou fazendo três brindes, e um deles era "à Revolução". Pouco depois, surge uma mulher e um violino. Ela explicou o estilo de música da época, e tocou duas músicas. Foi mágico!

No próximo post falarei sobre o Busch Gardens. Aqui, termino com muitas fotos, porque não sei selecionar poucas.

Até mais! o/


Passei pela máquina do tempo?


"O que os objetos no seu bolso dizem sobre você?"

Adega

Adega


O gato no rato, o rato na aranha, a aranha na mosca, a mosca no velho, e o velho a fiar... OH WAIT!

Sapateiro

Carro pra quê, se existem carruagens?


Então, amigo, qual foi o resultado do jogo ontem?... OH WAIT!

Barris como latas de lixo, porque todo detalhe é importante!

Oi, sou turista!


17 de Setembro de 1775...



Senhor explicando sobre a cadeia pública.

Celas da cadeia pública.

King's Arms Tavern, o restaurante onde jantamos.

Fachada da taverna.

Música e conversinhas enquanto aguardávamos pela nossa mesa.

Minha caneca de cerveja. Hip hip huzzah!

23 de out de 2012

Uma mudança para a vida toda

Passei mais de uma hora fitando o editor, tentando dar início a este texto. Tamanho foi o bloqueio criativo, que acabei escolhendo por fazer a tradução livre de uma música que gosto muito, e que narra exatamente todo o significado que a vinda para os EUA teve na minha vida.

Hoje completo um ano que saí de casa. É um dia nostálgico, cheio de lembranças, mas também muito feliz e repleto de um sentimento de realização e tarefa cumprida. Hoje foi o dia, há um ano, em que abracei minha família pela última vez, e embarquei em uma jornada para aventurar-me pelo desconhecido.

Não é fácil expôr todos os motivos que me fizeram tomar a decisão de ser Au Pair, porque por trás de todo este universo há muito mais a ser compreendido. Minhas razões vão além de somente querer fazer um intercâmbio.

Quando a oportunidade surgiu, eu havia acabado de passar por uma fase bastante turbulenta, daquelas em que te dá vontade de trancar a porta do quarto, apagar as luzes, e gritar para ninguém ouvir. Aos poucos, tudo foi se ajeitando. Consegui um emprego na empresa onde sempre quis trabalhar, e em seguida apareceu a minha host family fechando o contrato comigo.

E então toda a mudança veio mesmo como uma tempestade, de repente, devastando tudo e me fazendo reerguer-me, tomar decisões, transformar a minha vida, confiar ainda mais naqueles que sempre estiveram ao meu lado. Entretanto ninguém nunca entenderá este sentimento, o qual nem eu mesma consigo transcrever.

Não gosto de abrir meus sentimentos aqui no blog, mas foi necessário. Hoje é o dia em que celebro a mudança da minha vida, o passo para a vida adulta, a realização do meu maior sonho. É como se eu tivesse postado-me diante de um abismo, e vocalizado aquele grito libertador enroscado na garganta. É como se tudo aquilo que parecia fantasia, irreal, e inatingível, estivesse bem ali diante dos meus pés, pronto para ser agarrado com as mãos e levado comigo, onde quer que eu vá. Eu fiz o impossível tornar-se realidade.

Agradeço a Deus por iluminar meus passos, e aos meus irmãos espirituais por me acompanharem por todo o caminho. Agradeço à minha amada família por ter acreditado em mim, por ter me apoiado, e continuar ao meu lado mesmo que distante. Agradeço à minha família Americana por ser mais que uma host family, por me acolherem e me fazerem sentir que aqui também é um lar para mim. Agradeço aos amigos que conquistei aqui por estarem ao meu lado sempre que necessário, e por todos os bons momentos que passamos juntos.

Para finalizar, deixo aqui a música tema da minha jornada, para comemorar meu aniversário de América. Sob o título "Change", da banda Finlandesa Poets of the Fall, ela consegue transpôr o sentimento de mudança por meio de palavras. Lembrando, novamente, que a tradução abaixo é minha e é livre. Prendi-me mais ao significado como um todo, e não na tradução de palavra por palavra, ou seja, acabou saindo quase uma análise minha sobre o que a banda quis dizer. A letra em Inglês pode ser vista aqui, no site oficial da banda.

Até o próximo! o/



Mudança
Poets of the Fall
(tradução livre)

Você diz que tem sentido um calafrio ultimamente,
Como se algo estivesse prestes a arruinar-se.
Você diz que não pode suportar isso por muito mais tempo,
E que eu deveria tomar conta do seu coração.

Mas eu sinto uma mudança aproximando-se,
Alastrando-se como uma tempestade,
E ela está retorcendo suas ambições,
Tentando recuperar sua própria forma.

Como você se sente
Ao lembrar-se de quando nós dois deitávamos aqui,
Nos braços do mundo, à beira da porta do paraíso?

Você sente a mudança aproximando-se,
Alastrando-se como uma tempestade?
E ela está demolindo seu mundo de fantasia.
Entretanto, você pode reconstruí-lo ou conformar-se.

Eu adoraria que você enxergasse
Que suas próprias decisões podem fazer com que
Seu sonho realize-se antes que ele se apague.
Eu desejo que você enxergue
Que suas próprias decisões podem fazer com que
Seu sonho concretize-se ao seu redor.

Meu mérito é o olhar em seus olhos.
Minha recompensa é o sorriso querendo ganhar os seus lábios,
e eu me pergunto novamente:
Será que você sonha com o mundo, assim como eu o faço?

Eu também temo a mudança que se aproxima,
Alastrando-se como uma tempestade.
Você consegue ouvir o grito de angústia?

Eu adoraria que você enxergasse
Que suas próprias decisões podem fazer com que
Seu sonho realize-se antes que ele se apague.
Eu desejo que você enxergue
Que suas próprias decisões podem fazer com que
Seu sonho concretize-se ao seu redor.

O que é este calafrio em meus calcanhares,
O qual faz com que as muralhas criadas por mim
Varram minha utopia, quando esta já está prestes a ser deixada para trás?

Eu sinto uma mudança aproximando-se,
Alastrando-se como uma tempestade,
Colidindo em meus delírios no qual a humanidade ainda aguarda, só.

Eu adoraria que você enxergasse
Que suas próprias decisões podem fazer com que
Seu sonho realize-se antes que ele se apague.
Eu desejo que você enxergue
Que suas próprias decisões podem fazer com que
Seu sonho concretize-se ao seu redor.

19 de out de 2012

Oi, eu tenho um Vlog!

O SocialCam é um aplicativo para iPhone e Android, o qual permite que o usuário grave vídeos, edite-os e faça upload dos mesmos em seu perfil. Além disso, é possível compartilhar os vídeos no Facebook, Twitter e Youtube, entre outras redes. É como se fosse um Instagram desenvolvido para vídeos.

Por conta da facilidade de compartilhamento, e por ser algo para uploads rápidos, sem necessidade de muita edição, resolvi utilizar o aplicativo para fazer um vlog em Inglês.

O objetivo é gravar vídeos curtos, contando alguma coisa que aconteceu, ou mostrar o que estou fazendo, comentar algum assunto, bem espontâneo, sem muita produção. Outro motivo o qual me levou a fazer isso, é acompanhar como anda meu desempenho com a Língua Inglesa. Aliás, eu deveria ter começado logo quando cheguei aqui, para ver o quanto progredi.

Como tenho o canal no Youtube para vídeos em Português, e mais voltados para o programa de Intercâmbio, o SocialCam ficará mesmo no formato de vlog, sem um tema específico.

Pra quem tem curiosidade de me ver falando Inglês, o último vídeo vai sempre estar ali na coluna da direita, abaixo dos seguidores do Blog, acima dos marcadores.

Até mais! o/



3 de out de 2012

Ele fez meu dia, sem ao menos saber

Foi um dia comum, daqueles com o cronograma apertado durante o dia, mas com a noite livre.

Eu precisava ajeitar as sobrancelhas. Nada demais, algo corriqueiro, mas que não consigo fazer se não for com aquela técnica da linha, a qual eu encontro em quiosques pelo shopping.

Minha intenção, ao ir até lá, era somente esta. Faria o que era necessário, e voltaria para casa. Engano meu! Ir ao shopping é sempre uma armadilha. Aliás, hoje eu havia decidido andar prestando atenção ao meu redor, em vez de gastar meu tempo olhando para o celular, e foi isso que fiz.

Andei sem rumo, entrei em algumas lojas. Comprei duas calças, andei mais um pouco, e quando passei em frente à Vans, resolvi entrar e conferir os lançamentos para o Outono.

"- Bem vinda à Vans! Meu nome é Gabriel, e estou aqui para lhe ajudar. Caso esteja procurando algo específico, ou precise de ajuda, por favor, me chame.", disse o vendedor simpático, assim que coloquei meus pés na loja.

Sem hesitar, olhei para ele, sorri e agradeci. Disse que gostaria de ver os tênis, e ele me conduziu até o final da loja, onde os sapatos ficam expostos na parede. Me mostrou os modelos novos, os clássicos, e me deixou à vontade para continuar olhando.

Minutos depois, ele retornou. Peguntei se eu poderia experimentar um modelo. Ele, o tempo todo sorridente, questionou se eu queria ver algum outro modelo. Disse que não, e aguardei.

Enquanto eu experimentava, ele me perguntou de onde sou. E então começamos a conversar. Ele, filho de militar, me contou sobre sua vida, de onde é, onde já morou, quais lugares gostaria de conhecer. Me perguntou várias coisas sobre o Brasil, me falou daquilo que sabe, quis saber de algumas diferenças.

Entre perguntas e uma conversa amigável, ainda experimentei outros dois modelos de tênis. É claro que acabei levando o primeiro que havia gostado, mas nunca é demais experimentar, para tirar da dúvida.

Devo ter gasto uns bons quarenta minutos na loja. Por algum motivo, eu não queria sair de lá. Queria continuar conversando, rindo, sabendo das diferenças, ouvindo outras experiências. Por um instante, me senti diante de um diálogo daqueles que fazem você pensar que em breve acontecerá novamente.

"- O que você vai fazer quando voltar para o Brasil?"
"- Provavelmente retornar ao meu antigo trabalho."
"- O que você fazia lá?"
"- Eu era Desenvolvedora Web."
"- Uau! Eu também sou do pessoal do software. Na verdade, eu derrubo sites em vez de criá-los."
"- Então você é daquele grupo o qual torna difícil o meu trabalho!"
"- É pra isso que hackers servem, não? Mas eu quero trabalhar na parte de segurança."
"- Segurança da Informação é uma área fantástica! Quisera eu ser destemida assim..."
"- Meu sonho é trabalhar para o governo Americano, investigando redes, computadores..."
"- Eu imagino! E você tem conhecimento de programas de estágio nesta área?"
"- Você está estudando? Tem que estudar! As empresas aqui sempre procuram estudantes. E você ainda está em vantagem, por ser estrangeira. Eles adoram pessoas fluentes em outras línguas, porque há sempre muitas viagens e é necessário ter conhecimento multinacional."
"- Poxa, que bacana! Não fazia ideia..."

Deixei da loja quando a mesma já estava quase para fechar.

Saldo da noite: um sneaker novo, uma lista de empresas de tecnologia, e um sorriso no rosto. 

Gabriel, o vendedor comunicativo e dono de um nome fácil de ser memorizado, fez minha noite valer o dia cansativo, me fez sorrir e me sentir bem, pelo simples fato de usar seu tempo para conversar comigo, sobre qualquer coisa. 



1 de out de 2012

Para cada personagem, uma história diferente

Há muito tempo eu não me via abalada por algo, ou algum motivo, mas hoje um texto me deixou um tanto quanto pensativa e até meio tristonha.

Foi um post, em um blog escrito por diversas Au Pairs, que me deixou fora de órbita por algum tempo. Este falava sobre as fases que, supostamente, toda Au Pair passa em seu período aqui nos EUA.

A princípio, não me identifiquei com nenhuma fase. Nunca me senti um bicho de outro mundo perante a família, nunca tive uma crise de homesick, e, o mais importante, estou estendendo porque minha única intenção, com isso, é ter a oportunidade de viver mais um ano nos EUA, e poder estudar mais.

Generalizações sempre me deixam doente. Às vezes chego a pensar que existe algo errado comigo, pois a minha vida de Au Pair é quase oposta à maioria das histórias que leio por aí. Eu não tenho problemas, eu não me sinto um peixe fora d'água, eu não tenho medo de trabalhar, eu não reclamo da minha rotina. Eu simplesmente vivo o que vem pela frente. Eu simplesmente moldei a minha vida do lado de cá, da mesma forma que a moldaria se tivesse saído de casa para morar na cidade vizinha.

Entretanto, isto não foi o que me pegou. Um comentário um pouco mais tendencioso me deixou bastante indignada. Segundo a autora do post, toda Au Pair tem, sem exceção, uma segunda intenção ao estender para o segundo ano. Ou é porque precisa de tempo para mudar o status do visto para B1 ou F1; ou porque tem a esperança de arranjar um marido, ou finalmente casar-se com o namorado, de preferência Americano, pois todas - TODAS - desencalham enquanto Au Pairs.

Ironicamente, ou não, a autora do post, hoje, é ex-au pair, mas continua vivendo nos EUA. Casou-se, tem filhos e agora é ela quem possui uma babá.

Dizer que sempre haverá uma segunda intenção ao estender o ano, é um equívoco imensurável. Se para a autora este foi o desfecho de sua história, isto não significa que toda Au Pair terá o mesmo desenrolar.

Eu estendi por diversas razões, e nenhuma delas inclui um relacionamento, quiçá um casamento!

Depois de todas as batalhas vencidas para que eu pudesse estar aqui, a primeira razão para querer ficar o segundo ano é, simplesmente, porque esta oportunidade de morar e trabalhar nos EUA, legalmente, por até 2 anos, é única! Eu poderia vir a trabalho, até mesmo na minha área de formação, mas o estilo de vida que eu levo hoje, somente o programa de Au Pair me proporciona. Aqui não pago aluguel, lavanderia, faxineira, telefone, manutenção e seguro do carro, serviço de TV e internet, aquecimento, energia, gás, água...

Outro motivo por querer ficar, é porque posso estudar mais. Aliás, já comecei meu terceiro curso, e se tudo der certo, não será o último. Para quem nunca estudou em uma escola de idiomas no Brasil, poder estudar Inglês aqui nos EUA, com professores Americanos, é impagável! É uma experiência pessoal que não tem preço.

Também decidi ficar mais um ano porque aqui me sinto em casa! A minha host family me trata como parte da família, as crianças são adoráveis, e me dedico ao meu trabalho aqui como me dedicaria a qualquer outro.

Se eu ficaria nos EUA por mais tempo? Sim, claro! Mas em duas situações distintas: 1. se tiver a oportunidade de um internship (equivalente ao trainee no Brasil) voltado para a minha área de formação; 2. caso possa fazer outra pós-graduação, ou até mesmo graduação, aqui.

Se isto vai acontecer até o final do meu segundo ano, que ainda nem começou, ou não, eu não sei! E também não fico arquitetando planos para conseguir, a todo custo, uma maneira de ficar. O que tiver que ser, será. É cliché, mas ainda assim é verdadeiro. A princípio, eu vim para ficar um ano e voltar ao Brasil. Agora, já estou com DS atualizado e todo o cronograma do segundo ano já no meu calendário.

O tal texto me deixou com a sensação de como se toda Au Pair já viesse para cá com seu plano premeditado, tudo friamente calculado. Pode ser que isso seja verdadeiro para algumas, mas para mim não é! Eu não vim para cá com intenção nenhuma, a não ser a de realizar meu sonho de viver neste país.

É importante ter cautela ao fazer generalizações, principalmente quando se trata de um programa de intercâmbio desta imensidão. Meninas deixam suas famílias não para passarem um mês fora, mas para passarem um ano vivendo por conta própria, pois apesar de sermos sustentadas pela host family e termos um teto para morar, ainda estamos aqui sozinhas, jogadas aos leões, aprendendo a cada dia como se virar!

Cheguei a mencionar aqui que às vezes tenho receio de estar expondo minha vida de Au Pair como algo perfeito, como a vida dos sonhos. Ser Au Pair não é passar um ano de férias, não é como viver em um comercial de Sonho de Valsa. É uma vida difícil, mas que só depende de nós mesmas para que seja perfeita dentro daquilo que queremos para nós.

É necessário saber o que esperar da sua experiência, mas sem fugir da realidade. Criar grandes expectativas pode ser perigoso, pois pode gerar decepção caso não consiga atingir o objetivo almejado. 

Eu só peço, de coração, que as generalizações parem de serem feitas. Cada um tem sua história, e esta não vai se repetir da mesma forma, com os mesmos detalhes, para outra pessoa. Sejamos mais realistas, mais objetivas, e tenhamos todas grandes experiências e ótimas histórias para contarmos.