23 de out de 2013

Todo Carnaval tem seu fim

"But just remember on the way home
That you were never meant to feel alone
It takes a little while, but you'd be fine
Another good time coming down the line"
(John Mayer - On The Way Home)

Há exatamente dois anos, nesta mesma data, 23 de Outubro, eu estava deixando o Brasil para vir em busca do meu sonho. Depois de anos acreditando que era impossível, provei a mim mesma do que era capaz.

Foi uma história digna de muita (re)descoberta. Tanto, que de fato terei de me (re)adaptar à minha já conhecida vida. Mas tudo bem, todo adeus é uma segunda chance. E eu já aprendi que adaptar-se não é assim tão difícil.

Hoje é oficialmente o meu último dia como Au Pair, mas combinei com a minha host que completaria a semana trabalhando, então assim será. Sexta-feira, dia 25, será meu último dia de trabalho.

As coisas aqui na casa estão seguindo da melhor forma possível. Minha host me agradece por tudo o que eu fiz, ao final do dia, além de me perguntar como tenho lidado com algumas coisas, pra ela mesma ir se preparando (porque ela não terá mais Au Pair). As crianças continuam doces como sempre, e o Pequeno está cada vez mais grudado comigo. Vou sentir uma falta sinistra deste par de olhos azuis!

No dia 29 estarei indo para NJ, visitar minha amiga Argentina, e de quebra vamos visitar a casa e museu do escritor Mark Twain em CT. Além disso, ainda está acontecendo uma exposição sobre Edgar Allan Poe em NY, a qual com certeza eu também estarei presente. Enquanto muitos sonham em ir pra Miami se despedir dos EUA, eu fui procurar entretenimento Literário. Vai entender! ;)

Volto de NJ no dia 4 de Novembro, aproveito os últimos poucos dias com as minhas criaturas adoráveis, e no dia 8 eu embarco para o Brasil. No dia seguinte já devo estar de volta pro meu aconchego. Ê, delícia!

E é isso. Mais uma fase chegando ao fim, e outra começando. Já sei o que farei no Brasil, mas por enquanto não entrarei em detalhes no Blog. Aliás, não decidi ainda se continuarei escrevendo sobre a vida de Au Pair ou não. Talvez eu pare por um tempo, pelo menos até minha vida entrar nos eixos novamente.

Agora com licença, que ainda preciso começar a arrumar minha malas! o/



"Mas, no caminho de volta para casa, lembre-se
De que sentir-se só não era o seu destino.
Leva algum tempo, mas você vai ficar bem;
Um outro bom momento está prestes a começar."
(Tradução livre de On The Way Home, John Mayer)

22 de ago de 2013

Backstreet Boys: In A world Like This Tour

Backstreet's back!

Depois de acalmar a histeria, chegou a hora de contar como o show em si aconteceu. Decidi mostrar como funciona o cronograma quando se compra o pacote VIP porque antes de fazê-lo eu procurei informações, mas só encontrei um blog de uma Americana contando como foi a experiência dela em 2011. Ajudou para que eu pudesse manter a calma, mas pelo que ela descreveu e pelo que eu presenciei, à cada turnê acontece uma experiência diferente ao conhecer os rapazes.

Em primeiro lugar, todas as fotos podem ser vistas no meu álbum do Facebook (tem muitas do AJ, muitas mesmo - podem me julgar) e abaixo está o vídeo que fiz com o resumo da passagem de som e do show. Não consegui gravar o momento das perguntas e respostas (estava passada demais para prestar atenção em qualquer coisa que não fossem meus amados), e também não gravei todas as músicas (e as que gravei foram só trechos), porque é claro que eu estava mais preocupada em cantar e dançar do que em registrar tudo. Não me arrependo.


Pacote VIP Gold: $350.00
  • Encontro individual
  • Foto individual
  • Entrada antecipada no local
  • Acesso antecipado ao estande de merchandising
  • Passagem de som / Perguntas e Respostas
  • Um crachá VIP comemorativo
  • Um ano de assinatura do Fã Clube BSB.com
Ingresso, área em frente ao palco: $150
Total: $500

Um dia antes recebi um email com algumas informações, dentre elas de que o check-in deveria ser feito as 3:15 da tarde. Por conta do trânsito, chegamos no local por volta das 3:40. O estacionamento estava aberto somente para quem tinha algum pacote VIP. Eu e minha amiga Boliviana fomos as últimas a chegarem. Uma pessoa da equipe nos reuniou a um pequeno grupo que chegou poucos minutos antes de nós, e nos levou até a frente do palco, onde nos juntamos aos demais. Fomos posicionados em pé em frente ao palco, divididos em fileiras de acordo com o pacote que tínhamos. Platinium na primeira fila, Gold na segunda, Silver na terceira, e por fim Bronze. Mesmo chegando atrasadas, fomos colocadas na segunda fileira.

Em frente ao palco, durante a passagem de som.


Os Backstreet Boys foram entrando no palco um a um, dirigindo-se até a frente (a parte estreita atrás de mim na foto acima) para nos cumprimentar, falar um pouco sobre a passagem de som, etc. Assim que todos estavam no palco, Nick pegou um violão e eles cantaram a primeira música (Trust Me, minha favorita do álbum novo). Depois se posicionaram no palco principal, pegaram seus instrumentos já previamente posicionados no local, e cantaram mais três músicas, sem banda: 10,000 Promises, Madeleine, e Quit Playing Games (With My Heart). Estas músicas foram surpresa para mim, porque eu havia visto a setlist do show, mas não havia procurado saber quais eles cantariam na passagem de som.

Respondendo algumas perguntas.


Depois disso foi hora de fazer perguntas. Quem quisesse, deveria erguer o braço, e uma pessoa da equipe iria até lá com o microfone. Eu entendi todas as perguntas e respostas na hora, mas me lembro vagamente do que foi dito (era muita emoção para conseguir me concentrar). Uma pergunta que me lembro foi sobre a moda dos anos 90 e o que eles se arrependem de terem usado, ou sentem vergonha hoje, e a outra foi sobre o apoio ao casamento gay através do clip da música In A World Like This (foi a pergunta/resposta mais aplaudida). Entretanto, a minha mente seletiva se recorda da pergunta mais divertida, a qual foi sobre que nome eles adotariam se fossem strippers (alguma boa alma fez este vídeo). AJ escolheu "Bomb Dang". Howie, "Speed Gonzales". Kevin disse "Long John", mas quando fez seu movimento sexy, AJ disse que aquilo estava mais para "The Helicopter". Brian disse que não iria fugir da realidade, e que então seria "The Rock". Nick escolheu "Blonde Dong", os outros choraram de rir, e o AJ disse que ele deveria usar "Nick, the Dick". Eles não eram assim quando eu tinha 13 anos...

Em seguida, eles agradeceram pela nossa presença, desceram do palco e se posicionaram para o Meet & Greet. Mais uma vez os seguranças nos organizaram em filas de acordo com os pacotes, mas o pessoal que possuía o Bronze foi retirado porque opacote deles acabava ali (não dava direito nem a conhecer os rapazes). Primeiro foram as pessoas do pacote Silver, as quais tinham direito de cumprimentá-los em grupo, assim como tirar uma foto em grupo. Depois fomos nós, do pacote Gold. Um segurança liberava uma pessoa de cada vez para cumprimentá-los, depois todos se posicionavam para a foto (havia um fotógrafo, e todas as fotos são publicadas no site deles, onde podemos fazer download do arquivo original), e ao sair nos foi entregue uma foto autografada. Tudo é muito rápido, não há tempo suficiente para dizer muitas coisas a eles. Por último foi o pessoal do pacote Platinium, mas não tenho muita certeza como funcionou a foto ou o encontro. Ouvi dizer que eles tinham direito à tal "green room", a qual eu fiquei sem saber o que significa, ou quanto tempo os fãs passam com eles.


Backstreet Boys


Todo o processo levou por volta de duas horas. A espera pela foto foi breve, porque não havia muita gente ali. Como já estávamos dentro do local do show (é como se fosse um estádio específico para shows, com palco e assentos permanentes), poderímos comprar algo na barraca de merchandising (camiseta, poster, etc) sem filas - eu não comprei nada. Em seguida formou-se a fila para voltarmos ao local do palco, desta vez para nos posicionarmos em nossos lugares de acordo com o ingresso. Quando eu e minha amiga entramos já havia uma fileira de pessoas em pé de frente para o palco, e acabamos ficando atrás delas, porém bem no centro do palco. Chegamos ali por volta das 6:30. Às 7:00 o Brian entrou no palco com seu filho, o qual cantou duas músicas. Por volta das 7:15, DJ PaulyD subiu ao palco; às 8:00 foi a vez de Jesse McCartney; e, finalmente às 9:00, começou o show dos Backstreet Boys.

SETLIST
  1. The Call
  2. Don't Want You Back
  3. Incomplete
  4. Permanent Stain
  5. All I Have To Give
  6. As Long As You Love Me
  7. Show 'Em (What You're Made Of)
  8. Show Me The Meaning Of Being Lonely
  9. Breathe
  10. I'll Never Break Your Heart
  11. We've Got It Goin' On
  12. 10,000 Promises - Acoustic
  13. Madeleine - Acoustic
  14. Quit Playing Games (With My Heart) - Acoustic
  15. The One
  16. Love Somebody
  17. More Than That
  18. In A World Like This
  19. I Want It That Way
  20. Everybody (Backstreet's Back)
  21. Larger Than Life

O show é muito agitado, eles dançam o tempo todo (mantiveram praticamente as mesmas coreografias dos anos 90), andam pelo palco inteiro, estendem as mãos para as fãs mais próximas, e a transição entre uma música e outra é bastante rápida, ou seja, o público não passa quase nem um minuto sem música ou sem os meninos no palco. Durante a troca de roupa são exibidos vídeos deles no telão ao fundo do palco. No primeiro, eles interagem explicando para o público que durante a troca de roupa o vídeo que será exibido traz algumas perguntas e respostas. É um vídeo bem descontraído, em que eles foram perguntados coisas do tipo "quem é o mais estiloso?", "quem é o mais brincalhão?", "quem é o mais sexy?", "quem dança melhor?", e por aí vai. O segundo vídeo, é o teaser do filme sobre a carreira deles. Achei que essa jogada fez com que houvesse transparência entre ídolo e fã. Não existe mágica, não é só apagar as luzes e eles aparecerem de repente com outro visual. Sem contar que deixou todo mundo ansioso pela estreia do documentário.

No decorrer do show, entre algumas músicas, eles conversam com o público, cada um tendo o seu momento para falar um pouco sobre a turnê, e especialmente o Kevin para falar sobre a sua volta. Durante as músicas acústicas, que acontecem pouco depois da metade do show, os fãs que possuíam o pacote VIP Platinium subiram ao palco, posicionando-se sentados em uma mini-arquibancada atrás dos meninos. Depois disso voltam para o formato original, cantam mais algumas músicas, e praticamente terminam o show com Everybody (foi aí que a mulher à minha frente saiu, tive a chance de finalmente ficar na grade e pude tocar a mão do AJ quando ele a estendeu), mas voltam ao palco em seguida e aí sim encerram o show com Larger Than Life. Fazem os cumprimentos finais, agradecem, e fim.

Momento acústico, com fãs ao fundo.


Enfim, valeu muito a pena, desde a passagem de som até o final do show. Antes de comprar o pacote, fiquei em dúvida entre o Silver e o Gold, porque havia uma diferença de $100 entre eles, mas como seria a primeira vez em que eu os veria, decidi pelo Gold porque queria ter a oportunidade de cumprimentá-los sozinha, assim como tirar a foto somente com eles, e não com um grupo de fãs. Entretanto, eu não compraria o pacote maior, Platinium, o qual custava $600. Subir no palco deve ser muito bacana, mas o que mais me importava era mesmo o momento em que eu iria conhecê-los, e isso era comum entre três pacotes citados.

Saímos do local por volta das 11:30, ou seja, passamos quase 8 horas em pé, entre um acontecimento e outro, mas foi tudo muito válido. Tudo mesmo! Foi uma experiência incrível, o show foi lindo, me diverti como se tivesse 15 anos novamente, e realizei um sonho. Admito que este é o show mais caro que eu já fui aqui nos EUA, mas não me arrependo. Cada centavo foi muito bem aproveitado. Sinceramente, eu faria tudo outra vez. :)

20 de ago de 2013

O dia em que me permiti ser adolescente outra vez

Brian, Howie, Kevin, AJ, e Nick. Sim, são eles, os Backstreet Boys!

Quem me conhece desde o início da minha adolescência sabe que eu cultivo um amor platônico por cinco garotos, hoje homens, chamados de Backstreet Boys. Durante algum tempo, quando um deles deixou a banda e tantas outras coisas aconteceram, eu acabei deixando um pouco de lado e também foi a época em que tive contato com o Punk Rock e o Hard Core, mas assim que os rumores sobre a volta dos Backstreet Boys vieram à tona, meu amor por eles despertou novamente.

É impossível dizer em poucas palavras, mas vou tentar resumir minha história com eles.

Ao entrar na quinta série do Ensino Fundamental tudo mudaria na minha vida. Eu teria diversos professores, um para cada assunto, incluindo a língua Inglesa. Eu nunca havia estudado um idioma estrangeiro e estava ansiosa, embora um pouco amedrontada, por finalmente ter essa oportunidade. Mas como nem tudo são flores, me lembro como se fosse hoje o dia em que eu falhei miseravelmente na minha primeira avaliação de Inglês.

Foi aí que os Backstreet Boys apareceram na minha vida, acredito eu (não sou boa em guardar datas). Em 1996, estimo eu, três anos após eles iniciarem a carreira, eu acabei conhecendo o trabalho deles. Era tudo o que uma menina de prestes à entrar para a adolescência precisa para ter sua atenção atraída: 5 garotos harmoniosamente atraentes, cada um em sua particularidade, cantando músicas sobre amores infinitos e fazendo dancinhas coreografadas. Eles eram praticamente a versão Americana do grupo Dominó, este que foi sucesso nos anos 80 e que provavelmente chamou a atenção da sua mãe. Na verdade, há fundamento: os Backstreet Boys tiveram influência de Boys II Men e New Kids On The Block, boybands as quais certamente influenciaram não só eles, mas muitos outros artistas da cena Pop.

Eu fui me interessando cada vez mais por eles. De cara me apaixonei pelo AJ McLean, o cara estranho, magrelo, com alguns piercings e tatuagens, com cara de mau, destonando dos outros os quais fazem mais o estilo de bom moço. Entretanto, apreciar a beleza de cada um já não estava mais sendo suficiente. Eu queria entender o que eles cantavam, o que eles falavam nos shows entre uma música e outra. Pronto, estava feita a combinação perfeita: eu precisava aprender Inglês por conta da escola, e eles eram o meu melhor incentivo!

Com o aprendizado do idioma, surgiu meu sonho impossível: vir para os EUA e, quem sabe, conhecer os Backstreet Boys. Mas, ah, é sonho de adolescente, que nunca vai acontecer...

Lembro que os CDs deles que tenho foram praticamente todos presentes que ganhei da minha família. Em um aniversário, ganhei o CD Millenium de uma tia da minha mãe. Estava na casa da minha avó, quando a mesma veio me trazer o pacotinho que a tia havia deixado lá pra ela me entregar. Quando abri e vi o que era, sai correndo, pulando, gritando pela casa, procurando o telefone pra ligar pra ela e agradecer histericamente. Foi a cena mais deliciosa da minha vida, quase tão parecida com a reação do menino do Nintendo 64.

Traduzi músicas, assisti milhares de vezes a shows gravados, comprei VHS de uma edição da revista Capricho especial deles, da época da música Everybody, com making off de alguns clips. Assistia com legenda, tentava aprender palavras novas, chegava a decorar falas... Enlouquecia com os amigos do condomínio que também gostavam de artistas Pop, principalmente com a Thalita, que não só gravava entrevistas e shows, e fazia cópias, como também tinha uma facilidade incrível para aprender os passos de dança das músicas e de ensinar. Foi aí que surgiu o meu apelido "Backs", numa tentativa do pessoal de diminuir a palavra Backstreet. Que adolescente não gosta de ter um apelido com o qual se identifica? Eu era a Backs, a fanática pelos "meninos da rua de trás", a menina que sonhava em um dia conhecer os EUA e em assistir à um show deles. Ah, sonhos!

Assim fui crescendo e me interessando cada vez mais não só pela banda, mas como também construí um carinho especial pelo idioma, pela cultura Americana. Procurava aprender tudo o que podia. Estudei muito sozinha, e tenho orgulho do nível que consegui, embora morar nos EUA tenha sido a chave para finalmente adquirir fluência.

Se hoje estou nos EUA e falo Inglês confiantemnte, foi por influência deles. E já que essa minha loucura começou com eles, nada mais justo do que terminar com eles e, assim, fechar um dos ciclos da minha vida.

Quando vim para os EUA, em 2011, estava marcado o cruzeiro deles, sem o Kevin, para Bahamas. Como isso aconteceria um ou dois meses depois da minha chegada, decidi não ir por inúmeros motivos. No começo de 2012 fiquei esperando que anunciassem novamente, até que para a minha surpresa o cruzeiro havia sido cancelado para aquele ano. Mas então em 2013 primeiro surgiu a notícia de que Kevin estaria de volta, depois de sete anos, e que eles iriam se reunir novamente, com projeto de novo álbum, nova turnê e também o cruzeiro, desta vez para celebrar os 20 anos de carreira. O cruzeiro eu já havia descartado, desta vez porque está previsto para Outubro, logo após terminar o meu segundo ano de intercâmbio, ou seja, com os documentos para vencerem eu não posso sair do país e voltar. Missão cruzeiro abortada, foi então que anunciaram a turnê, começando pelo Japão. Alguns meses depois, minha amiga Boliviana me liga dizendo que eles haviam anunciado show em Virginia Beach, aproximadamente 4 horas de distância daqui. Não pensei duas vezes e disse a ela que estaríamos juntas nessa.

Contamos os dias para que os ingressos começassem a serem vendidos. No dia anunciado, estávamos com o site aberto e conversando pelo chat do Facebook. A ansiedade era imensa, porque os ingressos estavam se esgotando em poucas horas na maioria dos shows. Ela foi mais rápida que eu, e comprou logo nossos ingressos. Com ingressos garantidos em Maio, e o show marcado para Agosto, então era a minha vez de reservar o hotel para o final de semana em que viajaríamos.

Foram 3 meses de muita ansiedade. Nesse intervalo também aconteceu meu aniversário, desculpa perfeita para comprar o CD deles que seria lançado no final de Julho. No final de Junho, foi anunciada a pré-venda do combo de CD + Pôster, o qual seria impresso com os nomes dos fãs que comprassem em pré-venda e preenchessem a requisição. Comprei, claro. Já estava feliz da vida, aguardando meus presentes chegarem, e esperando pelo dia do show, quando me dei conta de que no site deles são vendidos pacotes VIP, para serem adquiridos como complemento do ingresso, e que cada um deles dava direito a participar de diferentes ocasiões antes do show. Foi aí que eu me deparei com o pacote Gold, o qual dava o direito de assistir à passagem de som, de cumprimentá-los individualmente, e de tirar uma foto individual.

Minha cabeça explodiu! Me dei conta de que meu sonho antigo não era impossível. A oportunidade de conhecê-los existe, e só estava a um cartão de crédito de distância de mim.

Durante dias pensei a respeito. Cheguei a sonhar que havia conhecido eles, e que perguntava ao AJ se eu podia beijar o rosto dele para tirar foto. Loucura! Fiz as contas, achei caro. Calculei mais uma vez, e considerei. Não dormi por dias. Postei no Facebook sobre o pacote, pra ver o que as pessoas diriam. Todos me incentivaram, principalmente a "galera do condô", aquela que morava na mesma vizinhança e que me conhece desde adolescente. Perguntei ao meu irmão, e é claro que ele também me incentivou. Não dormi por noites.

Até que disse a mim mesma que eu merecia. Meu intercâmbio acaba em breve, e uma oportunidade dessa eu não teria no Brasil. Eletrônicos, livros, roupas, tudo isso compra-se a qualquer hora, em qualquer lugar. A oportunidade de conhecer um ídolo, só acontece uma vez. Foi então que parei de pensar e comprei logo o pacote Gold. Deixei de comprar objetos, para comprar um momento.

Contei pro meu irmão, pros meus pais, para as amigas, para o Facebook, para o Twitter, para o Instagram, para o Thorn (o lagarto de estimação aqui da casa), para Deus e o mundo. Eu queria sair correndo e gritando pela casa, derramando felicidade por todo canto.

Poster com nomes de fãs, foto autografada, ingresso do show, crachá VIP, e o novo álbum.


Mais espera, mais noites sem dormir, até que o grande dia chegou!

Uma viagem que deveria ter levado três horas e meia, nos colocou em seis horas e meia de infinita estrada. Chegamos atrasadas, corremos, tomamos chuva, mas por sorte não perdemos nada! Fizemos o check-in, recebemos o crachá, e uma pessoa nos levou até a frente do palco, ainda vazio.

Toda a magia começou por volta das 16 horas. Primeiro assistimos à passagem de som. A cada um que vinha até a frente do palco, meu coração saltava. Sentia o choro querer aparecer, mas logo se transformava em sorriso. Ri das piadas deles, fiquei olhando cada um boquiaberta, cantei as músicas, dancei, fotografei. Não parecia real, e ao mesmo tempo parecia que estávamos assistindo a um show privado. Bom, três músicas ao vivo e sem banda, para mim, é muito mas que um show. Ainda no palco, eles responderam algumas perguntas, e foi o momento mais gostoso, porque ali eu os vi como pessoas, não como artistas. Eles fizeram piada um do outro, riram, foram eles mesmos.

E então foi a hora de cumprimentá-los e tirar a tal foto. Eles desceram do palco e ficaram ali do lado. Os seguranças nos organizaram em filas, de acordo com o pacote VIP de cada grupo, e assim aconteceu. Eu estava ansiosa, mas com um bom auto-controle. Quando chegou a minha vez, andei até o Brian. Disse que era um prazer conhecê-lo, ele respondeu sorrindo, e o abracei. Quando fui cumprimentar o Howie, eu disse que era para eles me desculparem, mas como sou do Brasil e Brasileiros abraçam independente da situação, então eu iria abraçá-los. Nisso o Howie disse "Uau, do Brasil?", abriu um sorriso e me abraçou. Logo em seguida estava o Kevin, o único que não me abraçou, mas me estendeu a mão e, olhando nos meus olhos, disse "hello", e "prazer em conhecê-la". Olhei pro lado, e vi o AJ, que estava vindo para me abraçar pela direita. Neste mesmo momento, veio o Nick pela esquerda, e me deu um meio-abraço, afinal eu estava com a mão direita na cintura do AJ, para abraçá-lo, e colocando o braço esquerdo por cima do ombro do Nick para também abraçá-lo. Acabou sendo um duplo meio abraço. Interessante. Me posicionei em frente ao AJ, dei um abraço, e quando soltei perguntei a ele se eu poderia ficar do lado dele para a foto. Sem hesitar, ele respondeu "É claro!" e colocou o braço por trás de mim, pela cintura. Automaticamente deslizei meu braço por baixo do dele, e o abracei na cintura. Ouvi os outros se movimentando para se posicionarem também, mas não prestei atenção em quem estava do meu lado. Todos sorrimos, *click*  e a foto estava feita! Soltei o AJ, olhei pros dois lados, dizendo "Thank you, guys!". Ao caminhar para a saída, um outro segurança me entregou uma foto dos cinco, autografada (de verdade) por todos eles.

Foi aí que a mágica realmente aconteceu. Foi no momento de cumprimentá-los que eu finalmente transformei eles em pessoas reais, não mais artistas inatingíveis. Como já estou aqui há quase dois anos, e conheci muita gente, eu já sabia "como um Americano se parece", e eles são como todos os outros Americanos. Brian e Howie têm quase a minha altura (e a da maioria dos Americanos). Aliás, Howie é o cara feliz 100% do tempo, estampa o sorriso no rosto e não tira mais. Brian é brincalhão e um amor de pessoa. Kevin veste camiseta lisa por baixo da camisa, e combina com short (como já vi muitos homens usarem por aqui). Nick tem o jeito do típico Americano que passou dos 30, mas que ainda tem cara de moleque e divide apartamento com amigos. AJ (ah, o AJ!) é exatamente como eu imaginava que ele seria, daqueles que por trás das tatuagens e da cara de mau, cultiva um sorriso lindo e um coração enorme.

Meu mundo parou quando abracei o AJ, principalmente para a foto. Ter meu braço envolvendo sua cintura, sentindo a camiseta dele no meu braço, sentir o braço dele na minha cintura, sentir que ele realmente estava presente ali, foi a sensação mais inexplicável a qual eu já senti. Ter ele ali do meu lado, ver que ele é real, e que ele atendeu ao meu pedido de ficar ao seu lado sem hesitar, fez com que meu amor por ele se tornasse muito mais sublime. É impossível explicar o porquê deste gesto ter sido tão especial. Acontece que aqui as pessoas são distantes, não gostam de contato com o corpo alheio, apertam a mão de qualquer jeito, não abraçam se não têm intimidade com você. E de repente eu estava ali, abraçada à pessoa que por toda a minha vida me pareceu ser tão inatingível, tão irreal. Para ele, era só mais uma fã. Para mim, era o meu ídolo se transformando em ser humano concreto.

Foi tudo muito rápido, passível de ser perdido em um piscar de olhos. Entretanto, tudo o que aquele encontro representou para mim não cabe em um segundo. Tudo ali foi muito mais além do tempo. Sai dali realizada e plenamente feliz, principalemente porque consegui falar com eles, fui capaz de me comunicar no idioma deles em uma fluência surpreendente, sem precisar pensar no que eu ia falar, sem procurar por palavras, sem ensaiar. Tudo o que eu disse saiu tão naturalmente quanto se eu tivesse dito em Português. Senti orgulho de mim. Muito orgulho.

Depois de toda a trajetória, era hora de esperar pelo show. Como já estávamos dentro do local onde era o show, tínhamos permissão para ir para nossos lugares antes de os portões abrirem para o público geral. Minha amiga e eu corremos para a frente do palco, onde já havia algumas pessoas. Ficamos atrás das meninas que tinham o VIP Platium, o qual dava o direito a subirem no palco durante algumas músicas. Tive a visão perfeita de tudo, estava em frente ao palco bem no meio do mesmo. Mas o legal é que o palco não era simplesmente um tablado reto. Do palco principal ainda saia uma extensão em forma de T, onde as laterais eram reservadas para o pessoal que comprou um outro tipo de ingresso (Fan Pit), e a parte de cima do T era onde começava a nossa área (General Admission). Atrás de nós começavam as cadeiras numeradas.

Por ter ficado em frente ao palco eu pude ver detalhes que nunca me dei conta que estavam ali, afinal eu tinha essa imagem de que artistas são pessoas inalcansáveis e que eu sempre os veria de longe. Os meninos andavam pelo T e se posicionavam na extremidade em frente a gente, entre nós e o pessoal dividido pelo corredor que forma a haste do T. Me peguei olhando os sapatos, as calças, cintos (ou a falta deles), os detalhes dos ternos, as tatuagens, os músculos do pescoço tensionadas, as luzes passando pela barba, observar o suor no cabelo e no rosto, perceber o quão brilhantes são os olhos deles. Durante a passagem de som, o AJ disse que estava doente e pediu desculpas caso a voz dele falhasse, mas ali durante o show ele estava dando o melhor de si, dançando com uma energia incrível, levando as músicas com aquela voz que eu tanto gosto de ouvir. Inacreditável!

Em se falando de dançar, antes de o show começar eu conheci Kristina, uma Americana vinda da Carolina do Norte para vê-los novamente depois de 8 anos. Eu a conheci porque ela estava tentando tirar foto do palco, e esbarrou no meu ombro. Quando ela pediu desculpa ("sorry" é quase um bordão aqui), eu olhei pra ela e disse que não havia sido nada. Eu estava tão feliz por ter acabado de conhecer os rapazes, que eu estava puro amor e toda sorridente, e com a empolgação comecei a conversar com ela. Ela me disse que na última vez que os viu, ela estava grávida de cinco meses, e que descobriu onde eles estavam hospedados e fez plantão na frente. Nisso, ela conseguiu o autógrafo do AJ, do Howie e do Nick, mas ficou faltando o do Brian e do Kevin, e ela havia levado a camiseta neste show para tentar pedir a eles que autografassem. Na mesma hora eu dei um passo pro lado e chamei ela pra ficar do meu lado, mais perto do palco. Eu já havia abraçado eles, e deixar com que ela pudesse também conseguir o que lhe faltava, era uma gentileza e um prazer ajudá-la. Dito e feito! Ela conseguiu o autografo dos dois, um de cada vez em diferentes músicas. Eles ajoelharam na frente dela, pegaram a camiseta e autografaram. Ela gritava de felicidade, e essa cena me encheu de felicidade também. Durante o show fizemos gestos e dancinhas nas músicas com coreografia, tanto antes do show enquanto rolavam músicas aleatórias dos álbuns (como Hey Mr DJ), quanto durante o show, gritamos o tal "tara ta ta" que eles costumavam gritar em We've Got It Going On nos anos 90. Me diverti como se a conhecesse há anos.

Durante o show, tentava me dividir entre fazer algumas fotos, filmar alguns trechos, cantar as músicas, dançar, olhar cada um. Aliás, não é nada fácil prestar atenção em cinco pessoas dançando, cantando, correndo no palco, fazendo graça ao mesmo tempo. Era um misto de euforia com percepção da realidade. Às vezes me ocorriam uns estalos, do tipo "hey, Aline, isso tudo é real". Eles não estavam em uma tela de TV ou em um vídeo do Youtube. Eles estavam no palco, bem ali na minha frente, em pessoa. Surreal.

Lembra daquele grito histérico que aconteceu há muitos anos quando ganhei um CD? Ele se repetiu neste sábado, quando o AJ tocou a minha mão durante a última música, Larger Than Life, logo após eu chamar o nome dele e tentar gritar um "love you", o qual ele provavelmente nao ouviu. Não há música mais perfeita para isso acontecer, já que ela foi escrita para nós, fãs. Foi o gesto certeiro para fechar aquela jornada, para eu ter certeza que meu sonho foi completamente realizado. E a Kristine, a qual mencionei há pouco, assim que viu o que aconteceu, também vibrou comigo assim como quando ela conseguiu os autógrafos. Foi delicioso dividir tanta emoção com pessoas desconhecidas, mas que compartilhavam do mesmo amor.



Agora, com a sua licença, vou ali deitar na minha cama, no silêncio das luzes apagadas, vou fechar meus olhos e me lembrar de cada detalhe que aconteceu neste último sábado, cada palavra, cada gesto, cada música, como seu eu houvesse gravado tudo com os meus olhos e agora pudesse reproduzir como um filme particular. :)

15 de jun de 2013

Gourmet Talk: Beer Nuts


Desde que cheguei nos EUA, uma das minhas maiores diversões é sair procurando por alternativas que substituam algumas coisas que eu adorava no Brasil. Brinco sempre que sou "garimpeira" de supermercado, porque como sou eu quem faz as compras aqui em casa, aproveito esse "momento" para descobrir produtos, ler embalagens, pesquisar.

Raramente vou em mercado Brasileiro. Sinceramente, acho que fui uma vez só em cada, um aqui na VA e outro em MD. Acho tudo muito caro, e não vejo necessidade de consumir aqueles produtos, visto que posso encontrar substitutos no mercado comum ou no internacional.

Há algumas semanas eu estava com vontade de comer amendoim torrado. Aqui só é vendido o tal "party peanut", que é o amendoim torrado sem casca, mas eu queria o bom e velho amendoim home made, feito no forno. Então lá fui eu garimpar o mercado...

No mercado comum eu realmente não encontrei amendoim cru. Como havia pesquisado na Internet e visto que o amendoim espanhol era o mais próximo do nosso, resolvi ir no mercado internacional. Para a minha surpresa, encontrei amendoim cru no corredor de produtos Indianos! Achei que é um pouquinho maior do que o nosso, mas tem a casca marrom igualzinha. Comprei um pacote de 2lbs (aproximadamente 900g) por $3, se bem me lembro. Testei fazer o amendoim torrado comum, e deu super certo. Mas eu não estava satisfeita. Ainda queria o tal "amendoim japonês", aquele "encapado" com uma casquinha crocante.

Eis, então, que Ana Maria Braga aparece dentre as minhas pesquisas, quando estava procurando por receitas no site Receitas.com. Vou deixar o vídeo aqui, porque é muito mais simples entender do que somente lendo a receita.


E aqui deixo a receita, que encontrei no site mencionado (clica aqui). Fiz somente metade. É trabalhoso, tem que ter paciência (e não ligar para a sujeira e bagunça durante o procedimento), mas fica realmente bem próximo do industrializado. Eu adorei!

AMENDOIM JAPONÊS

Ingredientes

Primeira calda:
1/2 xícara (chá) de água
1 colher (sopa rasa) de sal
1 colher (café) de bicarbonato de sódio
1 xícara (chá) de açúcar refinado
1 kg de amendoim cru com casca vermelha
3 1/2 xícaras (chá) de farinha de trigo

Segunda calda:
1/2 copo de molho de soja (shoyu)
1/3 xícara (chá) de água
1 colher (sopa) de açúcar
1/2 colher (sopa) de manteiga
1/2 colher (chá) de glutamato monossódico
1/2 colher (chá) de sal

Modo de preparo

Primeira calda:
Numa tigela coloque 1/2 xícara (chá) de água, 1 colher (sopa rasa) de sal, 1 colher (café) de bicarbonato de sódio e 1 xícara (chá) de açúcar refinado e misture bem. Reserve.

Amendoim:
Numa assadeira grande coloque 1 kg de amendoim cru com casca vermelha e umedeça aos poucos com calda (reservada acima) até que fiquem bem úmidos. Polvilhe aos poucos 3 1/2 xícaras (chá) de farinha de trigo sobre os amendoins, coloque-os numa peneira e balance a peneira até retirar o excesso de farinha. Repita este processo por mais 3 vezes (total de 4).
Numa outra assadeira coloque os amendoins bem espalhados, leve ao forno moderado, pré-aquecido a 250 graus até secar (+/-25 minutos), mexendo de vez em quando, para secar todos os lados. Retire do forno, quando estiver levemente dourado e crocante. Reserve.

Segunda calda:
Numa panela coloque 1/2 copo de molho de soja light (molho shoyu), 1/3 copo (tipo americano) de água, 1 colher (sopa) de açúcar, 1/2 colher (sopa) de manteiga, 1/2 colher (chá) de glutamato monossódico e 1/2 colher (chá) de sal e misture bem. Leve ao fogo até ferver. Coloque os amendoins (encapados e torrados) na panela misture e deixe no fogo até secar o fundo da panela. Coloque os amendoins novamente na assadeira e espalhe bem. Leve ao forno para secar, mexendo de vez em quando para secar por igual (+/- 10 minutos). Retire do forno, espere esfriar e sirva.


Cerveja, azeitonas e salgadinhos de mandioa e de banana da terra para acompanhar!
Antes que me esqueça, os chips de mandioca (cassava) e de banana da terra (plantain) que aparecem na foto foram comprados também no mercado internacional, no corredor de produtos latinos.

Bom apetite! :)

UPDATE
Segundo a host da minha amiga Gi, aqui nos EUA este tipo de amendim é chamado de "Beer Nuts", o qual, aliás, é um nome muito apropriado! Portanto, título do post editado. :)

Da série "que saudades das coisas simples"

Deu saudade do cheiro de roupa seca sob o sol. Quem nunca?




Aqui em casa não tem varal, só a secadora de roupas. Alguns tecidos encolhem com o calor, outros chegam a ser danificados, então normalmente eu lavo com água fria na máquina e penduro algumas peças em cabides no meu quarto. Porém, hoje, com o calor que faz lá fora, foi inevitável nao pensar em uma "adaptação", só para ter de volta o cheirinho de roupa limpa que foi secada sob o sol. :)

31 de mai de 2013

Pequenices - 14

Mais um dia, esperando a irmã em frente à escola, enquanto no rádio toca a música Give Your Heart a Break, da Demi Lovato. É claro que o Pequeno teria algo a dizer...

- Aline, nunca se apaixone! Nunca! Tô falando sério.

Sábio rapaz.


*Pequenices é uma série dedicada aos ataques de fofura do Pequeno, os quais costumo postar em Inglês no Facebook.

30 de mai de 2013

Pequenices - 13

Lógica infantil:

- Hey, deixa eu te contar um segredo?
- O quê?
- Eu te amo!
- Hummm... não gosto disso.
- Ok. Tenho um outro segredo!
- Tá bom...
- Se você for pra cama agora, como um big boy, amanhã de manhã o seu Nintendo 3DS estará em cima da mesa, do lado do seu café da manhã, esperando por você!
- Uhhh! Disso eu gosto! Amo você, Aline! E boa noite!

Missão cumprida!

*Pequenices é uma série dedicada aos ataques de fofura do Pequeno, os quais costumo postar em Inglês no Facebook.

29 de mai de 2013

Pequenices - 12


- Aline, tô vendo seu sutiã!
- Não tá, não! Tô vestindo camiseta!
- Tá, mas eu sei que você usa. Sei sim! Igual minha mãe, minha irmã, e a esposa do meu pai... Ah! E todas as Au Pairs usam, então quer dizer que você também usa!

Mas é o Rei do constrangimento!

*Pequenices é uma série dedicada aos ataques de fofura do Pequeno, os quais costumo postar em Inglês no Facebook.

28 de mai de 2013

Pequenices - 11

Um dia qualquer, entrei no quarto do Pequeno e vi seu edredom velho fora da capa, ambos jogados no chão. Comecei a arrumar, enquanto ele pulava na cama e me fazia um milhão de perguntas sobre todos os assuntos possíveis. Quando eu terminei, ele parou por um minuto, respirou fundo, e disse:

- Eba! Aline, você acabou de salvar o dia!!!!

Shhhh! Não conta pra ninguém, mas eu sou o Superman. :)

*Pequenices é uma série dedicada aos ataques de fofura do Pequeno, os quais costumo postar em Inglês no Facebook.

27 de mai de 2013

Pequenices - 10

- J, o que é isso no seu nariz?
- Onde?
- Parece canetinha...
- Eu sei lá...
- Ok, agora você tem um nariz preto.
- Ah, então eu sou um cachorro!!!!

De onde ele tirar essas concluões fofas?

*Pequenices é uma série dedicada aos ataques de fofura do Pequeno, os quais costumo postar em Inglês no Facebook.

26 de mai de 2013

Pequenices - 09


Beijei seu rosto, e lhe disse boa noite.
Ele me abraçou pelo pescoço.
Beijei seu rosto mais uma vez.
Ele riu, ainda me abraçando.

- Você gosta de beijo no rosto agora?
- Não, não gosto. Mas eu amo abraços!!!

Como não amar?

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25 de mai de 2013

Pequenices - 08

Outro dia, esperando pela irmã no carro, em frente à escola, enquanto tocava a música Stay, da Rihana, no rádio:

- Aline, eu quero que você fique!
- Você quer?
- É, é o que diz a música...
- Então não é isso que você quer...
- Não, na verdade eu quero que você fique sim, Aline!!!

E aí eu começo a cantar, mentalmente, Should I Stay Or Should I Go, da banda The Clash...

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24 de mai de 2013

Pequenices - 07

No caminho de volta da escola, enquanto dirigia, começou a tocar no rádio a música Good Riddance (Time of Your Life), da banda Green Day. Como eu amo essa música, e como nela não tem nada inapropriado ou que não seja legal para o Pequeno ouvir, deixei rolar. De repente, ouço ele cantando o refrão. Na versão dele, é claro...

"Everything is 'dictable'
Everything is right
And this is the time of my life!"*

Acho que criei um pequeno punk rocker...



*A letra da música diz:
"It's something unpredictable / But in the end it's right / I hope you had the time of your life".

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23 de mai de 2013

DC 101 Chili Cook-Off 2013

E pelo segundo ano consecutivo, lá estava eu em mais um Chili Cook-Off, festival realizado pela rádio DC 101, com o objetivo de arrecadar fundos para o The National Kidney Foundation, Inc., que nada mais é do que uma instituição que realiza programas de pesquisa sobre doenças de rim, doação/transplante de rins e apoio aos pacientes. Bacana, não é?




O evento aconteceu no primeiro sábado do mês, dia 4 de Maio, e contou com seis bandas se apresentando, durante o dia todo: RDGLDGRN, Beware of Darkness, Capital Cities, Silversun Pickups, Awolnation, e Soundgarden.

No ano passado, a banda principal deveria ter sido Angels & Airwaves, meus queridinhos, mas eles cancelaram e acabou sendo Incubus, também um dos meus preferidos e foi um ótimo show pra fechar o festival! Portanto, posso afirmar que sou super fã deste festival mesmo tendo comparecido somente duas vezes.

Como qualquer festival de música, é loucura o dia todo! Muita gente, muita junk food (amo corn dog, que é uma salsicha no palito coberta por uma massa frita), muita bebida... Aliás, em se falando de bebida, a única cerveja vendida é a Bud Light, a $8 o copo (um roubo, eu sei), e o mais legal é que eles levam dois caminhões do tipo pipa, todo customizado pela marca, com várias torneiras (daquelas de chopp) do lado de fora, e montam um balcão onde as pessoas ficam ali para atender o pessoal. Eu não consigo ver aquela cena e não rir. Adoro a grandiosidade de algumas coisas nesse país!

Apesar da loucura, o que eu mais gosto de ver são as famílias que levam os filhos, e até mesmo os adolescentes que vão em bandos. A venda de bebida alcoólica só é feita para maiores de 21 anos: checam ID e entregam uma pulseira; o caminhão é rodeado por cercas e há pessoas na entrada da mesma olhando um por um pra ver se está usando a pulseira; além disso, a ficha para bebida só é vendida até as 7pm - o evento acaba às 8pm, e a bebida só é servida até as 7:30 - acho isso o cúmulo da organização. Portanto, todo mundo se diverte sem ter a preocupação se os filhos estão bebendo, coisas assim.

O evento acontece no estacionamento do estádio de futebol, o RFK Stadium, então não há cadeiras, nem muito conforto. Alguns preferem escolher um lugar na grama, em volta do estacionamento, e passar o dia por ali bebendo e ouvindo as bandas, e os outros tantos muitos preferem passar o dia em pé, de frente ao palco, para conferir todas as bandas de perto. Eu sou do tipo que não fica parada. Vou pra grama no intervalo das bandas, e quando começam a tocar eu prefiro ficar em pé, não necessariamente lá na primeira fila, mas procurando uma localização bacana pra conseguir ver o que rola no palco.

Falando em loucura, o que mais acontece na multidão, durante o dia todo, é o tal crowd surfing, que nada mais é do que quando uma pessoa é carregada, de mão em mão, por cima da multidão até chegar nos seguranças em frente ao palco. Encontrei um vídeo de um cara (clica aqui) que filmou ele mesmo enquanto era levantado pela multidão, e um outro (clica aqui) que filmou nada mais nada menos que um cara de cadeira de rodas surfando na multidão - muito respeito por quem teve essa ideia!

Claro que meu dia não poderia terminar sem adrenalina. Eu tenho medo de me jogar no crowd surfing porque tenho medo de cair, mas lá estava eu tranquilamente curtindo uma das bandas, provavelmente era Awolnation (os caras botam fogo na galera pra rolar crowd surfing), quando de repente eu ouço uma menina atrás de mim gritando "se liga aí, que estão levantando uma garota aqui atrás!". Minha primeira reação foi sair do caminho, porque eu não sabia o que fazer, eu achei que eu não ia conseguir segurar a garota pra ajudar. Só que no instante seguinte me bateu o desespero do tipo "pô, eu não posso deixar um vão aqui, se não vão passar a menina e ela vai cair!", nisso eu voltei pro meu lugar e levantei os braços, no meio da galera, e de repente senti o peso dela. Não sei onde minha mão foi parar, só sei que eu fiz minha parte e não deixei ela cair. Pronto, o Chili Cook-Off agora ficou marcado como "o dia em que eu provavelmente peguei na bunda de outra mulher". Ninguém saiu ferido, garanto.

E assim foi mais um dia de festival bem sucedido. Me diverti, ouvi as bandas que gosto, conheci bandas novas, porque é isso que também faz meu intercâmbio valer a pena. :)

Finalmente usando short!
E eu adoro quando a pessoa mira o chão pra tirar foto. Só que não.

Capital Cities, que eu simplesmente amei não só as músicas deles, mas também os covers.

Crowd Surfing

Soundgarden

13 de mai de 2013

Pequenices - 06

Quando tenho a missão de colocá-los na cama, é claro que o Pequeno sempre enrola e acaba sendo o último...

- Aline, tô com sede.
- Vá buscar sua água, corre!
- Aline, quero mais água.
- Não, hora de ir pra cama.
- Aline, você pode deitar comigo um pouquinho?
- Não, já está tarde para você.
- Então você também tem que ir dormir, Aline!
- Sim, vou pro meu quarto logo depois de você. Não se preocupe.
- Aline, me dá um abraço? E me cobre com o edredom?
- Mas eu estava te abraçando até agora e... Tá bom! Um abraço de boa noite.
- Aline, e de manhã?
- De manhã o quê? Vou te acordar pra ir à escola.
- Hummmm.. Só?
- Eu te dou outro abraço de manhã.
- Mesmo?
- Prometo! Vou te dar um abraço de bom dia.
- Então dá mais um abraço aqui, pra confirmar sua promessa!!!!

Quem disse que Americano não abraça? ;)


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10 de mai de 2013

Pequenices - 05

Nesta semana as crianças ficaram com o pai, enquanto minha host viajou a trabalho. Na terça-feira a madrasta passou aqui em casa com o Pequeno e a irmã do meio para que eles buscassem seus Nintendo 3DS. A menina mal ligou pra mim, falou um "oi" enquanto corria para buscar o eletrônico, e mais nada. Já o Pequeno, ao correr de volta para a porta, resolveu voltar e me abraçar pela cintura, roçando a bochecha nas minhas pernas, antes de sair correndo novamente para ir embora:

- Aline, você é tão aconchegante!!!... Tchau!

E eu fiquei ali, me sentindo um cobertor gigante, daqueles bem gostosos de a gente se enrolar toda e ficar no sofá assistindo Sessão da Tarde.

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9 de mai de 2013

Pequenices - 04

Um outro dia, dentro do carro esperando a irmã do meio sair da escola, enquanto no rádio tocava a música "22" da Taylor Swift, quando de repente o Pequeno se deu conta do que diz a letra...

- "It feels like the perfect night for breakfast at midnight..." ESPERA AÍ!!! O QUÊ??? Ninguém toma café da manhã à meia noite, dããã! Do que é que ela tá falando???

É, eu também não costumava tomar café da manhã à meia noite quando tinha 22 anos. Que gente estranha! ;)

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8 de mai de 2013

Pequenices - 03

Domingo à noite, as crianças voltam da casa do pai. Antes de ir jogar video game, o Pequeno bate na minha porta, entra no meu quarto, sobe na minha cama, deita no meu colo...

- Sentiu minha falta?
- Sim! Um pouquinho...
- Ah, você é muito fofo!
- E você é aconchegante, Aliiiine!

Sim, ele sempre, sem-pre, pronuncia meu nome com ênfase no "i". E ele também vem sempre se aninhar no meu colo.

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7 de mai de 2013

Pequenices - 02

Um dia qualquer, uma conversa randômica com o Pequeno, na volta da escola...

- Mamãe é mais velha que você, porque ela já foi casada e você não.
- Verdade. Eu nunca me casei!
- Ela não é mais casada, mas mesmo assim ela é mais velha que você.
- Mas ela tem um namorado agora. Eu não.
- É, você não tem. Você nunca procurou por ninguém?
- Eu não! Estou esperando você ficar mais velho, e aí me caso com você!
- Eu nunca vou ser mais velho que voc.... Espera! O QUÊ??? VOCÊ TÁ BRINCANDO, NÉ???

Homens, com medo do casamento desde: sempre! :)

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6 de mai de 2013

Pequenices - 01

Estávamos eu e o Pequeno no carro, esperando pela irmã do meio, na escola. No rádio tocava a música Undo It, da Carry Underwood. Como de costume, ele usou uma frase da música para falar qualquer coisa:

- Eu quero meu coração de volta, Aline!
- O que? Eu nunca tomei ele de você.
- Você tomou meu coração! Você disse que o fez! Agora, por favor, devolva meu coração de volta pra mim, Aliiiiine!!!

Ah, se ele soubesse que ELE é quem tomou meu coração... :)

*Pequenices é uma série dedicada aos ataques de fofura do Pequeno, os quais costumo postar em Inglês no Facebook.

1 de mai de 2013

Sobre quando me tornei mãe

Especialmente para minha mãe, que sonha em ter netinhos. :)


Dizem que Maio é o mês das noivas, mas eu prefiro chamá-lo de o mês das mães. Afinal, no segundo domingo comemoramos, tanto aqui nos EUA quanto no Brasil, o dia delas (beijo, mãe!). Sendo assim, resolvi escrever hoje sobre algo que venho pensado bastante: ser Au Pair fez de mim uma (quase) mãe solteira. Vou explicar o porquê...

Quando procuramos conhecer o programa, todas as agências nos dizem o mesmo: seremos consideradas big sisters, babás divertidas que estão ali para entreter nossos pequenos enquanto toda a parte séria da educação fica por conta (ou deveria ficar) dos pais. Teoricamente, estamos aqui para fazer todas as vontades das crianças, levar onde eles querem, cozinhar o que eles gostam, participar dos jogos preferidos, viver em um mundo de comercial de margarina.

Talvez por conta da idade, por não estar mais nos "vinte e poucos anos", e sim nos "quase trinta", eu acabei tomando a responsabilidade de cuidar das crianças como se elas realmente fossem minhas, como se eu tivesse ganhado três filhos, em vez de três irmãos mais novos. E isso me fez pensar muito, nos últimos meses, como seria a versão "mãe" de mim mesma. Será que quero ter filhos? O que eu realmente penso a respeito da responsabilidade que é a criar e educar um filho?

Minha host é mãe solteira. Seu divórcio finalizou-se aproximadamente em Julho de 2012, mas quando cheguei, em Outubro de 2011, o ex-marido já não morava mais com ela. Tive a oportunidade de acompanhar o processo do divórcio e entender como funciona a guarda compartilhada. Ouvi suas histórias, seus desabafos, seus conflitos. Lido com o ex-marido e com a atual esposa. Acabei virando filha de pais separados, o que me fez pensar mais sobre casamento e família. Será que tudo precisa ser conforme mandam os costumes?

Por morar com a minha host e seus três filhos, pude conhecer mais uma mulher forte, que enfrenta - e soluciona - seus problemas sozinha, que voltou a trabalhar depois de tanto tempo sendo stay at home, que conflita seu modo de educar os filhos com o modo do ex-marido, que se esforça para sustentar a sua família. E eu não falo aqui de dinheiro. Falo do emocional, da força de vontade, do desejo de ser cada vez mais forte e independente.

Muitas vezes as opiniões dela, do pai, e até da madrasta, vão contra as minhas opiniões sobre algumas decisões que eles tomam a respeito dos filhos. Entretanto, eu aprendi a respeitar isso antes de qualquer coisa. Eu não sou a mãe, portanto não cabe a mim educá-los, e sim cuidar deles, para que estejam sempre em segurança e tudo mais. Mesmo assim, assisto à tudo e procuro tirar algum aprendizado, mesmo que este seja do tipo "o que não fazer com seus próprios filhos", seja porque venho de uma cultura diferente, ou seja porque eu acredito que haja diferentes formas de fazer as mesmas coisas.

Enquanto no meu papel de Au Pair, eu procuro trabalhar as minhas regras de acordo com os costumes da minha host, apesar de ela me dar total liberdade para decidir como agir com eles. Sou séria quando preciso ser, esmigalho meu coração quando preciso dizer um "não", mas mantenho minha decisão firme, pois é isso que as crianças esperam de um adulto: que ele seja a pessoa que tudo sabe, que tem certeza do que está fazendo. Ceder às vontades de uma criança, é fácil, dói menos, mas a longo prazo pode trazer consequências até mesmo difíceis para a própria criança. Em todos os outros momentos, que me permitem ser maleável, sou carinhosa, abraço, beijo, faço cócegas, falo - ou uso - palavras erradas para eles rirem e me corrigirem (tree em vez de three, por exemplo, e o pequeno tem espasmos de tanto rir e tentar entender o que uma árvore está fazendo no lugar do número três na minha frase), acordo mais cedo só para preparar um café da manhã homemade em vez de usar os velhos conhecidos congelados, levo para jantar no restaurante favorito, etc.

Chego a brincar dizendo que me tornei mãe solteira, pois estou sozinha nessa jornada com as crianças, sem ajuda física de mais ninguém. Enquanto a mãe está fora, eu assumo todas as responsabilidades sobre eles. Aliás, eu passei a fazer tudo aquilo que ela fazia antes do divórcio, pois ela passava o dia todo com eles. Sinceramente? Não é fácil, mas me orgulho por cada dia que chega ao fim com a sensação de dever cumprido.

O fato é que, apesar de não ter direitos legais sobre as crianças, eu aprendi a amá-las como se fossem minhas. Vez ou outra chego a tentar imaginar como seria se, por ventura, eu precisasse assumí-los como meus filhos. Seria interessante! E isso me fez abrir minha mente para tantos assuntos, sendo um deles a adoção.

Viver dois anos com uma outra família me fez perceber que sou plenamente capaz de amar crianças que não foram geradas por mim, e de ser responsável por elas, querer me tornar um modelo, ser vista como uma mulher séria, e não como a irmã mais velha. E nessa minha vida cheia de planos egoístas (no bom sentido), talvez não haja, tão em breve, tempo suficiente para eu me dedicar a uma maternidade desde o princípio, mas talvez caiba a oportunidade de dar um lar a alguma criança que tanto precisa disso. Não gosto da ideia de ser sozinha a vida toda, quero ter a minha própria família, seja ela como estiver designada a ser, e não tenho pressa, mas o tempo é cruel e ele não espera. A gente envelhece, os planos mudam, as coisas acontecem. Prefiro não planejar meu futuro com tantos detalhes, com datas, com certezas imutáveis. Foco na minha carreira, e deixo todo o resto acontecer.

Acho mesmo é que gosto de acreditar que o meu instinto materno tende mais para o acolhimento de uma vida já gerada, em vez da vontade de fazê-lo acontecer. Pelo menos é o que sinto atualmente. Quem sabe qual será minha opinião daqui alguns poucos anos? A única certeza que tenho, é que ser mãe/pai é uma das tarefas mais trabalhosas e mais sublimes desta vida, e é assim que surgem os Super Heróis. :)

25 de abr de 2013

The Odd Man Out

"If I had a chance for another try,
I wouldn't change a thing it's made me all of who I am inside."
(Angels & Airwaves - Rite of Spring)

Sabe quando você está em um grupo, mas não se sente realmente parte do mesmo?

Eu sempre fui a peça estranha, diferente, do jogo. Durante o Ensino Médio eu não usava maquiagem e salto alto como as outras meninas. Eu tinha amigos skatistas, e me vestia como eles. Dentro do grupo de meninos, eu era aceita e protegida. Aos olhos das meninas, eu estava fora do padrão. As mesmas chegaram a fazer piada, me perguntando se eu era homossexual, porque eu tinha muitos amigos e nenhum namorado, além de não me vestir toda "menininha". Para mim, e para os meus amigos, eu era a versão feminina deles, e eles nunca me julgaram.

No colégio técnico não foi diferente. Desta vez, eu cursava Informática, tinha amigos do curso de Mecânica e, segundo as bocas alheias, todos eram meus namorados, só porque diariamente eles vinham me cumprimentar com um abraço seguido de um beijo no rosto.

Assim a vida seguiu, sempre estando entre os homens (e sendo julgada por isso), seja no trabalho, seja no grupo de amigos. Esse é o meu clube, é deste ambiente que eu gosto, é onde me sinto em casa. Fui feliz, principalmente no meu último emprego, onde também havia mulheres conosco e todas elas eram um tanto quanto parecidas comigo. Foi difícil deixar aquele time quando decidi ser Au Pair, mesmo estando lá há pouco tempo.

Ser Au Pair foi o primeiro emprego que me fez trabalhar quase exclusivamente com mulheres (há homens na minha área, mas não tenho contato). E como isso é difícil! Aliás, também foi sendo Au Pair que eu pude perceber como a idade faz uma grande diferença nas pessoas. Dos dezoito aos vinte e seis anos, faixa de idade permitida neste intercâmbio, há um enorme abismo entre deixar de ser adolescente para tornar-se adulto. Maturidade é algo que não depende da idade, mas de experiências, e nem todo mundo tem consciência disso.

Morar nos EUA sempre foi algo que almejei muito, e não me importava quando isso aconteceria nem quanto tempo duraria. O fato é que hoje estou aqui, completando um ano e meio de "América" e sendo plenamente feliz, pois consegui não só realizar um sonho, como também levá-lo até o fim (o qual chegará, infelizmente, em seis meses).

Levei meu intercâmbio a sério, como um novo emprego, diferente dos anteriores, mas tão importante quanto. Ou até mais, visto que agora não trabalho mais com computadores e códigos. Trabalho com vidas, o que não me permite erros, nem os mínimos. Não dá para reiniciar uma vida assim como se faz com um servidor. Não existe backup a ser restaurado.

Eu realmente me mudei para os EUA, vim de coração aberto, como se essa estadia fosse durar para sempre, como se eu tivesse transformado a minha vida para começar do zero aqui. Mergulhei, me joguei, me entreguei, me deixei levar. Guardei a minha vida de Brasil no coração, como se ela tivesse sido uma fase que chegou ao fim, até então. Só assim eu conseguiria me adaptar e aproveitar ao máximo esta nova experiência. Fiz deste lugar o meu lar, e eu pertenço a este país durante o tempo em que estiver aqui.

Entretanto, quando olho para outras meninas, principalmente as Brasileiras, eu vejo que essa não é uma visão muito comum sobre o programa de Au Pair. Muitas viajam para cá, mas continuam vivendo no Brasil, não conseguem desapegar e com isso vivem comparando, reclamando, dizendo que aqui não tem isso ou aquilo, que o Brasil é muito melhor etc.

De fato, a gente passa a dar mais valor à família e até ao nosso país quando estamos longe. Claro que o Brasil tem lugares lindos, que as praias são diferentes daqui, que a cultura parece ser mais acolhedora. Porém, o Brasileiro também é um povo o qual não pensa duas vezes antes de trapacear para se dar bem na vida, o qual possui uma Polícia que mais amedronta os inocentes em vez de protegê-los, o qual muitas vezes trata mal o consumidor.

Nada tira de mim a sensação de que nos EUA, pelo menos aqui na área da Virginia, eu estou sempre segura, sempre sou atendida com um sorriso, e que a Polícia está aqui para me proteger e não para me oprimir. Vejo que as leis funcionam, e que as pessoas as respeitam. No trânsito, não existem brigas. Pagamos impostos e não vejo ninguém reclamar (no caso das Au Pairs, pagamos muito mais do que um Americano que ganha o mesmo que a gente). Pagamos pedágios e vemos rodovias em ótimas condições, isso quando não estão em processo de expansão. Tudo isso me dá a impressão de que os EUA funcionam de uma forma muito lógica. Dá-se e se recebe no mesmo nível.

E é aí que eu volto naquele mesmo sentimento de ser a peça estranha do jogo, o peixe fora d'água, aquele indivíduo mal visto pelo grupo maior, the odd man out, só pelo fato de ter uma opinião distinta, por ser diferente da maioria. Porque eu vejo os dois países desta forma, e prefiro estar aqui a estar lá, sou julgada como "a menina que se sente Americana, sem ao menos ter cidadania, e que esqueceu das origens".

Nunca me esqueci das minhas origens, e é por este exato motivo que eu procuro sempre aprender a ser melhor me espelhando nas boas características dos Americanos. Afinal, todo conhecimento é válido, pois não se muda o mundo sem antes mudar a si mesmo. Eu fiz minha parte enquanto morava no Brasil. Exerci todos os direitos de cidadã que me foram dados. Votei pela primeira vez, e foi para Presidente, quando tinha dezesseis anos, porque apesar de não ser obrigatório, essa era a minha chance de, através do voto, expressar a minha opinião e começar a fazer a minha parte. Me importo com o meu país, e adoraria vê-lo evoluir. Por isso mesmo estou aqui fora, investindo em mim, para quando voltar ter algo a acrescentar. Não vou sair por aí gritando que nos EUA isso ou aquilo é melhor. Simplesmente vou continuar agindo da forma que aprendi a ser aqui, sempre dizendo "obrigada" às pessoas, sempre sorrir ao conversar com quem quer que seja, cumprimentar os vizinhos, e tantas outras pequenas ações que fazem o dia ficar melhor.

Amar o meu país não significa que eu concordo com tudo o que tem por lá, assim como o Governo, o sistema educacional, cultura, e até mesmo o "jeito Brasileiro" das pessoas. E ser feliz vivendo em outro país não significa que não gosto da minha origem, ou que a esqueci e mudei de nacionalidade. Significa que eu encontrei um lugar para fazer dele o meu lar enquanto nele eu estiver.

Não é fácil ver as coisas por um outro ângulo, e com isso ter uma opinião difrente da maioria. Entretanto, é isso que me faz ver o quanto amadureci, o quanto mudei a mim mesma nestes últimos dezoito meses. E é dessa pessoa atual que eu gosto, esta sou eu de verdade. Não me importo de ser vista como a ovelha negra, quando estou em paz com a minha própria vida.

17 de abr de 2013

Às vezes, um "adeus" é uma segunda chance...

Andei pensando em quanta gente passou pela minha vida nesse último um ano e meio, vivendo nos EUA. Neste tempo, comecei e terminei mais "relacionamentos" do que já fiz em toda esta minha presente existência.

Essa vida com prazo de validade não me deixa ir fundo aos poucos. Ou eu mergulho de uma vez, ou nem me dou o trabalho. Interessante é que sempre estou pronta para me molhar. Não me arrependo. Ultimamente tem sido emocionante.

No entanto, ainda não consegui entender o que faz as pessoas ficarem, ou irem embora. Vai ver, a vida é mesmo assim, sem explicação, sem roteiro, apesar de ser dito por aí que nada acontece por acaso.

O que eu poderia ter feito a mais? O que eu deveria ter feito a menos? O que eu expus demais? O que eu deixei de dizer? Na verdade, não me importo. Deve ter sido somente o suficiente. Me disseram, uma vez, que tudo o que se vai, deixa espaço para algo novo.

Muita gente foi embora sem ao menos se despedir, sem avisar, sem indício que esse dia iria chegar. Poucos foram os que decidiram ficar, ainda que estando fisicamente distantes. O fato é que não dói, não incomoda. Meu coração não secou; ele amadureceu, aprendeu a lidar com idas e vindas, com ganhos e perdas.

Todos os sorrisos, todos os abraços, todas as piadas, tudo o que foi de bom ainda permanece aqui, em um canto especialmente reservado a tudo isso, aonde eu posso ir quando bem entender, só para sentir tudo novamente.

Portanto, fica aqui meu agradecimento a todos aqueles que, de alguma forma, cruzaram o meu caminho. Vejo vocês em alguma outra vida, talvez...


7 de abr de 2013

International Pillow Fight Day 2013



Neste sábado, 6 de Abril, aconteceu o International Pillow Fight Day, o qual consiste em uma luta de travesseiros em massa, acontecendo em diversas cidades do mundo ao mesmo tempo.

Eu já conhecia o evento quando ainda estava no Brasil, mas nunca participei, pois normalmente acontece nas grandes cidades, como São Paulo, e por morar no interior acabava sempre ficando na vontade.

Aqui na VA não aconteceu em nenhum lugar, ou pelo menos não estava listado no site do evento, mas aconteceu em Washington DC. Como a temperatura agora esquentou e o clima está bem mais gostoso para aproveitar o dia em céu aberto, foi a desculpa perfeita para ir até lá conferir a tal luta de travesseiros.

Chegamos lá um pouco depois das 3:00pm, e a grande luta já havia começado. O pessoal estava todo no gramado em volta do Washington Monument, aglomerados em uma vasta paisagem de travesseiros voadores! Tinha gente de toda idade, de todo estilo.

Foi bem legal assistir. Gosto muito de como as coisas aqui acontecem e funcionam, como as pessoas comparecem e se divertem. Isso só reforça o meu pensamento de que a gente precisa de muito pouco para ter um bom dia!

Algumas observações a serem feitas:

  • Era proibido bater em quem estava sem travesseiro, ou quem estava com câmeras. Isso foi respeitado, pude fotografar e filmar com tranquilidade, ficando em volta do pessoal, mas houve aqueles que se aventuraram no meio da multidão com suas câmeras.
  • Vi algumas pessoas andando ao redor, cuidando para que os "lutadores" ficassem somente no gramado, deixando a calçada em volta do monumento livre para as pessoas que estavam só assistindo.
  • Muitas crianças estavam em volta da multidão, brincando entre si com seus travesseiros, e nenhum adulto interferiu ou entrou na briga com eles.
  • Apesar da multidão se debatendo entre travesseiros, todos estavam em clima de brincadeira, ninguém usou os golpes como desculpa para agir com violência.


Banana de Pijama???

Fight!!!

Objeto Voador Não Identificado. Ou não.

Uma luta de travesseiros, uma jornalista tentando trabalhar, e... um porco!

The pillow fighters! Eu, Gisele e Jéssica.

31 de mar de 2013

Blossom Kite Festival

Com a chegada da Primavera também é dado início ao National Cherry Blossom Festival, que nada mais é do que celebrar a estação e também o florecer das Cherry Blossom, que são flores japonesas muito tradicionais por aqui (embora ainda não tenham florecido).

National Mall



Durante toda a Primavera, ocorrem eventos em Washington DC, dos mais diversos tipos. Neste último final de semana aconteceu o Blossom Kite Festival, ou seja, um festival de pipas. Durante o dia todo aconteceram workshops sobre montagem, exibições, e qualquer um podia participar. Era só chegar no National Mall e começar a empinar sua pipa!

Pipas de todos os formatos!


As pessoas estavam espalhadas pelo parque e também em volta do Washington Monument. O céu, invadido por pontos das mais diversas formas, embora não estivesse ventando tanto quanto era esperado.

Para mim, foi um misto de novidade com nostalgia. Nunca tinha visto tanta gente soltando pipa junto, e tantos modelos diferentes. Ao mesmo tempo, me deu a maior saudade de quando meu pai não só me ensinou a empinar pipa, como ele também construía as pipas comigo e com meu irmão, tudo feito à mão, desde a cola até a finalização com as linhas e tudo mais. Sweet childhood!
Obrigada pelas lembranças, meu herói! *mwah*

ECC Meeting no park. Amo o fato de que a cada meeting eu conheço gente nova!


No meu caso, fui para relaxar e observar. E, mais uma vez, aconteceu meeting com o grupo The English Conversation Club. Esta foi a terceira vez em que participei, e tanto reencontrei gente que conheci nos anteriores, como também conheci gente nova - e levei gente nova comigo. Grupos de conversação são a melhor opção para quem quer não só praticar o idioma, mas também encontrar formas de aproveitar o tempo livre. Ficamos por lá algumas horas, conversando sobre tudo e nada. Muito bom!

Gisele, nova vizinha Brasileira, com tantas histórias passadas como as minhas. Gosto desde já! :)


E quando você acha que a vida leva para longe as suas pessoas queridas (tô morrendo de saudade da Virginia!), ela também bate na sua porta e te traz uma vizinha nova, com tanta coisa em comum, que um day off só não é o suficiente para tanta conversa.
Adorei te conhecer, Gi! E se prepara, que aqui pertinho do nosso bairo tem barzinho com happy hour de Segunda a Sexta. Caminhoneiras for life! haha :D

National Mall


Depois de passarmos um tempo com o pessoal do grupo, a Gi e eu já havíamos combinado de ir até o mercado Brasileiro, By Brazil, em Wheaton (MD) para comprarmor Ovo de Páscoa! Pegamos o metro em DC mesmo, e descemos na estação de mesmo nome da cidade. Andamos pela avenida, por dois ou três quarteirões, e encontramos a loja. Muito mais fácil ir de metro, sem se preocupar com estacionamento, combustível, e o cansaço da viagem, pois fica a quase uma hora de distância de onde moramos.

E lá se foi mais um dia bom, um final de semana agradável. Espero conseguir ir para DC com mais frequência agora durante a Primavera e também o Verão. Não há nada melhor do que comprar um café gelado e sentar na grama, no meio do parque, para ficar descansando enquanto assiste às pessoas praticando esportes, famílias reunidas, crianças brincando...

Life's good! ;)

28 de mar de 2013

Gourmet Talk: Pastel de Egg Roll

Sim, o título do post está certo. E, sim, eu comi pastel feito em casa aqui nos EUA, no último final de semana! Acho que agora já não me falta mais nada por aqui, pra me sentir em casa!

Pastel!



Hoje não vou exatamente ensinar uma receita com ingredientes e modo de fazer. A ideia é somente mostrar algo que encontrei no mercado outro dia, testei e deu certo: massa para Egg Roll.

Antes de vir para os EUA eu nunca havia experimentado nenhum tipo de comida Asiática. Entretanto, Americano é louco por comida Chinesa em especial, e aqui em casa a minha host pede periodicamente. Também existe um restaurante super barato - e muito delicinha - chamado Pei Wei, o preferido das minhas crianças.

O Egg Roll é conhecido no Brasil, se não me engano, como Rolinho Primavera. Nada mais é do que uma massa frita, recheada com vegetais. Quando experimentei pela primeira vez, logo me lembrei do pastel. Aliás, era a minha estratégia pra matar a saudade do mesmo. E aí outro dia andando pelo mercado, fazendo as compras da semana, me deparei com a massa pronta para Egg Roll.

Massa para Egg Roll




No site da marca, Nasoya, vi que eles também têm massa para Won Ton (um quadradinho bem menor) e a massa redonda, para Ravioli. Esta, de Egg Roll, é um quadrado bem grande, e eu cortei ao meio para fazer pastéizinhos tipo aperitivo. Se usar a massa inteira, dá para fazer uns pastéis médios, não muito grandes.

Pastéis montados.


Um segredinho é ter em mãos um recipiente com água e, após posicionar o recheio, umidecer toda a borda da massa com os dedos embebidos na água, o que vai fazer com que a massa fique um pouco pegajosa e seja mais fácil selar. Para finalizar, após fechar o pastel, é legal apertar toda a borda com um garfo, para ter certeza que a massa grudou uma parte à outra. 

Eu fiz o recheio com carne moída refogada, mas dá para fazer de diversas formas. Há uma infinidade de produtos nos mercados (mesmo a carne moída, você também encontra carne de frango e de peru, moídas), é só reservar um tempinho para descobrir o que eles têm a oferecer. E, antes, que me perguntem, palmito pode ser encontrado junto de produtos latinos. É só preparar o recheio que mais gosta, e pronto!

Os pastéis podem ser fritos e também assados. Testei das duas formas, e prefiro mais a segunda. No caso desta massa específica, é só aquecer o forno a 400F e assar os pastéis por 12 minutos (sim, exatos 12 minutos).

Pastel, vinagrete, cerveja, e The Walking Dead. Noite de sexta-feira perfeita!

Desta vez fiz só para mim, pois minha host family havia ido para Florida, mas não vejo a hora de fazer pra todo mundo, e ver o que eles acham! Será que os Americanos vão gostar? Bom, pelo menos eles gostam do Egg Roll tradicional... Se eu fizer, volto pra contar como foi.

Bom apetite! :)