28 de jan de 2013

Dirigindo na neve

Ou sobre como não entrar em pânico.

  1. Don't panic! (mochileiros da galáxia entenderão)
  2. Se o carro estiver coberto de neve, limpe vidros, espelhos e, principalmente, retire a neve de cima do carro, pois ela pode escorregar para o parabrisa enquanto estiver dirigindo e bloquear sua visão.
  3. Assim como na chuva, limpador de parabrisas e farol baixo devem ser usados juntos.
  4. Utilize a opção defrost para evitar que os vidros fiquem embaçados.
  5. Dirija abaixo do limite de velocidade, até mais devagar do que quando está chovendo.
  6. As pessoas atrás de você irão buzinar. Elas sempre buzinam. Ignore.
  7. Faça curvas de vagar, com cuidado. As rodas, quando viradas, tendem a deslizar.
  8. A distância de frenagem será maior que o habitual. Mantenha uma distância segura em relação ao carro a sua frente, e freie com antecedência.
  9. Redobre a atenção em cruzamentos.
  10. Fique atento aos noticiários da TV e do rádio. Se as condições estiverem muito severas, e existirem alertas de vias escorregadias, não saia de casa.

27 de jan de 2013

Adormecemos

Era noite de domingo. Vestiu seu pijama, escovou os dentes, desfez o topete. Sentou-se na cama, pediu um copo de água. Entreguei-lhe, e disse-lhe boa noite.

Jogou as almofadas no chão, puxou o cobertor repleto de dinossauros, ajeitou o travesseiro. Apagou a luz, deitou-se, disse-me boa noite.

Já caminhava em direção à porta, quando perguntou-me se poderia deitar-me ao seu lado por um instante. Hesitei, disse-lhe que estava exausta. Ele insistiu, dizendo que isso o ajudaria a adormecer. Reconsiderei. Ele, sorriu.

Deitei-me. Aconchegou-se. Abracei-lo. Senti-me um gigante.

Pegou minha mão, levou até seu rosto. Brincou de esconder-se, de enxergar por entre meus dedos. Contou-me suas últimas aventuras e descobertas. Aquietou-se serenamente. Acariciei seu cabelo. 

De repente, ali estava eu, deitada abraçada à minha mãe, repousando minha mão em suas costas, enquanto ela afagava meu cabelo. Senti seu cheiro. Ouvi seu coração bater. Aconcheguei-me. Fechei os olhos.

Adormecemos.

19 de jan de 2013

O dia em que a Terra parou

Ou sobre quando a Au Pair está de folga.


É sexta-feira, faltam quinze minutos para as seis horas. Pela última vez, é hora de certificar-se de que todas as atividades foram finalizadas com êxito. Com tudo em seu lugar, exatamente às seis horas apita o juiz e é fim de partida. Pronto! Seu mundo paralelo já pode entrar em espera, até que você esteja de volta na segunda-feira de manhã.

Você ajeita seu quarto, guarda suas roupas recém lavadas, arruma a mochila, e sai para aproveitar a vida real. Lá fora, tudo é perfeito e o tempo tem pressa. Se pudesse, viveria de finais de semana para sempre.

Entretanto, o tempo é cruel e passa rápido demais. Já é hora de retornar ao universo paralelo, vestir suas responsabilidades e retomar à rotina de cada semana.

É segunda-feira, seis e meia da manhã. Você é a primeira a acordar e, sorrateiramente, dirige-se à cozinha para aproveitar os últimos preciosos minutos de silêncio para tomar um café.

O cheiro do lixo incomoda. Os recicláveis, formam uma montanha no canto da cozinha. Na pia, já falta espaço até para a água correr. A máquina de lavar louças foi ligada em algum momento, mas nunca foi esvaziada. Ao abrir a geladeira, nada mais mais existe, a não ser as sobras do jantar da noite anterior. O galão de leite foi esvaziado, e nunca reposto. Meias parecem correr pela sala. Ao tentar andar até as escadas, brinquedos invadem seu caminho. Nos quartos, roupas sujas pelo chão denunciam as atividades executadas nos últimos dias. No banheiro, toalhas molhadas cobrem o chão.

Um último suspiro é dado, longa e profundamente...