31 de mar de 2013

Blossom Kite Festival

Com a chegada da Primavera também é dado início ao National Cherry Blossom Festival, que nada mais é do que celebrar a estação e também o florecer das Cherry Blossom, que são flores japonesas muito tradicionais por aqui (embora ainda não tenham florecido).

National Mall



Durante toda a Primavera, ocorrem eventos em Washington DC, dos mais diversos tipos. Neste último final de semana aconteceu o Blossom Kite Festival, ou seja, um festival de pipas. Durante o dia todo aconteceram workshops sobre montagem, exibições, e qualquer um podia participar. Era só chegar no National Mall e começar a empinar sua pipa!

Pipas de todos os formatos!


As pessoas estavam espalhadas pelo parque e também em volta do Washington Monument. O céu, invadido por pontos das mais diversas formas, embora não estivesse ventando tanto quanto era esperado.

Para mim, foi um misto de novidade com nostalgia. Nunca tinha visto tanta gente soltando pipa junto, e tantos modelos diferentes. Ao mesmo tempo, me deu a maior saudade de quando meu pai não só me ensinou a empinar pipa, como ele também construía as pipas comigo e com meu irmão, tudo feito à mão, desde a cola até a finalização com as linhas e tudo mais. Sweet childhood!
Obrigada pelas lembranças, meu herói! *mwah*

ECC Meeting no park. Amo o fato de que a cada meeting eu conheço gente nova!


No meu caso, fui para relaxar e observar. E, mais uma vez, aconteceu meeting com o grupo The English Conversation Club. Esta foi a terceira vez em que participei, e tanto reencontrei gente que conheci nos anteriores, como também conheci gente nova - e levei gente nova comigo. Grupos de conversação são a melhor opção para quem quer não só praticar o idioma, mas também encontrar formas de aproveitar o tempo livre. Ficamos por lá algumas horas, conversando sobre tudo e nada. Muito bom!

Gisele, nova vizinha Brasileira, com tantas histórias passadas como as minhas. Gosto desde já! :)


E quando você acha que a vida leva para longe as suas pessoas queridas (tô morrendo de saudade da Virginia!), ela também bate na sua porta e te traz uma vizinha nova, com tanta coisa em comum, que um day off só não é o suficiente para tanta conversa.
Adorei te conhecer, Gi! E se prepara, que aqui pertinho do nosso bairo tem barzinho com happy hour de Segunda a Sexta. Caminhoneiras for life! haha :D

National Mall


Depois de passarmos um tempo com o pessoal do grupo, a Gi e eu já havíamos combinado de ir até o mercado Brasileiro, By Brazil, em Wheaton (MD) para comprarmor Ovo de Páscoa! Pegamos o metro em DC mesmo, e descemos na estação de mesmo nome da cidade. Andamos pela avenida, por dois ou três quarteirões, e encontramos a loja. Muito mais fácil ir de metro, sem se preocupar com estacionamento, combustível, e o cansaço da viagem, pois fica a quase uma hora de distância de onde moramos.

E lá se foi mais um dia bom, um final de semana agradável. Espero conseguir ir para DC com mais frequência agora durante a Primavera e também o Verão. Não há nada melhor do que comprar um café gelado e sentar na grama, no meio do parque, para ficar descansando enquanto assiste às pessoas praticando esportes, famílias reunidas, crianças brincando...

Life's good! ;)

28 de mar de 2013

Gourmet Talk: Pastel de Egg Roll

Sim, o título do post está certo. E, sim, eu comi pastel feito em casa aqui nos EUA, no último final de semana! Acho que agora já não me falta mais nada por aqui, pra me sentir em casa!

Pastel!



Hoje não vou exatamente ensinar uma receita com ingredientes e modo de fazer. A ideia é somente mostrar algo que encontrei no mercado outro dia, testei e deu certo: massa para Egg Roll.

Antes de vir para os EUA eu nunca havia experimentado nenhum tipo de comida Asiática. Entretanto, Americano é louco por comida Chinesa em especial, e aqui em casa a minha host pede periodicamente. Também existe um restaurante super barato - e muito delicinha - chamado Pei Wei, o preferido das minhas crianças.

O Egg Roll é conhecido no Brasil, se não me engano, como Rolinho Primavera. Nada mais é do que uma massa frita, recheada com vegetais. Quando experimentei pela primeira vez, logo me lembrei do pastel. Aliás, era a minha estratégia pra matar a saudade do mesmo. E aí outro dia andando pelo mercado, fazendo as compras da semana, me deparei com a massa pronta para Egg Roll.

Massa para Egg Roll




No site da marca, Nasoya, vi que eles também têm massa para Won Ton (um quadradinho bem menor) e a massa redonda, para Ravioli. Esta, de Egg Roll, é um quadrado bem grande, e eu cortei ao meio para fazer pastéizinhos tipo aperitivo. Se usar a massa inteira, dá para fazer uns pastéis médios, não muito grandes.

Pastéis montados.


Um segredinho é ter em mãos um recipiente com água e, após posicionar o recheio, umidecer toda a borda da massa com os dedos embebidos na água, o que vai fazer com que a massa fique um pouco pegajosa e seja mais fácil selar. Para finalizar, após fechar o pastel, é legal apertar toda a borda com um garfo, para ter certeza que a massa grudou uma parte à outra. 

Eu fiz o recheio com carne moída refogada, mas dá para fazer de diversas formas. Há uma infinidade de produtos nos mercados (mesmo a carne moída, você também encontra carne de frango e de peru, moídas), é só reservar um tempinho para descobrir o que eles têm a oferecer. E, antes, que me perguntem, palmito pode ser encontrado junto de produtos latinos. É só preparar o recheio que mais gosta, e pronto!

Os pastéis podem ser fritos e também assados. Testei das duas formas, e prefiro mais a segunda. No caso desta massa específica, é só aquecer o forno a 400F e assar os pastéis por 12 minutos (sim, exatos 12 minutos).

Pastel, vinagrete, cerveja, e The Walking Dead. Noite de sexta-feira perfeita!

Desta vez fiz só para mim, pois minha host family havia ido para Florida, mas não vejo a hora de fazer pra todo mundo, e ver o que eles acham! Será que os Americanos vão gostar? Bom, pelo menos eles gostam do Egg Roll tradicional... Se eu fizer, volto pra contar como foi.

Bom apetite! :)

27 de mar de 2013

Eu, indivíduo

"You guys might not know this, but I consider myself a bit of a loner.
I tend to think of myself as a one-man wolf pack."
(Alan Garner, The Hangover)

Quando adolescente conheci, dentre tantas formas de governo, o Anarquismo. Típico da adolescência skatista, fã de Punk Rock e Hard Core, a crítica ao Sistema sempre esteve presente na minha vida. Nunca fui revolucionária pra valer, nem mantenho uma posição política declarada, mas dentre os princípios do Anarquismo, um me chamou muito a atenção: o individualismo, o qual prioriza o indivíduo e suas vontades, assim como é aqui onde surge o famoso cliché de que "a minha liberdade termina onde começa a do próximo".

Ser individualista é diferente de ser egoísta. O fato de eu me auto priorizar como indivíduo não significa que eu nunca estarei disponível para ajudar o próximo. Eu posso ser uma pessoa solidária ainda que sendo individualista. Já ajudei inúmeras vezes, tanto pessoas que me retribuem isso em forma de amizade, quanto aqueles que, depois do favor prestado, nunca mais vieram me dizer um "bom dia" sequer. Ver a si mesmo como indivíduo faz com que busquemos meios de suprir nossas próprias necessidades sem que precisemos invadir o espaco do próximo, ou seja, sem dependermos da disposição - e boa vontade - alheia para que nossos próprios problemas sejam resolvidos.

Em um mundo dinâmico como o atual, é necessário ter iniciativa para chegar onde se quer. Claro que é mais fácil telefonar para "quem sabe fazer", em vez de descobrir por si mesmo, é menos trabalhoso. Mas será que assim você estará adquirindo conhecimento? Não dá para passar a vida toda esperando alguém para ligar na farmácia e fazer seu pedido de refil daquele medicamento diário. Não dá para esperar que alguém faça sua declaração de imposto - e pague para você. Não dá para esperar que alguém toque a sua campainha e te pergunte se você precisa de carona para ir fazer compras. Pessoas têm compromissos, e nem sempre você fará parte deles. Portanto, ser capaz de viver sozinho é algo indispensável, principalemente quando você está longe de todas as pessoas que sempre te cercaram, vivendo em um país que fala outra língua, que possui outras leis.

Meu pai costumava dizer que, assim que eu viesse para os EUA, eu não poderia mais ligar para ele ir me socorrer, ir me buscar onde quer que eu esteja, porque é fisicamente impossível. E foi assim, graças ao pensamento dele, que aprendi a "me virar sozinha", a "andar com as próprias pernas". Toda vez que estou diante de alguma situação que exige de mim uma escolha, eu tenho em mente que estou sozinha e que somente eu posso decidir por mim mesma. Ninguém pode me dizer o que fazer, porque ninguém vive a minha vida.

E é isso que as pessoas não entendem quando eu me recuso a ajudar, não por má vontade, mas porque não há nada que eu possa fazer, principalmente quando a pessoa não é também individualista e não procura, antes, encontrar soluções por si só. E em se tratando de Au Pairs, como é que elas conseguem cuidar de três ou quatro crianças, mas não conseguem cuidar de si mesmas?

As pessoas não estarão cem por cento à sua disposição o tempo todo, quando você bem entender. Antes de parar o seu trabalho para enviar um SMS a outra pessoa pedindo o telefone da oficina mecânica que você levou seu carro uma única vez, você também pensou que esta pessoa vai ter que parar o trabalho dela para procurar para você algo que não é útil a ela, tudo porque você não quis perder cinco minutos usando o Google? É justo tomar o tempo dos outros com algo tão simples que você poderia ter feito sozinho?

Ser individualista também é ser capaz de julgar suas próprias necessidades. Será que você precisa mesmo de outra pessoa te ajudando nas situacões mais randômicas possíveis? Até onde vai a sua capacidade de buscar - e encontrar - soluções para você mesmo?

E por ser individualista é que, no fim das contas, as pessoas me julgam como egoísta. Se eu não dou carona, ou se não estou disponível pra te fazer compania enquanto você compra pão na padaria - e eu só assisto - é porque eu tenho um bom motivo. E se fosse eu, será que você também estaria disponível vinte e quatro horas por dia para me acompanhar à banca de jornal, naquela tarde de domingo em que você está de folga, só porque fiquei entediada de assistir TV?

Tudo bem, tudo bem... Como diria Alan Garner, do filme Se Beber Não Case, eu considero a mim mesma como uma alcatéia de um lobo só. E assim a vida segue! :)

26 de mar de 2013

ECC Meeting

Há algum tempo conheci o grupo The English Conversation Club OnLine no Facebook, moderado por Mark Sagarin, um professor Americano muito gente boa, dedicado a diversos projetos sem fins lucrativos, incluindo uma organização de resgate e adoção de cachorros.

Toda semana acontecem reuniões em Maryland, em bibliotecas, livrarias, ou mesmo na Starbucks. Infelizmente os horários não batem com o meu schedule, além de levar quase uma hora de carro até os locais. Por conta disso, de muitas pessoas da Virginia não poderem participar durante a semana, ele começou a organizar reuniões aos finais de semana, normalmente em Washington DC, para que todos nós possamos nos encontrar.

Alemanha, Brasil, Colombia, França e México, junto do Mark e sua esposa.



A primeira reunião que participei foi na galeria nacional de arte, e foi bem interessante porque ele é apreciador das artes e tem muita informação para nos passar. Foi um passeio bem legal, por entre quadros e esculturas, todo o trajeto com direito à explicações feitas pelo Mark.

Neste domingo participei da minha segunda reunião (foto acima). Nos encontramos na livraria Barnes & Noble, a qual tem um Cafe no andar supeior. Passamos algumas horas entre cafés, livros, e conversinhas sobre a vida aqui nos EUA, sobre o que é ser Au Pair (todas as meninas que participaram são Au Pairs, exceto uma que é nanny, ou seja, não vive com uma família), tiramos dúvidas sobre o idioma, e tudo mais.

Algumas das meninas haviam acabado de chegar no país, e tiveram a oportunidade de já começarem a praticar o idioma com pessoas de diversos países. Espero que elas tenham gostado, tanto quanto eu! E por conta de oportunidades como esta, eu digo que só não fala Inglês neste país quem não quer.

Depois da reunião, fomos andar por DC. Apesar do tempo ainda frio, conseguimos mostrar os lugares mais populares, como a Casa Branca, o Lincoln Monument, o World War II Memorial, e alguns outros.

Terminamos o dia jantando no Vapiano, um restaurante Italiano muito gostosinho, onde a comida é preparada na sua frente, assim que você faz o pedido. É tudo muito rápido e barato. Vale a visita!

Por fim, ao voltar para o metro onde estava meu carro, havia começado a nevar. Em plena Primavera, a neve ainda insiste em cair.. Vai entender!

Enfim, eu adorei o domingo! Foi muito bom conhecer as meninas, e foi muito produtivo. Fizemos muitas coisas, andamos bastante, conversamos, trocamos telefone. Espero poder encontrá-las mais vezes, principalmente agora com a Primavera, quando a cidade ganha uma paisagem muito mais agradável aos olhos.

Que venham mais finais de semana cheios de surpresas! :)

22 de mar de 2013

Gourmet Talk: Dicas para um almoço mais saudável

Quando chegamos aqui nos EUA, logo percebemos que o almoço não é a refeição mais importante para os Americanos. Na minha host family sempre cozinhamos para o jantar, mas o almoço é sempre algum sanduíche, ou omelete, e dependendo do horário, no final de semana, o café da manhã vira brunch e funciona como duas refeições juntas: breakfast + lunch.

Sinceramente, demorei muito para criar um hábito saudável no almoço. Por conta da correria, e também da preguiça (confesso), eu acabava optando por tudo aquilo que era fácil e rápido, como bagel com cream cheese, ou sobra de pizza, coisas assim.

De uns tempos pra cá resolvi incorporar mais vegetais à minha alimentação. Minha estadia aqui nos EUA fez com que eu aprendesse a gostar de diferentes alimentos, dentre eles os vegetais. E já que eu passei a gostar deles, por que não usá-los no almoço, a única refeição em que faço praticamente sozinha em casa?

Para começar, todo Americano gosta de grill, que nada mais é que a churrasqueira, normalmente a gás, ou mesmo uma pedra usada sobre o fogão, e isso facilita muito a vida na hora de cozinhar carnes saudavelmente. É só colocar a carne lá, temperada como quiser, e em minutos fica pronta! Não tem segredo.

Grill para fogão à esquerda; churrasqueira a gás à direita. Ambos aqui de casa.

Aliás, Americano em geral é muito prático na cozinha. Juntam-se três ou quatro ingredientes, faz-se um molho, assa-se algum tipo de carne no forno, cozinha-se algum tipo de pasta, combina-se tudo e em poucos minutos está pronta uma refeição. E a gente acaba aprendendo os tais pratos fáceis com a host family.

A intenção deste post é mostrar que basta um pouquinho de boa vontade para fugir dos alimentos calóricos e refeições prontas, principalmente fast food, que facilmente se encontra por um valor muito acessível por aqui. Portanto, não há desculpas para dizer que "nos EUA não existe alimento saudável", porque a variedade de opções nos mercados chega a ser bem maior do que eu costumava ver no Brasil.

Vou deixar aqui fotos de alguns pratos que fiz nos últimos dias. Não estou de regime, nem estou seguindo dieta alguma. Simplesmente optei por comer mais vegetais e, consequentemente, obter refeições mais saudáveis em especial no almoço.

Bife de contrafilé grelhado e salada de couve.
(Grilled sirloin steak, and collard greens salad)

Peito de frango grelhado, e salada de couve com beterraba.
(Grilled chicken breast, and collard greens wirh beet salad)

Salada do tipo Americana, com peito de frango grelhado.
(American blend salad, and grilled chicken breast)


Torradas com peito de peru e cebolada caramelada, e brócolis ao vapor.
(Toats with turkey breast and caramelized onions, and steamed broccoli)

Ravioli, almondegas de peru ao "Molho do Tio Tom", e brócolis ao vapor.
(Ravioli, turkey meatballs with Uncle Tom's Sauce, and steamed broccoli)

Peito de frango grelhado, couve refogada, e maçãs.
(Grilled chicken breast, sauteed collard greens, and apples)

Torrada com cream cheese, e suco de limão com couve - para o lanche da tarde.
(Toast with cream cheese, and lime with collard greens juice - for snack)

Suco de laranja com beterraba.
(Orange with beet juice)

Espero que ajude atuais e futuras Au Pairs a terem ideias diferenciadas para nossas refeições. Já que nosso tempo é tão precioso e a correria é bruta, nada melhor do que encontrar formas simples de cuidar da gente, focando sempre na nossa saúde.

Bom apetite! :)

21 de mar de 2013

Me deixa?

Me deixa ser quieta.
Me deixa gostar da paz do meu quarto.
Me deixa apreciar o silêncio.
Me deixa ter o direito de ficar calada.
Me deixa expressar-me pelo olhar.
Me deixa ser ausente.
Me deixa ser correta.
Me deixa seguir leis à risca.
Me deixa não gostar de quebrar regras.
Me deixa não gostar da loucura.
Me deixa gostar de saborear cerveja.
Me deixa não gostar de ficar bêbada.
Me deixa ter dezessete anos no jeito de me vestir.
Me deixa ter trinta anos no jeito de agir.
Me deixa passar o dia deitada na grama.
Me deixa divertir-me fazendo nada.
Me deixa sair sem rumo.
Me deixa querer voltar.
Me deixa sentir-me dividida.
Me deixa ser eu mesma.
Me deixa.

E me traga mais um café gelado, por favor.



17 de mar de 2013

O velho dilema sobre a sexualidade das cores

Um dia qualquer, de manhã, o pequeno pegou um par de meias emprestado da irmã do meio, porque provavelmente estava enjoado de só usar meias brancas. Já que as meias eram verdes com bolinhas azuis, sem nada a mais, apesar de serem de uma marca que só produz roupa feminina, eu deixei ele usar. Não questionei, nem disse nada. Simplesmente vi e deixei.

Seria um dia normal, se eles não fossem para a casa do pai naquela noite. Dirigi até a casa do pai, deixei as crianças lá, como sempre faço. Quando estava voltando para casa, recebi inúmeras mensagens de texto da madrasta. Ao chegar em casa e ler todas, me deparei com uma em que ela dizia "Aline, favor checar as meias que o pequeno estiver usando na próxima vez. Ele só pode usar meias brancas de menino. Não o mande mais usando meias de meninas". Sim, ela é educada assim a ponto de nem dizer um "obrigada" ao final e fala como se fosse a minha chefe. Eu não respondi, mas toda vez que eles vão à casa do pai, eu faço questão de ter certeza de que ele não esteja usando nada "de menina".

Eu, quando adolescente, por vezes comprei meias brancas iguais às do meu pai, porque eu queria usar meias altas com All Star, igual aos meus amigos skatistas, e marcas femininas só fariam meias altas daquelas grossas, de academia. Também já cheguei a emprestar bermuda do meu irmão, porque queria algo confortável, na altura dos joelhos, e eu ainda não tinha nenhuma feminina com um corte "boyfriend". Bom, usar meias masculinas e me vestir inspirada nos meus amigos skatistas não me fez ser menos feminina, ou mudar a minha orientação sexual.

Diante deste acontecido com as tais meias, fiquei me perguntando o que faz uma cor ser de menino ou de menina. Ou até mesmo o que faz uma pessoa ser feminina ou masculina. Meninas podem usar meias azuis, verdes, rosas, amarelas, mas meninos só devem usar meias brancas? Estamos falando aqui de um menino de seis anos, cuja cor preferida é o vermelho, e cujos olhos brilham ao ver qualquer coisa multicolorida, e tem orgulho de saber as sete cores do arco-íris.

As meninas têm meias, camisetas e calças das mais diversas cores - incluindo o azul, uma cor supostamente masculina -, e ninguém nunca me disse que elas têm que usar "calça rosa de menina" ou "meias rosa de menina". O menino tem roupas coloridas, mas as meias precisam ser brancas, de acordo com a madrasta. E sabe o que é mais interessante? Quando ele escolhe as próprias roupas, o faz de forma com que tudo combine: calça, camiseta, cueca e meias. Ou seja, se ele pegar uma camiseta vermelha, ele quer meias e cueca com detalhes em vermelho (as cuecas dele são um charme a parte, tem Angry Birds, Angry Birds Star Wars, Carros, etc), e combina tudo com uma calça jeans.

Se o problema, para a madrasta, era as meias serem de uma marca de roupas femininas, eu posso até tentar entender, mas ainda assim acho que é besteira. De qualquer forma, naquela mesma semana levei o pequeno para comprar mais meias. Peguei as brancas, como sempre, e ele escolheu um outro conjunto feito de meias brancas com a ponteira e o calcanhar coloridos (azul, vermelho, amarelo, etc). Deixei, claro! Ele fica todo feliz ao poder escolher o que quer vestir. E se a mãe não impõe regras quanto a isso, quem sou eu para o fazer?

E esta cena se repetiu há poucas semanas, quando o levei, novamente, para comprar cuecas e meias. Escolheu as cuecas com os personagens favoritos, e me pediu as "rainbow socks", que nada mais eram do que seis pares de meias masculinas na cor cinza, cada uma com a ponteira e o calcanhar de uma cor. E, claro, também trouxe as brancas para evitar a fadiga.

Meias de menino. Coloridas, mas de menino.

O que faz dele um menino masculino? Obrigá-lo a usar meias brancas, ou as atitudes dele?

Enquanto pais e mães acharem certo presentear meninos com armas e jogos violentos, mas acharem errado que eles queiram usar um par de meias colorido, eu vou continuar pensando que este mundo anda um pouquinho confuso quando o assunto é a definição de gêneros.

5 de mar de 2013

Fases

"Fases que vão e que vêm, no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário inventou para meu uso."
(Lua Adversa, Cecília Meireles)

Ainda continuo percorrendo a transição entre a fase "quero voltar para casa" e a fase "quero viver nos EUA para sempre". Enquanto coração e razão continuam a discutir o relacionamento, eu vou aproveitando cada dia como se fosse o último, afinal, nada tenho a perder. :)